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Estado de Minas

Mostra de São Paulo dribla dificuldades e vai exibir 304 filmes

Sem patrocínio da Petrobras e enfrentando corte de orçamento, festival internacional reunirá obras de 45 países. 'É um ato de resistência', afirma Renata de Almeida, diretora do evento


postado em 07/10/2019 06:00 / atualizado em 07/10/2019 10:15

Wasp network, com Wagner Moura e Penelope Cruz, abre a mostra em 17 de outubro(foto: Ronin Novoa Wong/divulgação )
Wasp network, com Wagner Moura e Penelope Cruz, abre a mostra em 17 de outubro (foto: Ronin Novoa Wong/divulgação )

Apesar de ter perdido seu maior patrocinador, a Petrobras, depois de cerca de 20 anos de parceria, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo vai oferecer programação de peso, com convidados e filmes que retratam o melhor da produção audiovisual contemporânea mundial. A 43ª edição do festival será realizada de 17 a 30 de outubro em 27 locais, entre cinemas, espaços culturais e museus espalhados pela capital paulista. A agenda terá também sessões gratuitas ao ar livre. São 304 filmes da Alemanha, Argentina, Argélia, Austrália, Bélgica, Canadá, China, Colômbia, Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Holanda, Índia, Itália, Irã, Israel, Japão, Portugal, Reino Unido e Rússia, além, claro, do Brasil.
 
O investimento soma R$ 4 milhões, entre patrocínios, apoios e colaborações, inclusive por meio da Lei Rouanet. “Devido ao corte de orçamento, até pra gente foi surpreendente fazer uma mostra desse tamanho e com títulos tão importantes”, afirma Renata de Almeida, diretora do festival. Foi a edição mais trabalhosa, desgastante e cansativa de todas, comenta. “Nunca tive dúvidas de que a Mostra fosse acontecer, mesmo menor. Afinal, são 43 anos. Querendo ou não, a gente construiu relações importantes ao longo desse período. Contamos com vários parceiros.”
 
“Fazer uma mostra de cinema no país nos dias de hoje é, sim, um ato de resistência. Mas é resistir contra o ódio, tentando sempre o diálogo, a gentileza e a solidariedade”, afirma Renata.
 
Abertura e encerramento contarão com produções internacionais, mas com toque brasileiro. Wasp network, novo filme do diretor e roteirista francês Olivier Assayas, produzido pelo carioca Rodrigo Teixeira, abrirá o evento em sessão para convidados no Auditório Ibirapuera. Adaptação do livro Os últimos soldados da Guerra Fria, do escritor mineiro Fernando Morais, o longa foi exibido no Festival de Veneza e tem no elenco Wagner Moura, Edgar Ramírez e Leonardo Sbaraglia, que participarão da Mostra, assim como o diretor. Assayas vai receber o Prêmio Leon Cakoff. Retrospectiva com 15 títulos dele reunirá os filmes Depois de maio, Horas de verão e Vidas duplas.
 
Anthony Hopkins e Jonathan Price em Dois papas, longa de Fernando Meirelles que fecha o festival(foto: Tiff/divulgação)
Anthony Hopkins e Jonathan Price em Dois papas, longa de Fernando Meirelles que fecha o festival (foto: Tiff/divulgação)
 

PAPAS Dois papas, o novo longa do diretor Fernando Meirelles, protagonizado por Jonathan Pryce e Anthony Hopkins, vai fechar a Mostra. Bento XVI e Francisco discutem os rumos da Igreja Católica neste filme que fez parte da seleção oficial dos festivais de Toronto, no Canadá, e de Telluride, nos EUA.
 
Meirelles ainda produziu A grande muralha verde, dirigido por Jared P. Scott, que também integra a programação paulista. Protagonizado pela cantora malinesa Inna Modja, o documentário mostra o imenso “muro” de árvores erguido na África para conter a desertificação e preservar o meio ambiente.
“A gente queria produções que mesmo não sendo necessariamente nacionais, tivessem o DNA brasileiro. Esses filmes já estão fazendo muito burburinho lá fora”, revela Renata de Almeida.
 
BARULHO O Brasil será um capítulo à parte na Mostra de São Paulo. Cerca de 90 filmes da agenda são produções ou coproduções nacionais. Muitos, aliás, têm brilhado em festivais internacionais. É o caso de Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou, primeira incursão da atriz Bárbara Paz na direção, que levou o troféu de melhor documentário no Festival de Veneza; O juízo, suspense sobrenatural de Andrucha Waddington, e A vida invisível, de Karim Aïnouz, premiado na mostra Um certo olhar, no Festival de Cannes.
 
“O juízo e A vida invisível contam com a Fernanda Montenegro no elenco, que estará presente na Mostra. Não deixa também de ser uma homenagem a ela, que comemora seus 90 anos em 16 de outubro”, pontua Renata.
 
O público verá também Sinônimo, do israelense Nadav Lapid, que levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, e Parasita, do sul-coreano Bong Joon-ho, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Outro destaque premiado em Cannes é O farol, estrelado por Robert Pattinson e Willem Dafoe, produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira.
 
Robert Eggers, diretor de O farol, vai dar masterclass em São Paulo. Também virá ao Brasil o cineasta israelense Amos Gitai, que receberá o Prêmio Leon Cakoff. Sessões especiais exibirão dois longas dele: Berlim-Jerusalém, que completa 30 anos, e Kadosh – Laços sagrados (2000).
O crítico de cinema Rubens Ewald Filho, que morreu em junho, será lembrado com a exibição de O mágico de Oz, que está completando 80 anos em 2019 e era um dos filmes preferidos dele.
 

Festival do Rio corre risco

 
Enquanto organizadores da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo anunciam a 43ª edição do evento, o 21º Festival do Rio, marcado para 7 a 17 de novembro, pode não ocorrer por falta de patrocinadores.
 
Os organizadores decidiram adotar o sistema de crowdfunding – a “vaquinha” virtual – para levantar recursos para o evento carioca. A campanha, no site Benfeitoria, tem o objetivo de alcançar três metas: R$ 500 mil, R$ 800 mil e R$ 1,2 milhão. Nenhuma delas cobre o custo total. Em 2018, foram necessários R$ 4,5 milhões para viabilizar o festival.
 
Até domingo (6), o evento não havia alcançando a meta mínima (R$ 500 mil) para sua realização. O prazo final é 21 de outubro. O endereço para colaborar é benfeitoria.com/festivaldorio


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