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Estado de Minas

'O labirinto do fauno' e 'La casa de papel' tentam a sorte na livraria

Mercado editorial quer transformar fenômenos nas telas em romances de sucesso. Vêm aí adaptações literárias das séries 'Elite' e 'A casa das flores'


postado em 30/07/2019 04:13

Lançado em 2006, o longa O labirinto do fauno se transformou em romance que chegou este mês ao Brasil (foto: Warner Bros./divulgação)
Lançado em 2006, o longa O labirinto do fauno se transformou em romance que chegou este mês ao Brasil (foto: Warner Bros./divulgação)

 Tradicionalmente, as histórias mais conhecidas do mundo migram das páginas literárias para o cinema e a TV, dando forma mais concreta à imaginação do leitor. É o caso de O senhor dos anéis, livro publicado por J. R. R. Tolkien nos anos 1950 – inspiração para o filme recordista do Oscar, lançado em 2001 e dirigido por Peter Jackson –, e da maior vencedora do Emmy, Game of thrones, que na HBO se sobrepôs à obra serial ainda não concluída de George R. R. Martin, da qual foi adaptada. As boas cifras da cultura pop mostram que essa via é de mão dupla. De olho na paixão do público pelos universos ficcionais, editoras apostam em lançamentos derivados de tramas audiovisuais.

Em 2019, O labirinto do fauno voltou a ser notícia, 13 anos depois de surgir como clássico do cinema, faturar três estatuetas no Oscar e a gorda bilheteria de US$ 83 milhões. Em abril, o mexicano Guillermo Del Toro, roteirista e diretor do longa, anunciou no Twitter que concluíra o romance, escrito em parceria com Cornelia Funke, autora de O senhor dos ladrões e Coração de tinta. Neste mês de julho, o livro chegou às lojas brasileiras pela editora Intrínseca. A conhecida aventura fantasiosa da menina Ofélia é ampliada com novos contos baseados em elementos-chave da narrativa original, além de belas ilustrações de Allen Williams.

Em seu site, Funke escreveu um relato sobre a experiência de recontar seu filme favorito. "Quando Guillermo del Toro me pediu para escrever um romance de O labirinto do fauno, realmente parecia um conto de fadas”, comentou. “Tinha certeza de que seria impossível transformar essa obra-prima visualmente deslumbrante em um tapete de palavras. Mas, é claro, você não pode dizer não a uma tarefa tão mágica, mesmo que pareça impossível. Aprendemos isso nos contos de fadas."

O processo não é novidade. Exemplo disso é Star wars, que desde o encerramento de sua primeira trilogia, em 1983, transpôs a fronteira da tela rumo a outras galáxias narrativas. É complicado precisar com exatidão quantos livros expandiram a ficção cinematográfica criada por George Lucas. Publicadas por fãs anônimos ou autores autorizados pela franquia Lucasfilm, algumas histórias propõem sequências a acontecimentos cronologicamente finalizados em O retorno de Jedi.

A mais conhecida é a chamada Trilogia Thrawn. Lançada entre 1991 e 1993 pelo norte-americano Timothy Zahn, a série literária virou sucesso entre os fãs por apresentar personagens nunca vistos no cinema, como Mara Jade Skywalker, heroína que se casa com Luke. Licenciada, a versão chegou a ser considerada continuação “oficial” da trama, até que os estúdios Disney adquiriram os direitos autorais e deram novo rumo ao cânone do cinema com a superprodução Star wars – O despertar da força.

FAROESTE Em outros casos, a ideia do livro é aprofundar a trajetória de um único personagem. O romance Kenobi (2013), de John Jackson Miller, é uma espécie de “faroeste galáctico” que detalha em 528 páginas os primeiros dias do personagem Obi-Wan Kenobi em seu exílio no planeta Tatooine. As possibilidades criativas em Star wars são tantas que o chamado Universo Expandido compreende quadrinhos, série animada e games com narrativas particulares, oriundas de uma única saga do cinema.

Essa transversalidade também se dá em outros títulos. Assassin's Creed surgiu como videogame, em 2007, criado pela dupla franco-canadense Patrice Désilets e Jade Reeymond – jogo distribuído pela Ubisoft. Dois anos mais tarde, Assassin's Creed – Renascença, de Oliver Bowden, transpôs para a literatura a ficção épica baseada no conflito entre assassinos e templários, sociedades secretas ancestrais. O romance foi o primeiro da série que rendeu sete títulos e também o filme estrelado por Michael Fassbender, lançado em 2016. O longa, por sua vez, originou outro livro.

NETFLIX Como o papel aceita todos os tipos de sucesso, séries que se tornaram fenômenos recentes da indústria pop chegarão em breve a prateleiras e catálogos virtuais das livrarias. O Grupo Planeta, gigante espanhol do mercado editorial, anunciou a parceria com a Netflix para lançar as versões literárias de La Casa de Papel, Elite e A casa das flores, destinadas ao público ibero-americano.

A ideia é estender o universo narrativo de cada história com sequências, prequelas (tramas ocorridas antes da original) ou spin-offs (histórias derivadas da inicial). Serão 12 livros, que devem chegar ao Brasil este ano. Os autores ainda não foram revelados.

“Não deixamos de ser duas empresas especializadas em contar histórias”, afirmou Jesús Badenes, diretor-geral da Divisão de Livros do Grupo Planeta. “Neste mundo cada vez mais globalizado, com uma linha tênue entre a publicação de livros e conteúdos audiovisuais, estamos muito felizes com o acordo alcançado com a Netflix. Os livros serão um complemento perfeito das séries”, salientou Badenes em comunicado à imprensa.

Para ler e ver

O LABIRINTO DO FAUNO
. Lançamento: 2019
. Guillermo Del Toro e Cornelia Funke
. Intrínseca
. 320 páginas
. R$ 59

STAR WARS – HERDEIRO DO IMPÉRIO
Trilogia Thrawn. Volume 1
. Lançamento: 1991
. De Timothy Zahn
. Aleph
. 472 páginas
. R$ 35

STAR WARS – ASCENSÃO DA FORÇA SOMBRIA
Trilogia Thrawn. Volume 2
. Lançamento:1992
. De Timothy Zahn
. Aleph
. 504 páginas
. R$ 23

STAR WARS – O ÚLTIMO COMANDO
Trilogia Thrawn. Volume 3
. Lançamento: 1993
. De Timothy Zahn
. Aleph
. 528 páginas
. R$ 25

KENOBI
. Lançamento: 2013
. De John Jackson Miller
. Aleph
. 528 páginas
. R$ 25

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