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Estado de Minas

Giovani Cidreira e Josyara lançam 'Estreite', o novíssimo som da Bahia

Ele nasceu em Salvador, ela é de Juazeiro. O disco dos jovens baianos revela um criativo encontro de sintetizadores e percussões com a sonoridade sertaneja


postado em 08/04/2020 04:00

Giovani Cidreira e Josyara mostram o novo som da Bahia(foto: Júlia Rodrigues/divulgação )
Giovani Cidreira e Josyara mostram o novo som da Bahia (foto: Júlia Rodrigues/divulgação )

Sintetizar a Bahia em música é tarefa que há muito tempo vem sendo exercitada por artistas baianos com uma dedicação de dar inveja a outros estados do Brasil. Dorival Caymmi, João Gilberto, Caetano Veloso e Gilberto Gil nunca economizaram versos e melodias para prestar essa homenagem, criando a forte identidade que volta e meia se manifesta em produções contemporâneas. É o caso do disco Estreite (Joia Rara), lançado no fim de março, fruto da parceria entre Giovani Cidreira e Josyara.

Embora ainda pouco expressiva no mainstream, a dupla, há muito, já deixou de ser revelação para a turminha indie. Nascido em Salvador, ele foi vocalista da banda Velotroz, estreou na carreira solo em 2014, com o EP Giovani Cidreira, e começou a chamar a atenção em 2017, com o primeiro álbum, Japanese food, seguido pelo também elogiado Mix$take (2019).

Josyara nasceu em Juazeiro, lançou o primeiro álbum, Uni versos, em 2012, e ganhou projeção seis anos depois, com o disco Mansa fúria. “A gente se conhece há muito tempo, desde que me mudei do interior para Salvador”, conta ela, confinada em São Paulo, onde mora atualmente.

“A amizade resistiu às mudanças que ocorreram na nossa vida, principalmente geográficas. Já tínhamos gravado juntos para o meu primeiro disco a música Pássaro prata, então o reencontro nesse projeto é muito especial. Aconteceu de forma natural”, completa Giovani.

Natural, mas com um empurrãozinho, Estreite faz parte do projeto Joia ao vivo, idealizado pelo DJ Zé Pedro e Marcio Debellian com o objetivo de reunir artistas de diferentes regiões e gerações. A ideia inicial era promover um encontro entre Josyara e Zé Manoel, mas o cantor, compositor e pianista não pôde aceitar o convite devido às gravações de seu terceiro álbum de estúdio. Quando o nome de Giovani surgiu na roda, Josyara não hesitou.

Muito embora não seja diretamente uma ode às origens de seus compositores, as faixas de Estreite transbordam o calor da Bahia. Isso ocorre até naquelas de toada mais lenta. Com oito canções, o disco aproxima a melancolia ressignificada em sintetizadores, típica de Giovani, do violão intenso e ornamentado por percussões, tão particular a Josyara.

Ainda sem saber que, no futuro, entrariam em estúdio, os dois flertavam profissionalmente há tempos, desde quando ele foi convidado a participar de um show dela no Rio de Janeiro. Convencida a estender a temporada na cidade por alguns dias, a dupla começou a compor. A música que dá nome ao disco, por exemplo, nasceu desse encontro, bem como Anos incríveis.

“A gente passou aqueles dias na casa do Ronaldo Bastos, completamente imersos em música. Não estávamos produzindo nada específico, saímos de lá com músicas inacabadas, algumas somente com uma frase ou só a melodia", conta Giovani. “Anos incríveis, por exemplo, que começa com a frase 'toda foda é justa quando existe o coração' nasceu nesse contexto. Foi reprovada pelo Ronaldo, mas a Josy adorou e sempre disse que gostaria de gravar. Nunca tivemos a oportunidade, até surgir o convite para este projeto”, explica Giovani.

''Quando as pessoas pensam em Bahia, logo associam a Salvador, mas nós temos vários interiores, de vários tipos, que falam de formas diferentes''

Josyara, cantora e compositora


ENCONTRO

Tecnicamente, os dois dividem meio a meio a autoria das cancões. Na prática, as vozes se encontram na maioria das faixas, com exceção de Molha e Meninas irmãs (Pt. 1). Ainda assim, é possível identificar em ambas a troca estética entre os baianos – na primeira, Josyara aparece imersa em sintetizadores; na outra, Giovani empresta seus vocais para o instrumental baseado em percussões, representando o encontro das duas novas Bahias.

“Acho que represento uma versão mais contraditória. Uso a tradição que me foi passada musicalmente, mas de uma forma diferente, sacudida”, diz Giovani. “Minha Bahia é a sertaneja, que se confunde muito com a Paraíba, principalmente no sotaque. Quando as pessoas pensam em Bahia, logo associam a Salvador, mas nós temos vários interiores, de vários tipos, que falam de formas diferentes", completa Josyara.

Sem planos de turnê para lançar o disco, a dupla se preparava para celebrar a parceria em um show no Rio de Janeiro, mas teve de adiá-lo por conta da pandemia do novo coronavírus.
(foto: Joia Rara/reprodução)
(foto: Joia Rara/reprodução)

ESTREITE
• De Giovani Cidreira e Josyara
• Joia Rara
• Disponível nas plataformas digitais

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