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Estado de Minas

Maria Bethânia lança disco para reverenciar a Mangueira

Em 'A menina dos meus olhos', a cantora reúne clássicos da Estação Primeira e sambas levados recentemente à avenida. Em 2019, a escola foi campeã com sua homenagem à estrela baiana


postado em 30/12/2019 04:00 / atualizado em 30/12/2019 08:33

(foto: Jorge Bispo/divulgação)
(foto: Jorge Bispo/divulgação)


A relação de Maria Bethânia com a Mangueira é antiga. Ela já vestia as cores da Estação Primeira quando, em 1994, desfilou pela Marquês de Sapucaí com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, embalada pelo enredo “Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu”, que deu à escola o título de campeã.
 
Em 2019, a Mangueira fez mais pela Abelha Rainha, ao reverenciá-la com o samba-enredo Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá, composto por Alemão do Cavaco, Almyr, Cadu, Lacyr D’Mangueira, Paulinho Bandolim e Renan Brandão. Outra vez, a sintonia entre a cantora e a escola foi total e determinante para a conquista de mais um campeonato.
 
Antes do carnaval, a Mangueira promove um show para arrecadar recursos destinados ao desfile. Desde sempre, Bethânia é uma das atrações, dividindo o palco do Vivo Rio com Chico Buarque, Alcione e outros destacados mangueirenses.
 

Quando fiz o disco para agradecer à Mangueira a homenagem que me prestou e à vitória que conquistamos juntas, pensei em trazer aquele som de Santo Amaro

Maria Bethânia, cantora

 
 
Agora chegou a vez de a cantora retribuir todo o carinho que a escola lhe tem dispensado, ao lançar o álbum A menina dos meus olhos (Biscoito Fino). As gravações ocorreram em Salvador e no Rio de Janeiro, com direção musical do maestro Letieres Leite, criador da Orkestra Rumpilezz. Ele exerce a mesma função no show Claros breus, com o qual a estrela tem percorrido o país.
“Quando fiz o disco para agradecer à Mangueira a homenagem que me prestou e à vitória que conquistamos juntas, pensei em trazer aquele som de Santo Amaro. Queria fazer uma coisa que fosse samba do Rio de Janeiro, o samba da Mangueira, com seu estilo, sua sofisticação, mas que trouxesse toda a memória musical de Santo Amaro, infantil, comovida da minha infância”, explica Bethânia. “Então, convidei o Letieres Leite, que é baiano, mas que é um músico do mundo.”

CAETANO Ao trazer para o disco a sonoridade característica de Santo Amaro da Purificação – o samba de roda –, Bethânia se alia ao irmão Caetano Veloso, que no show e no álbum Prenda minha, de 1997, cantou Onde o Rio é mais baiano. Tudo a ver. Não por acaso, Caetano, outro mangueirense apaixonado, interpreta (com o filho Moreno) uma das faixas do disco, A menina dos olhos de Oyá.
Nessa ode à verde e rosa, Bethânia solta a voz – e que voz! – em Mangueira, do santo-amarense Assis Valente e Zequinha Reis, e em Mangueira é lá no céu (Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho). A intérprete se coloca por inteiro ao recriar magistralmente os clássicos A flor e o espinho e Luz negra, do mangueirense Nelson Sargento. Também brilha em Sei lá Mangueira (Paulinho da Vila e Hermínio Belo de Carvalho), assim como no trecho do aclamado Histórias pra ninar gente grande, que levou a escola ao título deste ano.
 
Diretor de Fevereiros, documentário em homenagem à baiana que mostra a construção do carnaval da Mangueira e também o ambiente familiar e religioso da cantora em Santo Amaro, o cineasta Márcio Debellian define: “Menina dos meus olhos é a continuação dessa história, amor retribuído. A Bahia e o Rio entrelaçados na voz de Bethânia e nos arranjos primorosos de Letieres Leite.”
 
   Paralelamente a seu projeto mangueirense, a cantora baiana apresenta a turnê Claros breus, show que estreou em julho, no Clube Manouche, no Rio de Janeiro. A temporada já passou por Portugal (Lisboa e Porto), Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Em março, será a vez da capital paulista.
 
No roteiro de Claros breus estão clássicos da carreira dela – Drama (Caetano Veloso), Olhos nos olhos e Rosa dos ventos (Chico Buarque), Grito de alerta e Sangrando (Gonzaguinha) e Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos) –, além das novidades A flor encarnada (Adriana Calcanhotto), Águia nordestina (Chico César) e Música, música (Roque Ferreira). Há ainda o samba-enredo História pra ninar gente grande, com o qual a Mangueira venceu o carnaval de 2019. Entremeando as canções, Bethânia interpreta poemas de Mário de Andrade, Ferreira Gullar e José Craveirinha.
 
 
A MENINA DOS MEUS OLHOS
De Maria Bethânia
Quitanda/Biscoito Fino
9 faixas
Preço sugerido: R$ 38
Disponível nas plataformas digitais  
 
 


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