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Estado de Minas

Amigos da Filarmônica de Minas contam como é ser 'íntimo' da orquestra

Espectadores fiéis ampliaram seus conhecimentos musicais, estreitaram amizades e passaram a ser reconhecidos pelos instrumentistas com as idas regulares aos concertos na Sala Minas Gerais


postado em 08/08/2019 04:00 / atualizado em 07/08/2019 23:02

Ex-bailarina clássica, Joana Farnezi, de 40 anos, cresceu dançando o melhor da música erudita. Hoje longe do balé, ela cultiva a paixão pela música de concerto com muita assiduidade nas apresentações da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Assinante fiel, Joana estará nesta noite (8) mais uma vez batendo ponto na Sala Minas Gerais.

(foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press)
(foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press)

Às quintas, eu vou sozinha; no sábado, com meu marido, e, nos domingos pela manhã, com meus filhos - João, de 6 anos, e Lucas, de 9. Os dois, aliás, ficam doidos para ir às apresentações dos outros dias, mas é mais complicado, por ser de noite

Joana Farnezi, designer de moda



O programa, que será reprisado nesta sexta (9), destaca uma obra inédita do compositor pernambucano Marlos Nobre, que completa 80 anos neste 2019, e será interpretada pelo violoncelista Antonio Meneses. O concerto, dedicado à música brasileira, celebra ainda os 75 anos da pianista carioca Marisa Rezende, com a obra Vereda, e revisita Villa-Lobos, com Bachianas brasileiras nº 8. A regência é do maestro Fabio Mechetti. Marlos Nobre e Marisa Rezende estarão presentes à homenagem.

O programa faz parte da Presto, uma das cinco séries de assinatura da Filarmônica. Além de ser assinante de mais de uma série, Joana integra o Amigos da Filarmônica, projeto com o qual a instituição busca o apoio de pessoas físicas em favor da Programação Educacional da Orquestra, por meio de contribuições diretas (a partir de R$ 20) ou via incentivo fiscal – são declaradas e abatidas no Imposto de Renda Pessoa Física.

“Às quintas, eu vou sozinha; no sábado, com meu marido, e, nos domingos pela manhã, com meus filhos – João, de 6 anos, e Lucas, de 9. Os dois, aliás, ficam doidos para ir às apresentações dos outros dias, mas é mais complicado, por ser de noite. Eles amam música clássica. João estuda piano, e Lucas, violino”, conta.

Também assinante e Amigo da Filarmônica, o engenheiro eletricista aposentado Marcelo de Oliveira Orsini, de 63 anos, nunca se esqueceu da primeira vez em que assistiu a um concerto da orquestra: 26 de junho de 2015, já na nova sede. Na época, não tinha assinatura, mas ficou tão encantado que ele e a mulher, Carla Pimentel, de 52, aderiram ao programa. “É muito raro faltarmos. Não vou dizer que sou um superentendido no assunto, mas sempre gostei. E passei até, também estimulado por essa experiência, a fazer aulas de clarinete”, conta.

FILACHOPP Marcelo fez algumas amizades na sala de concertos. “Até criamos um grupo no WhatsApp chamado Filachopp. É um grupo de seis casais de amigos que são frequentadores eventuais. A ideia é sair dos concertos e tomar uma cerveja, um vinho. Na verdade, queremos até estimular que mais pessoas frequentem os concertos”, diz.

O casal chegou a se aproximar até de alguns integrantes, como o regente associado Marcos Arakaki. “Você acredita que tem alguns músicos que nos veem lá do palco e chegam a acenar? Já nos conhecem de vista ou nos próprios corredores e de outros projetos da orquestra”, conta.

Maria Lúcia Orsini não tem um diário. Mas se lembra de ter escrito, logo após a noite de 13 de março de 2008:“Fui com meus filhos à Filarmônica e assisti a um espetáculo maravilhoso”. Era o Concerto para piano nº1, de Tchaikovksy, executado por Arnaldo Cohen, então em sua primeira participação com a orquestra mineira.

“A partir dali, comecei a comprar os ingressos e, depois, a assinar todas as séries”, conta ela. Em 2009, a Filarmônica iniciou seu programa de assinaturas – Maria Lúcia tem quatro: uma da série Presto, duas da Vivace e uma da Fora de Série. “Só não vou quando estou viajando e acho que consegui que pelo menos uns 10, 12 amigos também se tornassem assinantes. E só no boca a boca.”
Amiga de Arnaldo Cohen há “20, 30 anos”, ela não perde um concerto do pianista. Por causa dessa relação, acabou conhecendo o maestro Mechetti. “O que admiro no maestro é a propriedade com que ele elabora a programação, 'amarrando' temas, compositores, intérpretes, solistas convidados.”

Maria Lúcia tem preferência pelo piano. “Todos os concertos para piano de Rachmaninoff, os de Beethoven, os números 1 de Schumann e Mendelssohn”, enumera. “Apesar de parte do público reclamar, pois não sai 'cantando' uma obra que ouviu pela primeira vez, a gente fica conhecendo compositores diferentes. Foi por meio do programa Fora de Série que conheci a música dos países nórdicos. Quem é que tinha ouvido falar de Alfvén, autor da Rapsódia sueca? Ou Nielsen? Pois foram concertos também memoráveis”, comenta ela a respeito do programa Expedições: países nórdicos, apresentado em setembro de 2018.

PALESTRAS Com uma lista grande de amigos, Maria Lúcia não acha que a Filarmônica seja um lugar para fazer amizades. “Para mim, é um lugar onde se estreitam as amizades. Tanto que, muito raramente, assisto às palestras (que antecedem os concertos). Chego mais cedo para conversar com as pessoas. A música e a arte nos unem.”

Elaene Giannetti assistia, de vez em quando, à Filarmônica no Palácio das Artes. Com a inauguração da Sala Minas Gerais, em 2015, ela se tornou assinante. Hoje frequenta a série Allegro com duas irmãs. Ano após ano, as três se sentam nos mesmos lugares na plateia. Como boa assinante, conta nos dedos as apresentações que perdeu.

A Nona Sinfonia, de Beethoven, que marcou, em fevereiro de 2018, os 10 anos da Filarmônica, foi um dos concertos memoráveis na opinião dela. “E, na semana passada, com o Arnaldo Cohen. Além de Rhapsody in blue (George Gershwin), ele foi muito feliz na escolha do bis, com uma fantasia de O morcego, de Strauss.” Aos 84 anos, Elaene se recorda de que “desde menina” teve educação musical. “Mas com a Filarmônica a gente vai melhorando. Por causa dela aprendi a gostar de Mahler.”

Assinante desde a época do Palácio das Artes, Maria Clélia Almeida nunca teve problemas em ir sozinha aos concertos. “Não estou nem aí. Vou no meu carro, o rapaz já sabe onde gosto de parar, e ainda vou mais cedo, para ver a explanação a respeito do programa.” Neste ano, pela primeira vez em uma década, ela passou a ter uma companhia constante nas noites de quinta-feira – sua irmã se tornou assinante. “A Filarmônica se tornou essencial, pois ela só acrescenta para a gente.”
 
(foto: Acervo Pessoal/Marcelo Oliveira)
(foto: Acervo Pessoal/Marcelo Oliveira)

É muito raro faltarmos (aos concertos; ele vai com a mulher, Carla Pimentel). Não vou dizer que sou um superentendido no assunto, mas sempre gostei. E passei até, também estimulado por essa experiência, a fazer aulas de clarinete

Marcelo Oliveira, engenheiro eletricista


(foto: Acervo Pessoal/Maria Lúcia Orsini)
(foto: Acervo Pessoal/Maria Lúcia Orsini)

Foi por meio do programa Fora de Série que conheci a música dos países nórdicos. Quem é que tinha ouvido falar de Alfvén, autor da Rapsódia sueca? Ou Nielsen? Pois foram concertos também memoráveis

Maria Lúcia Orsini, assinante de todas as séries da Filarmônica, na foto com Arnaldo Cohen e Sônia Cury



Programação de 2020 destaca  Beethoven

Para homenagear Beethoven (1770-1827) em seus 250 anos de nascimento, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais vai dedicar, em 2020, um extenso programa ao compositor alemão. “Vamos executar as sinfonias, incluindo a Nona, em um concerto especial, e a ópera Fidélio. Além disso, Arnaldo Cohen virá para tocar todos os (cinco) concertos para piano de Beethoven em três semanas seguidas”, informa o maestro Fabio Mechetti.

A programação do próximo ano será anunciada em outubro. Já fechada, ela terá os mesmos moldes das temporadas anteriores – 57 concertos nas séries Allegro, Vivace, Presto e Veloce (com 12 edições cada uma) e Fora de Série (com nove). Completando a programação, haverá os programas extras, como os concertos de câmara, na praça etc., chegando a quase 100 apresentações anuais.

De acordo com Mechetti, que além de maestro é também o diretor artístico da Filarmônica, apesar dos cortes orçamentários que a orquestra vem sofrendo nos últimos anos, foi possível “manter a programação”. “No papel, nossos recursos estão assegurados. Ainda estamos esperando o desembolso do governo. Temos algo a receber, mas estamos garantindo a folha de pagamento dos músicos sem problemas. Neste ponto, acho que a situação mais crítica passou. Aguardamos a recuperação do estado para voltar a ter um pouco de folga.”

Desde a saída do britânico Anthony Flint, em 30 de junho, a Filarmônica vem executando sua programação com spallas convidados. “Até o fim do ano definiremos um nome. A ideia é ter alguém capacitado a exercer a função a partir de fevereiro”, afirma o maestro. (MP)

  • ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
  • Concertos nesta quinta (8) e sexta (9), às 20h30, na Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto. Regência de Fabio Mechetti. Solista convidado: Antonio Meneses. Ingressos: R$ 46 (coro) a R$ 140 (camarote). Valores referentes à entrada inteira. Informações: (31) 3219-9000 e www.filarmonica.art.br.

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