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Estado de Minas ARTES CÊNICAS

Giramundo faz 'vaquinha' na internet para pagar as contas

Afetada pela pandemia, companhiade teatro de bonecos lança campanha para sobreviver até outubro. Meta é obter R$ 80 mil para bancar despesas e garantir renda para 25 profissionais


postado em 19/05/2020 04:00 / atualizado em 18/05/2020 22:45

Fernanda Gomes *
Beatriz Apocalypse e Ogum, um dos bonecos do espetáculo Orixás (foto: Acervo pessoal)
Beatriz Apocalypse e Ogum, um dos bonecos do espetáculo Orixás (foto: Acervo pessoal)

"No final das contas, vai ser bom. Vamos aprender muito, são outras formas de interagir. Para a gente, o que faz muita falta é o público"

Beatriz Apocalypse, diretora do Giramundo


O Grupo Giramundo, uma das companhias de teatro de bonecos mais respeitadas e tradicionais do país, está fazendo “vaquinha” para manter suas atividades. “Nesses 50 anos, vivemos de projetos de lei de incentivo, então não temos aquele valor fixo”, explica Beatriz Apocalypse, diretora do grupo. A pandemia adiou essas ações de patrocínio, afetando a sobrevivência da companhia.

A campanha SOS Giramundo foi lançada em 10 de maio. O dinheiro arrecadado será utilizado no pagamento de contas e no auxílio aos colaboradores, profissionais autônomos que recebem por atividade executada. Devido ao avanço do coronavírus, todas as apresentações foram adiadas e a renda de 25 pessoas ficou comprometida.

“A gente já estava pensando nesse tipo de financiamento há uns dois anos, mas para nos fortalecer. Então, resolvemos fazer agora, com essa pandemia, lançando recompensas e alguns tipos de produtos”, explica Beatriz. Os brindes estão sendo produzidos por pessoas ligadas ao Giramundo. Fantoches, quadros, camisetas e dedoches são alguns dos produtos.

A meta de Beatriz Apocalypse é obter R$ 80 mil até o final de julho. Segundo ela, esse dinheiro permitirá a manutenção da companhia e a remuneração dos colaboradores até outubro, quando, acredita, as apresentações serão retomadas.
“No final das contas, vai ser bom. Vamos aprender muito, são outras formas de interagir. Para a gente, o que faz muita falta é o público. Apesar de vermos as palminhas e corações (nas postagens na internet), a gente não tá junto das pessoas”, lamenta.

No início do isolamento social, o Giramundo criou lives para ensinar as crianças a fazer fantoches com materiais reciclados. Agora, com os esforços concentrados na “vaquinha”, as aulas aulas tiveram de ficar em segundo plano.

“De vez em quando, a gente ainda faz live. No próximo fim de semana, deveremos ter uma. A ‘vaquinha’ está tomando muito tempo”, explica Beatriz Apocalypse.

Fundado em 1970, em Belo Horizonte, por Álvaro Apocalypse, Tereza Veloso e Madu, o Giramundo montou mais de 40 espetáculos, com 1,5 mil bonecos em seu acervo, produzidos em BH. Atualmente, o grupo está sob a direção de Beatriz, filha de Álvaro, Ulisses Tavares e Marcos Malafaia.

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria


SOS GIRAMUNDO
Doações podem ser feitas em 
 https://abacashi.com/p/sos-giramundo

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