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Estado de Minas

Mineira Paula Santoro trabalha como professora de canto e fonoaudióloga em lives

Cantora e compositora de BH, mas radicada no Rio, conta que precisou se reinventar para levantar dinheiro


postado em 25/05/2020 04:00

Paula Santoro conta que foi preciso se reinventar neste período de isolamento social:
Paula Santoro conta que foi preciso se reinventar neste período de isolamento social: "De repente me vi trancada em casa, sem shows para fazer" (foto: Sônia Mibielli/Divulgação)

Penso que haverá uma mudança de valores e espero que essa pandemia, pelo menos, faça isso pela humanidade e que as pessoas percebam a importância da natureza%u201D

Paula Santoro, cantora e compositora

É preciso se reinventar. Assim aconselha a cantora, compositora, professora de canto e fonoaudióloga Paula Santoro. Mineira de BH, radicada no Rio de Janeiro, ela conta que viveu um período difícil durante a primeira semana da quarentena. “De repente me vi trancada em casa, sem shows para fazer, sem aulas de canto e workshops para dar. Além disso, também sou preparadora vocal e ajudo cantores em estúdios ou em seus shows e acabei também ficando sem essa atividade.”
 
A artista lembra que, de uma hora pra outra, ficou sem as suas fontes de trabalho. “Fiquei com medo. Perdi metade dos meus alunos, que desistiram das aulas por não poderem honrar com o compromisso. Tudo isso foi muito impactante, principalmente pela questão de não sabermos como será o futuro.”

Paula ressalta que o fato de o homem ser tão adaptável, ela logo foi se virando, se reinventando. “Pessoas que têm certo equilíbrio emocional, como é o meu caso, que continuo fazendo terapia para me conhecer melhor, foram se recompondo aos poucos.”

Com ajuda de sua psicóloga, “que foi me içando do poço para a superfície”, Paula sentiu necessidade de fazer algo e se ocupar de alguma atividade, inclusive para levantar dinheiro para o seu sustento. A artista, então, teve a ideia de criar uma live semanalmente, na qual voltaria a dar aulas de canto. “Elas acontecem durante as lives de quartas-feiras, a partir das 17h, no meu Instagram (@Paulasantoro_oficial). Felizmente, estou com quase o mesmo número de alunos que tinha antes do isolamento. Outra coisa que me ajuda muito é fazer ioga e malhar, práticas que continuo fazendo através de aulas virtuais”, detalha a cantora.

“Uma aluna quis contribuir espontaneamente. Então, tive a ideia de pedir para que as pessoas contribuíssem durante as lives, ressaltando que não seria obrigatório.” A artista diz que o pedido deu resultado. “Essas lives estão rendendo um valor legal, além de conseguir outros alunos que nem conheciam meu trabalho como professora de canto e fonoaudióloga. Nas minhas aulas, procuro juntar as duas coisas, com o intuito de fortalecer a voz”, completa.

Às terças e quintas, a cantora ministra também aulas de canto para alunos fixos em outras plataformas, como Zoom. Com cursos feitos no Brasil e no exterior, Paula ressalta que tem muita informação para passar aos alunos durante as lives. “O meu trabalho nesse momento é alento. A generosidade das pessoas dá um efeito multiplicador para o meu emocional. Na medida do possível, estou bem. É claro que não tem como um ser humano estar totalmente bem vendo tantas pessoas morrerem.”

RECONEXÃO 

A reinvenção descoberta nesta quarentena trouxe ainda um estímulo maior para Paula se reconectar às suas atividades de origem. “Voltei a tocar violão e a compor. Já estou até com um disco novo pronto, mas não vou lançá-lo agora por causa da pandemia. Não vejo muito sentido em lançar um álbum virtualmente. Quero fazer shows de lançamento. Neste disco, já tem duas músicas minhas.”

Paula também voltou a praticar meditação. “É uma técnica que sempre fiz e que é muito útil para todos, pois nos ajuda a concentrar e a relaxar. Nesse período, as pessoas têm que viver um dia de cada vez. Se pensarem muito no futuro, é complicado. É preciso focar no que é possível fazer hoje, como ajudar o outro, conversar com os amigos e aconselhar a quem precisa.”

A artista acredita que será preciso saber lidar com os novos parâmetros de vida pós-pandemia. “O mundo vai mudar. Penso que haverá uma mudança de valores e espero que essa pandemia, pelo menos, faça isso pela humanidade e que as pessoas percebam a importância da natureza. É preciso que entendam que elas são parte da natureza.”

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