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Estado de Minas MÚSICA

Maestro de Bituca, Wilson Lopes 'pega pesado' nesta quarentena

Aclamado violonista, diretor musical dos shows de Milton Nascimento lava louça, cozinha, limpa a casa e aprende piano nestes dias de isolamento social. 'O mundo está reaprendendo a viver', diz


postado em 07/06/2020 04:00

Wilson Lopes diz que o coronavírus está ensinando o mundo a reaprender a viver(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press %u2013 11/12/18)
Wilson Lopes diz que o coronavírus está ensinando o mundo a reaprender a viver (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press %u2013 11/12/18)
Uma ducha de água fria. Foi assim que o mineiro Wilson Lopes recebeu a notícia de que a turnê com Milton Nascimento para os Estados Unidos e a Europa havia sido cancelada devido à pandemia. Conhecido como o “Maestro do Bituca”, o violonista, guitarrista e professor de música popular na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tenta se adaptar à nova realidade.

“Não foi fácil, pois o Milton estava entusiasmado com a viagem, assim como a banda”, revela. Por enquanto, shows e aulas estão suspensos. “Creio que o máximo será uma live que eu e Bituca vamos fazer”, comenta. Ela está marcada para dia 28 de junho.

A pandemia, acredita Wilson, veio testar a humanidade. “O mundo está reaprendendo a viver”, diz ele. O aclamado violonista aproveita a quarentena para estudar piano em sua casa, no Bairro Jaraguá. “Coloquei um teclado grande bem no meio da minha sala e vou praticando. Já toco várias músicas”, comemora.

MARJORIE

 Por enquanto, Wilson Lopes não está compondo. “O tempo de estudar é meio louco, gastamos muita energia aprendendo um novo instrumento”, explica.  “É bem legal, porque estou tocando de tudo: Sandy & Júnior, Marjorie Estiano, que adoro, Milton Nascimento e Beatles. Recentemente, aprendi Money, sucesso do Pink Floyd, e até contei com o auxílio luxuoso do meu filho Thomaz no contrabaixo.”

A quarentena transformou o Maestro do Bituca em dono de casa. “Estou cozinhando, limpando, lavando louças, o que é legal e importante. A gente vai aprendendo muitas coisas. Confesso que pelo fato de trabalhar e viajar muito, não tinha muita referência dessa coisa de casa, da trabalheira que dá.”

O músico conta que, “para passar o tempo”, ele e a mulher, Gilma, resolveram limpar o porão. “Pensamos que era coisa de uma semana, mas que nada... Só terminamos na segunda-feira passada. Lixamos e pintamos. Ficou muito legal.”

PALCO 

Wilson morre de saudades dos shows. “A ausência dos palcos está mexendo muito comigo. Costumo brincar que a gente recebe cachê é pela trabalheira de viajar, fazer e carregar mala, aeroporto, entrar em avião e se hospedar em hotel. Tocar é prazer, o palco é o nosso divã.”

Todas as semanas, ele e os amigos têm se reunido virtualmente. “Outro dia, o flautista Mauro Rodrigues ressaltou a importância de o músico se apresentar. Ficar sem tocar mexe muito conosco, parece que tem um buraco dentro da gente, é muito estranho”, diz. “Eu estou aqui na minha casa com a Gilma e o Thomaz, mas muitos colegas são solitários e sofrem muito com o isolamento social”, observa, preocupado.

O avanço do coronavírus o assusta. “A curva está só subindo e não parece descer hora nenhuma. Pelo visto, com a abertura do comércio, a probabilidade é de aumentar ainda mais.”

O jeito é enfrentar. “Estou cuidando da casa com minha mulher e meu filho, tirando músicas, vendo filmes, lendo, tocando violão para não ficar enferrujado e aprendendo piano. De resto, é esperar que a pandemia acabe logo e os shows retornem o mais breve possível.” Porém, admite que isso só deve ocorrer em 2021. “Infelizmente”, conclui.


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