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Estado de Minas SEM PARAR

Sérgio Pererê faz neste sábado live de seu segundo disco no ano

'Revivências' foi lançado nas plataformas digitais nesta semana. Até o fim do ano, o músico mineiro pretente concluir mais três discos


postado em 23/05/2020 09:00 / atualizado em 23/05/2020 09:08

(foto: Pedro Furtado/Divulgação)
(foto: Pedro Furtado/Divulgação)

''Estamos diante da possibilidade de viver com menos dinheiro, o que nos leva a buscar uma compreensão mais profunda dos valores humanos. No meio disso tudo, a gente vê muita barbaridade, muito desrespeito às comunidades quilombolas, por exemplo. Isso tudo acentua o que há de ruim nas pessoas e nos políticos e, consequentemente, vamos enxergar a realidade com mais nitidez''

Sérgio Pererê, cantor, compositor e instrumentista


O cantor, compositor e multi-instrumentista mineiro Sérgio Pererê entrou em 2020 com um plano ambicioso: lançar cinco discos ao longo do ano. O primeiro, Maurício Tizumba e Sérgio Pererê ao vivo, foi lançado no início de março passado e traz o registro do show feito pelo artista com o conterrâneo belo-horizontino Tizumba. Já o segundo, Revivências, está disponível nas plataformas digitais desde quarta-feira passada (20) e, diferentemente do costumeiro trabalho autoral do músico, trata-se de um disco de intérprete.

“No ano passado, por uma série de questões, a classe artística ficou muito fragilizada. Vendo isso acontecer, cheguei à conclusão de que a melhor saída seria produzir mais do que o normal. Entre uma produção e outra, me veio a ideia de valorizar esse lugar de intérprete, experimentando minha voz, meu pensamento e minha expressão. As músicas escolhidas trazem mensagens que eu gostaria de dizer, só que foram trabalhadas para se aproximar do meu universo”, afirma.

O repertório de 10 faixas, que falam por si, reúne versões particulares de canções como Pequena memória para um tempo sem memória, de Gonzaguinha (1945-1991); Roda viva, de Chico Buarque; e Selvagem, de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, gravada pelos Paralamas do Sucesso em 1986.

“Apesar de serem novidades para o meu público, essas canções sempre estiveram presentes em minha vida, sempre as cantei em casa”, explica Pererê, que escolheu Canções e momentos, de Milton Nascimento e Fernando Brant (1945-2015), para abrir o álbum, enquanto Juízo final, de Nelson Cavaquinho (1911-1986) e Élcio Soares, é responsável por encerrá-lo.

Morto em 2015, Luiz Melodia é homenageado com a gravação de, música composta em parceria com Perinho Santana. Já o mineiro Vander Lee, que faleceu em 2016, é lembrado na faixa Estre, de sua autoria. Reinterpretadas, as canções parecem pertencer ao universo particular de Pererê, no qual a voz marcante e as mil e umas percussões dão o tom.

Diálogo 

Ainda que tenha sido gravado ao longo de 2019, quando uma pandemia de coronavírus talvez não parecesse ameaçar a suposta normalidade do mundo, ele defende que o disco dialoga com o momento atual. “Sem dúvida, ele tem muito a ver com as questões políticas, mas acho que atribuo esse diálogo ao poder que tem a música e a poesia, que é atemporal e pode fazer sentido em qualquer época”, diz.

“É curioso porque, no meio do ano passado, as coisas já estavam difíceis para nós, artistas. Agora, a gente se vê sem muita perspectiva. O que tem me dado esperança neste momento é a corrente solidária que está sendo construída entre os artistas. É uma coisa muito bonita, uma solidariedade muito boa. O que estamos vivendo hoje nos obriga a criar uma certa horizontalidade, já que estamos todos nós em uma situação de carência.”

Uma das formas de afeto de que ele mais sente falta em tempos de pandemia é estar nos palcos diante do público. “É um momento difícil, mas vejo muita luz no meio desse breu, justamente por causa dessa solidariedade, dessa preocupação com o outro”, comenta.

Pererê acredita que a vida durante a pandemia pode servir como um “colírio” para as pessoas. “Estamos diante da possibilidade de viver com menos dinheiro, o que nos leva a buscar uma compreensão mais profunda dos valores humanos. No meio disso tudo, a gente vê muita barbaridade, muito desrespeito às comunidades quilombolas, por exemplo. Isso tudo acentua o que há de ruim nas pessoas e nos políticos e, consequentemente, vamos enxergar a realidade com mais nitidez.”

Até lá, ele lança mais três discos: Cada um ao vivo (registro do show baseado no álbum Cada um, lançado em 2018), Canções de bolso (com repertório autoral inédito) e Coração de marujo (disco idealizado para embalar a ancestralidade em ritmos da cultura popular tradicional). Ainda sem datas específicas, os trabalhos devem ser divulgados nos próximos meses, adianta o músico.

Neste sábado (23), a partir das 21h, Pererê estreia no mundo dos shows virtuais para celebrar a chegada de Revivências, diretamente da casa onde nasceu e cresceu, no Bairro Glória, em BH, via seu canal no YouTube.

É em casa que Pererê cumpre a quarentena e trabalha em novas músicas. “Estou aproveitando este período para compor meu próximo disco, que será dedicado às canções de amor. Minha grande alegria na quarentena está sendo compor”, conta.

“Durante minha carreira, sempre falei de tudo, mas nunca parei para falar de afeto. Então tenho abordado essas várias formas do amor. Até agora, já tenho umas 15 músicas e eu estou gostando demais de cantá-las.”

REVIVÊNCIAS
Sérgio Pererê
Independente
Disponível nas plataformas digitais
Live de lançamento neste sábado (23), às 21h, em youtube.com/sergioperere







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