Publicidade

Estado de Minas

Confira opções para ficar longe da folia e vestir a fantasia literária

Entre as novidades nas livrarias estão volumes sobre Harvey Weinstein e Donald Trump e o novo livro de Ian McEwan


postado em 22/02/2020 08:45 / atualizado em 22/02/2020 09:14

(foto: Fotos: Reprodução)
(foto: Fotos: Reprodução)

Quer aproveitar o carnaval para colocar a leitura em dia? Confira a seguir uma seleção dos lançamentos mais fresquinhos do mercado editorial para você aproveitar o feriado mergulhado em bons livros. As opções são as mais variadas. A ficção surreal de Ian McEwan, o projeto de poder de Donald Trump, os bastidores das reportagens investigativas que revelaram a prática de abuso de poder e sexual por parte do produtor Harvey Weinstein e os detalhes mais curiosos sobre o funcionamento do corpo estão nos lançamentos que acabam de desembarcar nas estantes das livrarias.

SÓ KAFKA EXPLICA

Antes de dar início à narrativa, Ian McEwan avisa que A barata é um conto longo e que qualquer semelhança com baratas, vivas ou mortas, é mera coincidência. Na história de McEwan, o inseto Jim Sams, certo dia, desperta na pele do primeiro-ministro da Grã-Bretanha com a missão de aprovar a Lei do Reversalismo. Uma exigência do povo, a tal lei institui que, a partir de sua aprovação, os súditos da coroa pagarão para trabalhar e serão pagos para consumir. É tudo bastante surreal em A barata, confessamente inspirado em A metamorfose, de Franz Kafka, e explicitamente influenciado pelo Brexit. “A barata foi concebido naquele ponto do caminho em que o desespero se encontra com o riso. Muitas pessoas se perguntam se o processo do Brexit extrapolou a sátira. Que romancista perverso seria capaz de imaginá-lo? Ele é, em si mesmo, uma tortuosa autossátira. Talvez só nos reste a zombaria, a tristonha consolação do riso”’, avisa o autor no posfácio do conto.

A barata
• Ian McEwan
• Tradução: Jório Dauster
• Companhia das Letras (104 págs.)
• R$ 39,90

O LADO SOMBRIO DE HOLLYWOOD

Ronan Farrow começou a investigar os casos de assédio do produtor de cinema Harvey Weinstein para a rede de televisão NBC, mas, depois de dezenas de entrevistas com vítimas e testemunhas, viu o material vetado. Ofereceu, então, as reportagens à revista The New Yorker e acabou publicando a série que ajudou a desmascarar um dos maiores predadores sexuais de Hollywood. A reportagem saiu alguns dias depois de outra matéria, escrita pelas jornalistas Jodi Kantor e Mega Twohey para o jornal The New York Times, mas causou igual impacto. No ano passado, Farrow, ganhador do prêmio Pulitzer, transformou o material no livro Operação abafa – Predadores sexuais e a indústria do silêncio, que chega ao Brasil em tradução da editora Todavia. No livro, o autor aprofunda a reportagem, conta detalhes de bastidores da apuração, explica como foi a rejeição ao material por parte da NBC e explica como acabou seguido, investigado e ameaçado por poderosos interessados em evitar a publicação das matérias. Farrow é filho de Mia Farrow e Woody Allen. Sua vida privada é alvo da imprensa sensacionalista há décadas, já que os pais travaram uma batalha midiática por sua guarda nos anos 1990, quando se separaram. Além disso, ele mesmo veio a público defender a irmã Dylan, que afirma ter sido molestada pelo pai quando tinha 7 anos de idade. Operação abafa é quase uma vingança de Ronan Farrow, pois Harvey Weinstein foi o produtor responsável por reabilitar e financiar Woody Allen num momento em que estava alijado pelas acusações e quase falido.

Operação abafa – Predadores sexuais e a indústria do silêncio
• Ronan Farrow
• Tradução: Ana Ban, Fernanda Abreu e Juliuana Cunha
• Todavia (462 págs.)
• R$ 59,90

TODA A ANNE FRANK

A vida de Anne Frank (1929-1945) foi curta, assim como sua produção literária, mas esse conjunto acabou por se tornar um símbolo muito maior quando se trata da tragédia pela qual passaram os judeus durante a Segunda Guerra. Alguns dos escritos de Anne, que registrou a vida no diário escrito em um esconderijo no qual morou com a família para escapar dos nazistas, ganharam várias edições, mas nunca haviam sido reunidos em um único livro. Com Obra reunida – Anne Frank, a Record, única editora autorizada pela Fundação Anne Frank a publicar o livro, traz uma compilação do que já foi publicado, mas também de textos inéditos. Obra reunida tem as três versões existentes de O diário de Anne Frank: a original, uma modificada pela própria autora e outra editada pelo pai, Otto Frank, e publicada em 1947. Das versões originais, Otto excluiu partes em que a filha escrevia sobre a descoberta da sexualidade. Também fazem parte desse volume A vida de Cady, início de um romance que a autora pretendia escrever, assim como Contos e acontecimentos do anexo, no qual narra alguns episódios da vida no anexo, como era chamado o esconderijo, em forma de contos.

No volume de 974 páginas, editado em capa dura, entraram ainda o Livro das belas citações, trechos de um caderninho no qual Anne anotava frases e trechos de livros. A primeira edição desse caderno foi publicada em 2004, enquanto O livro de Egito é inédito. Em outro caderninho, Anne gostava de copiar trechos da coleção Arte em cena mesclados com suas próprias observações. Ela se interessava por mitologia e história antiga e esses temas ajudam a compreender um pouco mais a personalidade da menina. Obra reunida traz ainda ensaios e outros textos sobre a história de Anne Frank e do diário assinados por especialistas e historiadores.


Obra reunida – Anne Frank
• Anne Frank
• Tradução: Cristiano Zwiesele do Amaral
• Record (976 págs.)
• R$ 149,90

O CORPO EM DETALHES

Qual a função da pele? Por que os milhões de bactérias da flora intestinal são importantes para a sobrevivência humana? Como conversam o sangue e coração? O que é medicina boa e medicina ruim? E o sistema imune, como funciona? Por que nervos e dor são tão dependentes? E o equilíbrio, qual o papel dele na existência? Quando Bill Bryson resolve investigar um tema, o leitor pode esperar uma narrativa saborosa e detalhada sobre um universo destrinchado em partes. Assim como já havia feito no livro Em casa – Uma breve história da vida doméstica, ele toma agora o corpo humano para narrar seu funcionamento de maneira acessível a qualquer leitor. Corpo – Um guia para usuários é daqueles livros cujos capítulos não precisam ser lidos em sequência e podem tanto ser uma distração cheia de curiosidades quanto uma fonte de conhecimento confiável e consistente.

CORPO – UM GUIA PARA USUÁRIOS
• Bill Bryson
• Tradução: Cássio de Arantes Leite
• Companhia das Letras (426 págs.)
• R$ 79,90

TRUMP E A DEMOCRACIA

Donald Trump se tornou fonte inesgotável para jornalistas e analistas políticos. Desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos, em 2017, pelo menos quatro bons livros foram publicados sobre a maneira como lida com o cargo. Um gênio muito estável – A ameaça de Trump à democracia, dos jornalistas Philip Rucker e Carol Leonnig, é o mais recente. “Fazer a cobertura jornalística da presidência de Donald Trump tem sido uma jornada vertiginosa”, avisa a dupla. O título do livro vem de uma citação do próprio presidente americano, que afirma ser um gênio muito estável. Assim como Medo: Trump na Casa Branca, lançado no ano passado pelo jornalista Bob Woodward, e A warning, escrito por um autor anônimo e que descreve o presidente como “uma criança de 12 anos em uma torre de controle de tráfego aéreo”, Um gênio muito estável analisa a personalidade de Trump como individualista e egoísta, capaz de gerar o caos para se proteger e se autopromover. Leonnig e Rucker, no entanto, vão além, ao defender que há um significado e uma estratégia na desordem provocada pelo presidente norte-americano. Fruto de três anos de pesquisa e de entrevistas com pessoas que trabalham ou trabalharam na Casa Branca, Um gênio muito estável segue uma sequência cronológica de fatos na tentativa de “revelar Trump da maneira mais nua e crua possível e desmascarar como o modo como a tomada de decisões em seu governo tem sido norteada pela lógica egoísta e irrefletida de um homem”.

Um gênio muito estável – A ameaça de Donald Trump à democracia
• Philip Rucker e Carol Leonnig
• Tradução: Denise Bottmann, Cássio de Arantes Leite, Leonardo Alves e Renato Marques
• Objetiva (480 págs.)
• R$ 74,90


Publicidade