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Estado de Minas MEXA-SE

Na quarentena, companhia de dança aposta as fichas no ensino

Fundada há quase 30 anos em BH e voltada às danças de salão, Mimulus criou braço digital para continuar ensinando e se mantendo


postado em 23/06/2020 04:00

Cena do espetáculo Âmago (2019), da Mimulus Companhia de Dança, que se apresentou pela última vez em BH em fevereiro passado(foto: Guto Muniz/Divulgação)
Cena do espetáculo Âmago (2019), da Mimulus Companhia de Dança, que se apresentou pela última vez em BH em fevereiro passado (foto: Guto Muniz/Divulgação)

A Mimulus Companhia de Dança se apresentou pela última vez em Belo Horizonte em fevereiro passado, na programação da Campanha de Popularização Teatro & Dança. Devido à pandemia do novo coronavírus, não há previsão para que o grupo mineiro volte aos palcos. “Danço com minha parceira (Juliana Macedo) há 27 anos. Durante todo esse tempo, nunca ficamos longe um do outro por um período tão longo”, comenta o bailarino, coreógrafo e diretor da companhia Jomar Mesquita, de 49.

“Mas este momento, apesar de tantas dificuldades, tem trazido muitas coisas positivas”, diz ele em referência à reorientação do trabalho da escola de dança homônima para o universo digital. “Já tínhamos esse planejamento há bastante tempo, mas não o colocamos em prática por causa da série de atividades na programação anual”, diz.

Com o selo Mimulus Digital, a escola passou a produzir lives, videoaulas e cursos on-line voltados sobretudo para a dança de salão, que é a especialidade da companhia e da escola. “Num primeiro momento, disponibilizamos só conteúdo gratuito. A partir do segundo mês, fomos organizando os cursos, que são pagos”, conta Jomar.

As aulas são transmitidas ao vivo por meio da plataforma Zoom, mas a gravação fica disponível por até sete dias para aqueles que não puderam “comparecer”. A distância entre o professor e os alunos tem um impaco direto na forma de aprendizagem, segundo a avaliação do bailarino e coreógrafo.

CONSCIÊNCIA

Ele diz que os frequentadores das aulas “acabaram tomando mais consciência do movimento que estão fazendo por ter que atender somente a orientações verbais”. Os professores também tiveram que se adaptar. “É um trabalho muito diferente. Antes, era mais cansativo fisicamente e agora, por ficar o tempo inteiro em frente a uma tela”, diz Jomar, que se define como “um antissocial digital” agora convertido ao universo das lives.

O fato de as aulas ocorrerem a distância trouxe para a escola novos alunos e professores que vivem fora de BH, segundo diz o fundador da Mimulus. “Há pessoas até de outros países que se matricularam nos cursos.” Na última quinta-feira (18), os professores Yoel Palácios e Silvia Sánchez ministraram uma aula de salsa e bachata diretamente de Madri, na Espanha.

“Hoje, quem quer fazer aula conosco vai pagar, proporcionalmente, muito menos que o modelo presencial e ter acesso a um conteúdo muito maior”, diz Jomar. A queda nas receitas imposta pelos valores mais baixos do curso e pela suspensão das atividades da companhia, no entanto, já resultou em dispensas na equipe da escola.“Enquanto não temos mais eventos, teríamos que ter mais aulas e alunos para cobrir tudo”, diz o bailarino.

Embora esteja preocupado com o futuro da companhia, Jomar assegura que a Mimulus Digital vai seguir em funcionamento, mesmo após o fim da pandemia. Ele diz que é prazeroso perceber que o modelo tem sido benéfico para as pessoas neste tempo de tensão. “Isso tem sido muito gratificante, independentemente de qualquer questão financeira”, afirma. Parte dos conteúdos é divulgada gratuitamente no canal da companhia no YouTube e no Instagram (@mimulusdanca).

*Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes


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