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Estado de Minas MÚSICA

A história do contrabaixo no Brasil


postado em 01/04/2020 04:00

Baixista Glauco Solter lança livro Levadas brasileiras: obra inclui dados técnicos, partituras e depoimentos de músicos (foto: Léo de Freitas/Divulgação)
Baixista Glauco Solter lança livro Levadas brasileiras: obra inclui dados técnicos, partituras e depoimentos de músicos (foto: Léo de Freitas/Divulgação)

Mostrar para as gerações futuras a obra de grandes mestres que dedicaram suas vidas ao contrabaixo e desenvolveram a linguagem desse instrumento no Brasil. Essa é proposta do baixista paranaense Glauco Solter, que está lançando o livro Levadas brasileiras (Ás Editorial). Com prefácio do trombonista carioca Raul de Souza, a obra conta a história do contrabaixo no Brasil, desde o início do século 20 até agora, passando por todos os estilos.

Solter explica que, como material adicional, acompanha o livro, um áudio explicativo que pode ser acessado através de um QR Code impresso. Ele conta que a obra é resultado de uma pesquisa sobre o instrumento, que inclui dados técnicos, partituras, depoimentos e histórias sobre dezenas de baixistas e da música brasileira.

Com 35 anos de carreira como baixista, Solter, que acompanha Raul de Souza há 15 anos, diz que sempre teve o sonho de escrever um método de baixo. “Acontece que eles são muito parecidos, abordam escalas e questões técnicas que são relevantes, mas são repetitivos. Quando comecei a escrever o livro, vi que havia uma lacuna dentro do material histórico dos representantes do baixo. Hoje ainda tem pouco material sobre isso e ainda por cima fragmentado, o que a gente conhece vem de músico antigo.”

Solter conta que depois da história de criar um método, o projeto evoluiu para um livro.  “Na verdade, queria fugir do formato catálogo e, para isso, criei um enredo para o baixo brasileiro. Resolvi fazer um produto diferente que pudesse ser um atrativo também para os leigos, para que todos pudessem conhecer a história desses instrumentistas. Tracei um fio condutor desde o começo do baixo, por volta de 1910. A primeira foto que a gente tem de um baixista popular data-se de 1914. Naquela época, o baixo disputava espaço com a tuba. Separei os baixistas mais relevantes e coloquei 80 partituras de instrumentistas diferentes.”

No vídeo que acompanha o livro, Solter toca as levadas e fala um pouco sobre elas, mostrando como foram gravadas, se em instrumento acústico ou elétrico e em quais tipos de baixo foram utilizadas, de quatro, cinco, seis, oito cordas ou fretless. “Há também reflexões sobre o mundo do baixo, alguns relatos autobiográficos e passagens que aconteceram comigo. Vou contando a história do baixo até os dias de hoje, inclusive mostrando novos nomes. É um recorte da história do baixo.”

O músico lembra que escutava muito rock quando começou a tocar baixo. “Gostava do baixista do Black Sabbath, do Iron Maiden, enfim da turma do heavy metal. Mas, antes disso, meus pais escutavam muito jazz, Beatles e MPB e eu ouvia muita música. Meu pai comprou um disco que tinha uma introdução do contrabaixista norte-americano Charles Mingus (1922-1979). Ele fazia uma introdução de baixo-solo que eu adorava. Mas confesso que não imaginava que iria ser baixista um dia. Os meus principais influenciadores foram mesmo os baixistas de rock.”

No livro, o autor relata a história de como vários baixistas começaram a tocar seu instrumento. “Engraçado que, em mais de 90%, não era intencional. O cara acaba pegando baixo por acaso, pois tocava um outro instrumento antes. O livro tem muita informação, não somente para os instrumentistas, mas também para leigos. O baixo elétrico apareceu no Brasil na época da Jovem Guarda. Até então, os baixistas brasileiros tocavam o instrumento acústico. Depois apareceram grandes baixistas, como Nenê Benvenuti (Os incríveis) e PC Barros (Renato e seus Blue Caps).”

BAIXO ELÉTRICO

Ele lembra que o aparecimento da guitarra e do baixo acústico sofreu muita resistência por parte de vários artistas. “Houve até uma passeata em julho de 1967, encabeçada por Gilberto Gil e Elis Regina. Porém, um pouco depois, a turma da Tropicália adaptou o baixo elétrico à música brasileira, como foi em outubro daquele mesmo ano, no Festival de Música Brasileira, quando tivemos pela primeira vez o baixo elétrico acompanhando a MPB.”

Naquele mesmo Festival, Gil interpretou Domingo no parque, acompanhando pelos Mutantes, com Arnaldo Batista no baixo elétrico. Já Caetano Veloso interpretou Alegria Alegria, acompanhado pela banda Beat Boys, cujo baixista era o argentino Willy Verdaguer, que mais tarde veio integrar os Secos & Molhados, de Ney Matogrosso.

Nascido em Cascavel, Solter também faz parte dos grupos Mano a Mano Trio, Duo Bandolaxo e Projeto Cataia, este último com o multi-instrumentista paulista Arismar do Espírito Santo. Ele já gravou quatro CDs autorais.
(foto: Ás Editorial/DIVULGAÇÃO)
(foto: Ás Editorial/DIVULGAÇÃO)

LEVADAS BRASILEIRAS
• Ás Editorial
• 216 páginas
• R$ 39,90
• www.amazon.com.br

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