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Estado de Minas MÚSICA

Mahmundi deixa de ser só e apresenta um 'Mundo novo' de parcerias

Cantora carioca radicada em São Paulo lança nesta sexta-feira (29) disco em que deixou de lado os sintetizadores e reuniu músicos para gravar com ela


postado em 29/05/2020 04:00

(foto: Rui Mendes/Divulgação)
(foto: Rui Mendes/Divulgação)

"Estar em estúdio com outras pessoas, liderar o trabalho delas não é fácil, mas eu compreendo que foi necessário. Eu não poderia continuar minha carreira sem essa experiência, senão, provavelmente, ia ficar fazendo cover de mim mesma"

Mahmundi, cantora

Desde que surgiu para o grande público, em 2016, Marcela Vale, ou melhor, Mahmundi, é o tipo de artista acostumada a trabalhar sozinha. Unindo sintetizadores, guitarras e voz de maneira singular, ela lançou dois EPs, Efeito das cores (2012) e Setembro (2013), que lhe abriram caminho para dois elogiados discos de estúdio, Mahmundi (2016) e Para dias ruins (2018) – esse último lhe rendeu até uma indicação ao Grammy Latino.

Mais recentemente, produzir de forma solitária passou a ser insuficiente para a criatividade da artista, que resolveu experimentar uma forma diferente de trabalhar em seu novo disco, Mundo novo (Universal Music), que chega nesta sexta-feira (29) às plataformas digitais.

Nele, Mahmundi se permitiu entrar em estúdio com alguns colaboradores. “A ideia era fazer algo que soasse mais como uma banda, saindo da produção sozinha que os sintetizadores permitem. Então, partimos para um trabalho com coprodução do (músico) Frederico Heliodoro, que trouxe uma série de referências de música instrumental”, diz ela.

Além de contar com uma banda composta por instrumentistas de diferentes partes do Brasil, Mahmundi também teve a colaboração dos músicos Paulo Nazareth e Castello Branco, além de Davi Moraes, com quem ela divide a produção da ótima Sem medo, lançada como single no início de março – impossível não se render ao cativante “ai, ai, ai” do refrão, mergulhado num misto de raggae e soul.

AUTOESTIMA 

“Fazer este disco foi para mim um desafio que tem a ver com autoestima, vulnerabilidade e como interagir com o outro”, afirma ela. “Estar em estúdio com outras pessoas, liderar o trabalho delas não é fácil, mas eu compreendo que foi necessário. Eu não poderia continuar minha carreira sem essa experiência, senão, provavelmente, ia ficar fazendo cover de mim mesma.”

As sete faixas do trabalho trazem à tona uma nova faceta musical da artista. À exceção da primeira, que consiste numa introdução escrita e falada por Nazareth para – com o perdão do trocadilho – apresentar este “novo mundo”, as músicas são mais orgânicas, mas não deixam de exalar o otimismo e a identidade carioca de Mahmundi.

Como em seus trabalhos anteriores, as músicas continuam dialogando com a paisagem quente e salgada do Rio de Janeiro, ainda que ela more atualmente em São Paulo. Desta vez, no entanto, a sonoridade permite uma interação menos mediada com as letras, caso de Nova TV, que ganha clipe dirigido por Bruno Mazzilli, nesta sexta-feira (29), e também Convívio. “Pois não há bom proveito nos dias aqui/ Quando o coração anda distante, triste, frio e sem amar”, canta ela na segunda, em contraposição ao instrumental animado.

“Mais do que tudo, este trabalho é um reflexo da minha relação com o mundo. Da minha relação humana com o mundo. Então, o 'mundo novo' que quero apresentar é um lugar onde as relações humanas se dão, não importa o que aconteça”, diz, reafirmando a mensagem por trás da quinta faixa, Nós de fronte. Parceria de Dadi com Jorge Mautner, apresentada pelo primeiro em gravação feita com Caetano Veloso para o disco lançado no Japão em 2005, No coração da escuridão é uma das sete músicas de Mundo novo. “O sol já vai sair/ E eu que fico aí/ No porão da solidão/ Sozinho na multidão”, diz a letra.

Finalizado em fevereiro, pouco antes do início do período de isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus, o álbum não foi pensado como um “jingle da pandemia”, como pode parecer, em razão de seu título. “Esse é um nome que já tinha em mente quando comecei a trabalhar nele, em agosto do ano passado, mas que, agora, acaba sincronizando muito com o momento que estamos vivendo e com o que virá depois desse confinamento, com a nossa forma de nos relacionar com o mundo.”

Ainda avessa às lives, pelo menos por enquanto, Mahmundi realiza a quarentena em casa, onde tem uma “vista bonita, algo que pouca gente no Brasil pode ter”, e mantém um canal com os fãs via Instagram Mahmundi FM (@mahmundifm), realizando sets ao vivo às sextas e sábados, a partir da 0h.

Mundo novo
. Mahmundi
. Universal Music
. Disponível nas plataformas digitais

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