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Estado de Minas

Bailarina do Corpo conta como tem feito para não perder o ritmo

Confinada em casa, Dayanne Amaral privilegia exercícios musculares, mas sente falta dos treinos aeróbicos que eram parte de sua rotina na companhia de dança mineira


postado em 04/04/2020 04:00 / atualizado em 03/04/2020 21:49

Fernanda Gomes*

ão acordo cedo! Não vou correr para fazer as coisas. Já está difícil ficar dentro de casa, então tento fazer tudo no meu tempo, sem pressa”, conta a bailarina Dayanne Amaral, do Grupo Corpo, sobre sua rotina na quarentena recomendada para deter a disseminação do novo coronavírus em BH.

Acordar, tomar café, fazer exercícios, meditar, almoçar, ler livros e assistir a filmes. Esse está sendo o cronograma de atividades diário de Dayanne. “Bom, eu custei a achar uma rotina, porque é bem difícil ficar em casa. Comecei tendo aulas pela internet, mas acabei passando a fazer alguns exercícios aeróbicos na quadra do meu prédio”, conta.

“O mais difícil no Grupo Corpo é manter o ritmo, porque são muitas coisas aeróbias que a gente faz no palco”, explica Dayanne. Para tentar minimizar os efeitos da restrição de movimentos nessa fase de isolamento, a bailarina opta por fazer exercícios que aumentem sua resistência, como alongamentos e treinos musculares.

Há sete anos dançando no Grupo Corpo, Dayanne está habituada a uma rotina bem diferente da que leva agora. “Eu acordava, ia para o Corpo. Não conseguia tomar café antes. A gente fazia uma aula de ballet das 9h às 10h30; de 10h30 às 11h era o café. De 11h até 13h30 tínhamos ensaio de coreografias; 13h30 às 14h era o almoço e de 14h às 15h ensaio de novo. Aí depois disso estávamos livres para fazer o que for melhor para cada um”, descreve.

“À noite eu dava aula de dança. Gosto de ensinar, mas não é uma coisa que amo. E gosto muito de coreografar também. Mas é tudo um processo e vai nos levando para outros caminhos.” Dayanne conta que sonhava em pertencer ao Corpo, fundado em 1975, em Belo Horizonte, e hoje reconhecido internacionalmente. “Quando passei (no teste), foi realmente um sonho realizado”, diz.

Hoje perfeitamente integrada ao grupo e cada vez mais xodó do público, a bailarina diz que seu início na companhia mineira não foi fácil. “O meu primeiro ano foi bem complicado, porque eu ficava com medo de errar. Mas depois você entra no ritmo, fica tão natural e você consegue fazer tranquilamente.”

TURNÊ 
A agenda 2020 do Grupo Corpo estava movimentada, com uma turnê nacional comemorativa aos seus 45 anos prevista para este semestre e a estreia de uma coreografia feita sob encomenda do maestro Gustvo Dudamel, da Filarmônica de Los Angeles, marcada para outubro. Com a pandemia, Dayanne diz que ainda não se sabe como ficará o cronograma.

Para a bailarina essa fase tem sido “bem difícil, porque você não poder sair de casa. Por mais que o meu trabalho seja cansativo, é muito ruim não ter essa rotina”. A distância dos amigos e familiares tem sido especialmente incômoda para ela. “Acho que a incerteza é o que deixa a gente assustada. Então tento ficar tranquila.”

Em casa com o marido, o músico Filipe Ferraz, a cadela Pina e a gata Nina, Dayanne tem experimentado uma convivência familiar inédita. “Por esse lado está sendo muito bom. É uma coisa nova, porque eu trabalho durante o dia e ele, à noite. Acho que a gente está conseguindo manter uma coisa bacana.”

O casal desenvolveu o hábito de gravar vídeos com canções da MPB e postar em suas redes sociais. Além dos vídeos, eles meditam juntos e assistem a filmes. “Nós respeitamos o espaço um do outro e nos apoiamos. Às vezes eu quero fazer um vídeo, e ele filma”, diz Dayanne, que compartilha a rotina que está levando pelo Instagram (@dayanne_amaral).

* Estagiária sob a supervisão da editora Silvana Arantes












  

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