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Estado de Minas

Encarnando outro papel

Figura assumidamente exótica do cenário musical, Falcão vai se firmando também no mundo da atuação. Cantor hoje encara personagens no cinema e em comédias na Televisão


postado em 25/05/2019 04:11

Multiartista, Falcão diz que jamais se imaginou atrás das câmeras, mas que vem curtindo a nova função(foto: LH Eventos/Divulgação %u2013 9/9/14)
Multiartista, Falcão diz que jamais se imaginou atrás das câmeras, mas que vem curtindo a nova função (foto: LH Eventos/Divulgação %u2013 9/9/14)

O Falcão cantor e compositor de músicas antológicas, como I’m not dog no, Black people car, I love you tonight e Holiday foi muito (famosa por seus versos Homem é homem/Menino é menino/Político é político e baitola é baitola), é bastante conhecido e popular. Mas o Falcão ator começou a ser notado recentemente pelo grande público. Depois de algumas participações pequenas no cinema, ele finalmente ganhou um personagem de destaque em 2012, no longa-metragem Cine Holliúdy, conduzido por seu conterrâneo, o diretor cearense Halder Gomes. Na trama, que se passa no interior do Ceará, na década de 1970 – período em que a popularização da TV começava e ameaçava os cinemas nas pequenas cidades – Francisgleydisson (Edmilson Filho) luta para manter viva a paixão pela sétima arte, com criatividade e humor. Ele é o proprietário do Cine Holliúdy, um pequeno cinema da fictícia Pitombas que terá a difícil missão de se manter vivo como opção de entretenimento.

Na produção, Falcão encarna o cego Isaías, personagem que reviveu na sequência lançada em março deste ano, Cine Holliúdy 2: A chibata sideral, e na série homônima que vai ao ar todas às terças na Globo. É Falcão também que interpreta, ao lado de Elba Ramalho, o tema de abertura. “O Isaías, mesmo sendo cego, é um apaixonado por cinema. Vê tudo (risos). Ele é a consciência das pessoas de Pitombas e sabe de tudo o que acontece ali. Brinco que ele é quase um Hitchcock, que, quando você menos espera, aparece. É meio onipresente”, analisa.

Paralelamente à série global, Marcondes Falcão Maia, seu nome de batismo, acaba de rodar mais uma temporada de Os Roni, no Multishow, que tem um elenco quase todo nordestino – a exceção é Oscar Magrini. O sitcom acompanha as aventuras dos irmãos Roniclayson (Whindersson Nunes), Ronivaldo (Tirullipa) e Roniwelinton (Carlinhos Maia), que saem do Nordeste para tentar a vida na capital paulista. Falcão vive Braguinha, porteiro do prédio onde mora a irmã dos Roni, ‘Çãozinha’ (Titina Medeiros).

“Os diretores é que cometeram essa loucura de me chamar para atuar. Eu nunca imaginei fazer nada disso. No Cine Holliúdy é um personagem importante na trama, mas, em Os Roni, sirvo de escada, principalmente para essa garotada nova que está lá. Mas é bom para exercitar também, ainda mais que não sou ator de formação. Olha, eu te digo que estou tomando gosto pela coisa. Quem sabe até não levo o Oscar um dia?”, diverte-se.

IMPACTO O artista, natural de Pereiro, no interior cearense, destaca o sucesso que a série da Globo vem fazendo e acredita que a televisão acaba atingindo mais público. “Embora os filmes do Cine Holliúdy tenham tido êxito, cinema está ficando meio elitista, praticamente só existe dentro dos shoppings. Mas a TV atinge mesmo o povão, tanto que a audiência está ótima. É uma história com que todo brasileiro se identifica porque todo mundo, sobretudo quem é do interior, tinha uma relação afetiva com o cinema de sua cidade”, afirma.

E os projetos como ator não param. Ele rodou recentemente dois longas que ainda não têm previsão de estrear. O amor dá trabalho, com Leandro Hassum, e Cabras da peste, do diretor Vitor Brandt (Copa de elite e Tô ryca), que conta com Matheus Nachtergaele e Edmilson Filho, seu colega em Cine Holliúdy. “Tem comédia, mas tem drama também e se passa em São Paulo e Fortaleza. Não posso falar muito, senão dou spoiler”, brinca.

“Estou tomando gosto pela coisa (ser ator). Quem sabe até não levo o Oscar um dia?”

“Tenho muito orgulho de ser um artista com uma carreira duradoura, o que é raro no Brasil, e mantendo o mesmo nível. Sei que não sou um estouro, mas tenho meu público cativo e um fã-clube que está sendo renovado”

“No fundo, todo mundo tem uma breguice dentro de si. Até o cara mais chique. Não adianta esconder”

Em defesa da ‘alma brega’

Assim como a interpretação, a música surgiu por acaso na vida de Falcão, que é arquiteto formado e chegou a trabalhar na área. “Eu cantava em barzinho, mas tinha meu escritório. Ficaram insistindo para que eu gravasse um disco e aí tudo aconteceu”, recorda. Aliás, o primeiro show que fez na vida, em 1988, foi num dos mais tradicionais bares do Nordeste, o Pirata, em Fortaleza. “Para você ter ideia, era noite de Natal. O show foi justamente para quem não curtia muito essa coisa de Papai Noel. À meia-noite, nós distribuímos peru para todo mundo”, conta, entre gargalhadas.

O cantor, compositor e ator pretende celebrar com várias ações os mais de 30 anos dessa primeira apresentação e também do primeiro disco, Bonito, lindo e joiado, que chegou ao mercado em 1991. “Quero fazer um DVD, show de comemoração, e também estou pensando em lançar um EP, já que disco físico nem as rádios querem. Motivo para festejar não falta. Tenho muito orgulho de ser um artista com uma carreira duradoura, o que é raro no Brasil, e mantendo o mesmo nível. Sei que não sou um estouro, mas tenho meu público cativo e um fã-clube que está sendo renovado. A estudantada, principalmente, adora as brincadeiras das minhas letras, que acabam tendo um fundo meio de política, de filosofia. Tem muita gente que admira o meu trabalho que nem era nascida quando criei boa parte desse repertório”, diz.

Falcão – que criou um estilo único de se vestir – ressalta como a música brega, vira e mexe, aparece na crista da onda. Para ele, esse gênero é como o samba: não morre nunca. “No fundo, todo mundo tem uma breguice dentro de si. Até o cara mais chique. Não adianta esconder.” Além dos trabalhos como ator e cantor, Falcão apresenta há cinco anos um programa semanal numa TV local de Fortaleza. A atração traz entrevistas com personalidades, música e o bom humor cearense que já começa pelo nome, Leruaite. “É uma expressão típica do cearês. A gente tem essa mania de misturar inglês e aí surgiu essa palavra. Jogar um leruaite é jogar conversa fiada”, explica.

Com tantos compromissos profissionais, às vezes o cantor tem de fazer um malabarismo para dar conta de tudo. Mas não reclama. “Quanto mais trabalho, melhor. E o bacana desses projetos é que as pessoas acabam conhecendo o Marcondes, não só o Falcão, que não deixa de ser um personagem. Muita gente comentou comigo que nunca tinha me visto sem óculos. É bem interessante enxergarem esse outro lado.”


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