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Estado de Minas

Adversários do filme de Petra Costa comemoram sua derrota no Oscar

'Democracia em vertigem', que trata da turbulência política no Brasil, perdeu a estatueta para longa sobre mercado de trabalho produzido pelo casal Obama


postado em 11/02/2020 04:00

A diretora Petra Costa usou vermelho na cerimônia de entrega das estatuetas, no domingo (foto: Twitter/reprodução)
A diretora Petra Costa usou vermelho na cerimônia de entrega das estatuetas, no domingo (foto: Twitter/reprodução)

Na corrida pela estatueta de melhor documentário, Democracia em vertigem, da diretora mineira Petra Costa, tinha uma concorrência muito qualificada, mas as esperanças do primeiro Oscar para o cinema brasileiro existiam. Tão logo foi anunciada a vitória de Indústria americana, dos norte-americanos Julia Reichert e Steven Bognar, as redes sociais reagiram enfaticamente à derrota brasileira, como era de se esperar no caso de um filme que trata da tumultuada história recente da política no país.

O longa já vinha sendo alvo de críticas e ataques, crescentes à medida que se aproximava do Oscar. Sua derrota foi celebrada por internautas e políticos de direita, que desaprovam a narrativa de Petra a respeito do impeachment de Dilma Rousseff, a prisão de Lula e a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) postou no Twitter: “O ‘documentário’ #DemocraciaEmVertigemFakeNews despencou! Junto com a credibilidade da turma da lacração. #PetraCostaLiar Foi superado sim: pela verdade. Ainda há bom senso na Academia. Vitória da verdade! Vitória para o Brasil!”. Na manhã de segunda-feira (10), voltou a se manifestar, dizendo que “o PT continua sem nobel e sem Oscar”.

Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente, também usou a ironia para tratar do tema. “Quer dizer que a farsa em forma de documentário Democracia em vertigem perdeu o Oscar? Poxa, que tristeza”, escreveu.

BOLHA 

Por outro lado, os fãs do longa seguiram comemorando a visibilidade que ele ganhou com o Oscar e não consideraram um fiasco o fato de a diretora ter deixado o Teatro Dolby sem a estatueta. A chegada de Petra Costa ao local, usando um vestido vermelho, já havia agitado defensores e detratores de seu filme.

Guilherme Boulos, candidato derrotado à Presidência da República pelo Psol em 2018, tuitou logo antes da cerimônia: “Hoje, Petra Costa e o Democracia em vertigem representam o Brasil no Oscar. Mais do que isso: representam o lado certo da história”. Logo depois da vitória de Indústria americana, ele comentou: “A bolha da direita no Twitter lembra uma frase de Tom Jobim: ‘No Brasil, sucesso é ofensa pessoal...’ Parabéns, Petra e toda a equipe de Democracia em vertigem!”.

Manuela D’Ávila (PCdoB), candidata à vice-presidência na chapa de Fernando Haddad (PT), também elogiou a diretora: “Parte da história do Brasil no tapete vermelho. Você já entrou pra nossa história. Viva o cinema nacional! Viva a mulherada que faz cinema!!!!”.

Em seguida, ela compartilhou postagem do diretor Kleber Mendonça Filho, cujo longa Bacurau foi preterido pelo Brasil como seu representante no Oscar de melhor filme internacional – o Brasil inscreveu A vida invisível, de Karim Aïnouz, que não conseguiu uma vaga. “No caso de Oscar hoje p/ a brasileira Petra Costa, o filme é um orgulho para o registro histórico com ponto de vista na história brasileira. No caso de o Oscar não vir, o filme é um orgulho p/ o registro histórico com ponto de vista na história brasileira”, escreveu o cineasta pernambucano.

Muito ativa no Twitter, Petra Costa usou a rede social antes e durante a cerimônia. Ela compartilhou uma cena inédita do documentário, com um recado para Bolsonaro. “Em 2016, Bolsonaro disse que cortaria fundos para as artes, já que os filmes brasileiros nunca chegam ao Oscar. Aqui está meu presente para o presidente do Brasil”, comentou.

Num outro tuíte, ela referendou a afirmação feita pela cineasta vencedora Julia Reichert em seu discurso de agradecimento de que “as coisas vão melhorar quando os trabalhadores do mundo se unirem”. Indústria americana foi produzido por Michelle e Barack Obama. É o primeiro título lançado pelo selo Higher Ground, fundado pelo casal em 2018. Eles estabeleceram parceria com a Netflix. O longa está disponível na plataforma. O ex-presidente democrata festejou a vitória em seu Twitter. “Parabéns a Julia e Steven, cineastas por trás de Indústria americana, por contar uma história tão complexa sobre as consequências mais humanas das dolorosas mudanças econômicas. Fico feliz em ver duas pessoas boas e talentosas levarem para casa o Oscar de primeiro lançamento do Higher Ground”, escreveu.



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