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Estado de Minas

Acusado de assédio, Plácido Domingo se desculpa com mulheres

Tenor espanhol, que negava acusações, disse ter 'refletido' sobre o assunto, pouco antes de sociedade musical revelar resultado de investigação


postado em 26/02/2020 04:00 / atualizado em 25/02/2020 19:47

Tenor espanhol, que negava acusações de assédio, divulgou nota se desculpando, pouco antes de sociedade musical revelar resultado de investigação (foto: Attila KISBENEDEK /AFP)
Tenor espanhol, que negava acusações de assédio, divulgou nota se desculpando, pouco antes de sociedade musical revelar resultado de investigação (foto: Attila KISBENEDEK /AFP)
O tenor espanhol Plácido Domingo, acusado por várias mulheres nos últimos meses de assédio sexual, afirmou nessa terça-feira (25) que lamenta o sofrimento causado e que assume “toda a responsabilidade” por seus atos.

“Quero que saibam que sinto muito pelo sofrimento que causei a vocês”, disse o cantor, de 79 anos, em um comunicado enviado por seus representantes e divulgado na Espanha pela agência Europa Press.

A declaração representa uma guinada de 180 graus na postura do tenor, que até agora havia negado com veemência as acusações.

O comunicado foi divulgado poucas horas antes de a Associação Americana de Artistas Musicais (AGMA) publicar as conclusões de sua própria investigação, anunciada em setembro do ano passado.

Nas conclusões, a AGMA aforma que Plácido Domingo teve um “comportamento inapropriado, do flerte até propostas sexuais, dentro e fora de seu local de trabalho”.

“Muitas testemunhas expressaram medo de represálias profissionais como razão para não falar antes”, indica a associação, antes de afirmar que seus administradores “aceitaram as conclusões do relatório e tomarão as ações correspondentes”, sem revelar detalhes sobre as medidas.

“Assumo toda a responsabilidade de minhas ações”, completa o cantor no texto, no qual afirma que entende que “algumas mulheres podem ter medo de se expressar abertamente, pelo temor de que suas carreiras sejam afetadas”.

ACUSAÇÕES 
Domingo, que em sua longa e prolífica carreira atuou nas óperas mais prestigiosas do mundo e venceu 12 prêmios Grammy, foi acusado por pelo menos 20 mulheres de beijá-las à força, agarrá-las ou acariciá-las, em incidentes que aconteceram, em alguns casos, há 30 anos.

Várias mulheres afirmaram que sofreram pressão do cantor para que tivessem relações sexuais com ele e que, às vezes, ele adotava represálias profissionais quando suas insinuações eram rejeitadas.

O tenor assegura que passou meses “refletindo sobre as acusações que várias colegas apresentaram” contra ele, e acrescenta: “Respeito que estas mulheres finalmente se sentiram à vontade para falar”.

O cantor também indica que está “comprometido em promover uma mudança positiva na indústria da ópera, para que ninguém mais tenha que passar por uma experiência assim”. Ele disse ter “o desejo fervoroso” de que o mundo da ópera seja mais “seguro” para todos e que seu exemplo “estimule outros”.

O comunicado foi publicado poucas horas depois de um júri em Nova York declarar o ex-produtor de cinema Harvey Weinstein culpado de abuso sexual e estupro.

Após as acusações a Plácido Domingo, ele abandonou, em outubro passado, a direção da Ópera de Los Angeles, cargo que ocupava desde 2003.

Também desistiu de se apresentar na Metropolitan Opera de Nova York. A Orquestra da Filadélfia e a Ópera de San Francisco cancelaram suas apresentações previstas para a temporada, assim como a Ópera de Dallas cancelou um concerto programado para março.

O espanhol, no entanto, seguiu com suas apresentações em vários países da Europa nos últimos meses. E nos próximos tem concertos programados para Hamburgo, Moscou, Madri, Viena, Verona ou Londres.  


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