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Estado de Minas PANDEMIA

BH pode ficar sem carnaval de rua em 2021

Blocos admitem que folia está ameaçada, com a proibição de aglomerações. Geo Cardoso, do Baianas Ozadas, e Heleno Augusto, do Havayanas Usadas, dizem que eventos para financiar desfiles foram cancelados


postado em 30/06/2020 04:00 / atualizado em 01/07/2020 16:46

É incerto o futuro de eventos com aglomerações, como o desfile deste ano do bloco Então, Brilha!(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press )
É incerto o futuro de eventos com aglomerações, como o desfile deste ano do bloco Então, Brilha! (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press )
 
BH terá carnaval em 2021? Geo Cardoso, líder do bloco Baianas Ozadas, acredita que a festa, cuja principal característica é a aglomeração de pessoas, não poderá ser realizada em fevereiro. “Nenhuma autoridade responsável vai permitir isso. Podemos pensar em carnaval fora de época, mas se continuar do jeito que está, com o vírus se alastrando e sem vacina, não tem como”, diz.


Um dos maiores blocos de BH, o Baianas Ozadas desfila desde 2012, quando foi criado. “Estamos parados. A humanidade toda está parada, todas as agendas foram interrompidas pela pandemia. Por mais que o carnaval seja um marco da cultura brasileira, a vida está em primeiro plano”, ressalta Geo.

PREPARATIVOS Geralmente, os preparativos para a folia começam no primeiro semestre. “Confesso que não tenho nem cabeça para pensar agora no carnaval de 2021”, desabafa o líder do Baianas. Heleno Augusto, um dos coordenadores do bloco Havayanas Usadas, conta que os preparativos, iniciados em março, também foram interrompidos. “É tudo muito incerto, todo mundo está muito assustado, sem saber o que fazer. A gente espera que as coisas melhorem até agosto ou setembro, porque teríamos pelo menos um tempo para planejar o carnaval”, diz.

Melado, integrante do bloco Quando Come se Lambuza, acha que mesmo que a festa não seja permitida nos moldes tradicionais, foliões encontrarão maneiras de pular carnaval. “As pessoas não vão ficar em casa, haverá alguns eventos. Porém, o nosso grupo só vai promoverr algo se for de acordo com as normas, 100% seguro”, garante. “Nosso lema é: prepare-se para o pior e espere o melhor.”

Michelle Andreazzi, da equipe do bloco Então, Brilha!, não arrisca um palpite sobre o carnaval 2021. “Está tudo tão incerto... Achei que teríamos festa de são-joão, mas não tivemos. Vai depender da vacina, se não encontrar uma, não tem carnaval”, acredita.

A situação dos blocos de BH é delicada, pois nesta época começam as ações para arrecadar dinheiro para o desfile. De acordo com Heleno Augusto, mesmo se autoridades da área de saúde autorizarem o carnaval, com desfiles, carros alegóricos e ruas fechadas, isso não significa que os blocos terão condições de se apresentar. “Os maiores, com atividades durante o ano, não podem fazer agora shows, festas e oficinas, entre outras formas de conseguir dinheiro”, explica.

Michelle Andreazzi se mostra mais confiante: “Se tiver vacina e a pandemia for controlada, o carnaval vai acontecer. Os blocos vão para a rua, com patrocínio ou não.” Coordenador do bloco Divina Banda, que há três anos desfila em BH, Rodrigo Borges prefere não arriscar previsões. “Temos que viver dia após dia, entendendo os pequenos avanços. A segurança da população e o bom senso estão em primeiro lugar. Mas espero algum tipo de vacina”, diz.

Heleno Augusto lembra que os blocos têm sido “o motor da economia de BH e do estado” durante o carnaval. “Nesta hora, precisamos da prefeitura e do governo de Minas, de um suporte financeiro para continuar”, defende. Ele lembra que grande parte das pessoas à frente dos blocos se dedica exclusivamente à música e enfrenta sérios problemas financeiros durante o isolamento social.

Geo Cardoso diz que profissionais do setor cultural não são valorizados, situação agravada pela pandemia. “Somos trabalhadores da cultura e da música. Fomos um dos primeiros setores a parar e seremos um dos últimos a voltar – mesmo assim, de forma gradativa. Artistas ligados ao Baianas Ozadas vêm se mantendo graças ao auxílio emergencial e à ajuda de amigos”, comenta.

Geo, que é publicitário, passou a fazer trabalhos como freelancer. Ele conta que o bloco adiantou cachês de shows para integrantes que fazem parte da banda que se apresenta fora dos dias de folia. “Ainda estamos conseguindo honrar compromissos por causa de patrocínio e do caixa feito com o carnaval 2020”, afirma Heleno Augusto, do Havayanas.

Os blocos Havayanas Usadas, Baianas Ozadas, Então, Brilha! e Quando Come se Lambuza mantêm bandas, com cerca de 10 integrantes, que fazem shows o ano inteiro. O tamanho dos grupos dificulta as lives. “Reunir nove músicos on-line é difícil”, comenta Geo. Heleno Augusto concorda: “Todas as nossas atividades são feitas por meio de contato e de bastante aglomeração”.


SINGLE Geo Cardoso conta que seu bloco começaria a gravar um disco agora. “Demos uma freada, temos de pensar em como fazer.” Por causa do isolamento, não há previsão de lançamento do álbum, mas o primeiro single, parceria com o baiano Magary Lord, deve ser disponibilizado nas próximas semanas.

Buscando novas formas de trabalho, o Então, Brilha! vai lançar, em 11 de julho, o projeto Palavra de mulher. Conduzido por Michelle Andreazzi, terá lives sobre o corpo feminino. As convidadas debaterão temas relacionados a gordofobia, transexualidade e aceitação.

Em agosto, o bloco Divina Banda promoverá oficinas de percussão on-line lideradas por Rodrigo Borges e Tizumba, com participação de mestres de bateria de outros estados. “Vamos gravar material autoral. Queremos aproveitar a quarentena para fazer aflorar o nosso lado artístico. É uma forma de manter acesa a chama do carnaval”, diz Rodrigo Borges.

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria



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