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Estado de Minas

Com temas sobre sexo e família, comédias são sucesso de público

Espetáculos estão em cartaz na 46ª Campanha de Popularização Teatro & Dança. Saiba a programação das peças na capital


postado em 13/01/2020 04:00 / atualizado em 12/01/2020 21:28

Em Manda quem pode, obedece quem é marido, atores costumam contar com a participação da plateia, que se vê retratada no palco(foto: Bianca Tocafundo/Divulgação)
Em Manda quem pode, obedece quem é marido, atores costumam contar com a participação da plateia, que se vê retratada no palco (foto: Bianca Tocafundo/Divulgação)

"Todo mundo tem família, tem mãe, um relacionamento amoroso e, por isso, atinge a grande massa. Só que abordam essas questões por um viés mais leve, cômico"

Paulo Moraes, ator e dramaturgo

Falar de família, sobretudo de mãe, de relacionamento e de sexo garante boas risadas. Pelo menos é o que a 46ª Campanha de Popularização Teatro & Dança está mostrando. A maioria das comédias em cartaz – aliás, o filão mais procurado do festival – tem focado nesses temas. Para o ator, diretor e dramaturgo Paulo Moraes, os espetáculos acabam sendo mais populares por conta da identificação. “São temas que estão na vida de qualquer pessoa. Todo mundo tem família, tem mãe, um relacionamento amoroso e, por isso, atinge a grande massa. Só que abordam essas questões por um viés mais leve, cômico”, ressalta.

Paulo está em cartaz com duas peças que falam de casais – no elenco de Casal TPM e em Manda quem pode, obedece quem é marido, onde também é o autor. A primeira surgiu na programação da campanha pela primeira vez no ano passado e foi um sucesso, enquanto a segunda foi o espetáculo estreante de maior público na campanha de 2017. Paulo comenta que as produções costumam contar com a participação dos espectadores, o que traz ainda mais proximidade com a plateia. “Você vê pela reação do público como todo mundo já passou por algumas das situações que a gente está retratando ali. Não tem jeito. Relacionamento é um tema universal”, defende.

Se casamento é uma temática em alta, o mesmo pode-se dizer do sexo. Edgar Quintanilha, ator, autor e cenógrafo de Sexo – A ideia fixa da humanidade, decidiu fazer a montagem para tentar desmistificar os preconceitos por trás desse assunto, que faz parte da história da humanidade desde os primórdios. Aliás, o espetáculo mostra de uma forma engraçada como o sexo mudou ao longo do tempo. Edgar interpreta seis personagens que passam pela pré-história, Idade Média, Grécia Antiga até chegar aos dias atuais. “O sexo ainda é um tabu, por incrível que pareça, mas as pessoas querem saber, querem falar sobre isso. A comédia é uma maneira de trazer conhecimento de um jeito mais jocoso, na brincadeira, mas de uma forma respeitosa”, conta.

A peça estreou na campanha de 2018 e teve ótima repercussão de público e crítica. E mais do que isso: gerou até um filho. O ator costuma distribuir para algumas pessoas da plateia cortesias de um motel. Meses após uma das apresentações, ele recebeu mensagem de uma mulher dizendo que o espetáculo foi o melhor que ela assistiu na vida. “Achei que era até exagero (risos), mas ela me contou que, após a peça, pegou a cortesia, foi ao motel e acabou engravidando. E hoje ela tem uma menina que é literalmente fruto de Sexo – A ideia fixa da humanidade”, celebra

ESPÍRITO 

Edgar Quintanilha em Sexo - A ideia fixa da humanidade: peça foi bem-aceita por público e crítica e
Edgar Quintanilha em Sexo - A ideia fixa da humanidade: peça foi bem-aceita por público e crítica e "gerou" até um filho (foto: Maria Clara lacerda/divulgação)
Maurício Canguçu, que ao lado de Ilvio Amaral é responsável pelo maior sucesso da história da Campanha de Popularização, a peça Acredite, um espírito baixou em mim, está por trás também de Guia prático de como educar sua mãe, espetáculo em que é diretor ao lado de Ilvio. Sabe aquela mãe que manda você sair de guarda-chuva porque vai chover e chove? Aquela que não larga do seu pé? Essa é a Dona Jandira, mãe de Carlos Eduardo. No espetáculo, a dupla mostrará por que mãe é tudo igual e que filho também é tudo igual. Só muda de endereço.

O período em que foi morar com a irmã e os sobrinhos inspirou MaurÍcio a criar vários esquetes. “Quando ela (a irmã) foi assistir, tomou um susto (risos). E me disse: 'Uai, você fez uma história baseada em mim?'. E o mais curioso é que minha outra irmã e outras mães acharam a mesma coisa. A gente acaba colocando uma lente de aumento nas situações que presenciamos, mas a essência está ali”, analisa o artista, que também dirigiu uma outra peça que tem a figura materna como protagonista, Minha mãe é uma comédia.

O ator, que é o atual coordenador da Funarte MG, ressalta a importância da comunicação imediata numa produção teatral e acredita que isso faz com que assuntos como família e casamento deem tanto pano pra manga. Por outro lado, acredita que temáticas como política não andam tendo tanta adesão ultimamente. “Até por conta desse momento belicoso, da temperatura elevada que estamos vendo nessa seara. Está bem complicado falar de política nas peças porque as pessoas podem interpretar mal. Se eu faço uma piada com um partido x, acham que sou a favor do partido y, e vice-versa. É melhor nem tocar no assunto. Não vale a pena”, opina.

LGBT 

"Até por conta desse momento belicoso, da temperatura elevada que estamos vendo nessa seara. Está bem complicado falar de política nas peças porque as pessoas podem interpretar mal"

Maurício Canguçu, ator e coordenador da Funarte MG

Gays, drags e travestis sempre tiveram presentes nas comédias. O próprio Acredite, um espírito baixou em mim – que narra a história de um homossexual assumido que, inconformado com a própria morte, foge do céu para viver novas experiências e acaba criando uma grande confusão após incorporar num machista radical – é um exemplo. No entanto, Canguçu acredita que essa temática já foi bem explorada. “É a peça mais vista da história da Campanha, mas acho que seu sucesso vai além dessa questão LGTB. É um texto tão simples e que mesmo quem já viu várias vezes costuma morrer de rir. Até brinco que é um fenômeno que ainda tem que ser estudado”, comenta.

A onda do politicamente correto também pode explicar o foco em outros temas. “Ninguém quer se indispor com ninguém e a patrulha está grande. Teve uma época em que a gente tinha umas nove, 10 peças só falando disso. É aquela coisa que deu certo e todo mundo corre atrás. Mas acho que houve um desgaste, já chuparam a laranja até o bagaço e as pessoas, sejam os produtores e o público, querem novidades”, expõe.

Outro sinônimo de sucesso de bilheteria é Carlos Nunes, que na campanha de 2019 voltou com um dos seus primeiros espetáculos e que há muito tempo não era encenado, Pérolas do Tejo, comédia que ficou em cartaz neste fim de semana no Teatro Santo Agosti- nho. Na peça, ele narra histórias pessoais e, sobretudo, de sua família, como a avó portuguesa – daí o nome Tejo – além de suas tias Carmelita, Neneca e Piquitita, seu tio Juvenal, sua irmã e seu primo Antônio Júnior. “Todo mundo tem uma tia rezadeira, um primo aborrecido, um outro parente que é o fofoqueiro. As pessoas se identificam de imediato e querem levar a família toda ao teatro”, observa.

Para o humorista – que também está em cartaz com o besteirol Aperte o play e … só ria, ao lado de Kayete, mais do que gerar identificação, o importante é divertir o público. “Se a gente conseguir fazer rir, já está maravilhoso. E se além disso conseguir passar uma mensagem de fé e otimismo, melhor ainda”, frisa.

PROGRAME-SE

ACREDITE, UM ESPÍRITO BAIXOU EM MIM
>>  Teatro Estação Cultural 
Até 10/2 – Segunda: 20h
>>  Cine Theatro Brasil Vallourec 
(Grande Teatro)
Até 26/1 – Sexta e sábado: 21h. Domingo: 19h
>>  Centro Cultural Sesiminas (Grande Teatro)
de 31/1 a 16/2 – Sexta e sábado: 21h.  Domingo: 19h

(foto: Ativa Fotografia e Filme /Divulgação)
(foto: Ativa Fotografia e Filme /Divulgação)
APERTE O PLAY E SÓ... RIA
>>  Cine Theatro Brasil Vallourec (Grande Teatro) – 13/2 Quinta: 21h

CASAL TPM
>>  Sesc Palladium (Grande Teatro) – 25/1 e 15/2 – Sábado: 19h
>>  Teatro Estação Cultural – 8/2 – Sábado: 19h
(foto: C13 PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃO)
(foto: C13 PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃO)

GUIA PRÁTICO DE COMO EDUCAR SUA MÃE
>>  Centro Cultural Sesiminas 
(Teatro de Bolso)
Até 2/2 – Sexta e sábado: 21h  – Domingo: 19h
>>  Teatro Francisco Nunes 
13, 14 e 16/2  – Quinta e sexta: 20h. 
Domingo: 19h

MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM É MARIDO
>>  Sesc Palladium (Grande Teatro) 
25 e 26/1, 15 e 16/2 – Sábado: 21h. 
Domingo: 19h
>>  Teatro Estação Cultural 
7 a 9/2 – Sexta e sábado: 21h. Domingo: 19h

MINHA MÃE É UMA COMÉDIA
>>  Palácio das Artes (Grande Teatro)
30/1 – Quinta: 21h

SEXO – A IDEIA FIXA DA HUMANIDADE
>>  Teatro Francisco Nunes 
31/1 – Sexta: 20h


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