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Nando Reis gravou disco em homenagem ao Rei, que barrou uma música

Ex-Titã lançou nesta sexta (19) Não sou nenhum Roberto, mas às vezes chego perto. Turnê do álbum em homenagem a RC começará por BH, em junho


postado em 20/04/2019 05:07

(foto: Jorge Bispo/Divulgação)
(foto: Jorge Bispo/Divulgação)
“Roberto é o artista que eu mais aprecio e o mais importante na minha formação, sobretudo o cancioneiro dos anos 1970. Além disso, é um compositor de mão cheia”

“Vai ser um privilégio para mim abrir essa turnê num palco como o do Palácio das Artes e numa cidade como BH. Estou muito feliz com o resultado desse trabalho. Estamos atravessando um momento complicado e acho que temos que fazer tudo para trazer o país de volta aos eixos. A arte é sempre o caminho e acho que a minha parte estou fazendo”

 Nando Reis, cantor, compositor e instrumentista

Quando Nando Reis nasceu, em janeiro de 1963, Roberto Carlos se preparava para lançar um dos trabalhos fonográficos mais importantes de sua carreira, o álbum Splish splash, que marcava o ingresso do cantor e compositor de Cachoeiro do Itapemirim (ES) no rock and roll. Mas a primeira lembrança do ex-Titã com relação ao Rei não foi nenhuma canção desse disco ou de qualquer outro, mas sim uma calça Calhambeque que ele costumava usar quando era bem garoto. “Provavelmente, ela devia ser um produto lançado por causa da Jovem Guarda. Tinha muito merchandising por conta do sucesso daquele movimento. Eu me lembro das minhas primas ouvindo LPs do Roberto, mas foi essa calça, que, inclusive, tinha um calhambequezinho no zíper, que ficou na minha memória”, conta.

Ao longo dos anos, o autor de Emoções e Como é grande o meu amor por você se faria presente em muitos momentos da vida pessoal e profissional de Nando Reis, que acabou seguindo carreira na música. Nessa Sexta-Feira da Paixão (19), dia em que o Rei completou 78, Nando Reis lançou Não sou nenhum Roberto, mas às vezes chego perto. “Desde quando concebi essa ideia de fazer um disco em homenagem ao Roberto, pensei nesse título. Ele se encaixa perfeitamente”, diz. O nome se refere a um verso de Nenhum Roberto (1996), canção de Nando que foi sucesso na voz de Cássia Eller.

Em 2016, quando Nando e a mulher, Vânia Reis, foram passar as férias no sítio da família no interior de São Paulo, colocaram ao lado das malas, no bagageiro, um violão e uma caixa com vários discos de Roberto Carlos. “Ali, já comecei a desenhar esse álbum. Roberto é o artista que eu mais aprecio e o mais importante na minha formação, sobretudo o cancioneiro dos anos 1970. Além disso, é um compositor de mão cheia”, afirma. Antes de selecionar as faixas que entrariam no disco, Nando entrou em contato com o empresário do Rei para mediar a autorização.

“Todo mundo fala desse folclore que é para o Roberto liberar as gravações dele, mas até que não foi muito demorado. Quando enviei o repertório para sua aprovação, ele se opôs a apenas duas, Detalhes e De tanto amor (ambas parcerias com Erasmo Carlos)”, recorda. Mas Nando acabou insistindo para gravar De tanto amor e pediu para o cantor capixaba reconsiderar. “Ele disse que não entendia porque eu a queria no disco. Achava a música muito triste. E eu argumentava que era uma linda composição. Achei interessante essa preocupação dele, e a música acabou entrando. Já Detalhes nem sei a justificativa. Talvez pelo fato de ela ser praticamente um patrimônio tombado pela Unesco (risos). Já gravaram tanto que não precisava de mais uma. É a mesma coisa com O segundo sol. Também acho que não precisa de mais versões”, brinca.

“LADO B” O repertório de Não sou nenhum Roberto, mas às vezes chego perto reúne 23 anos da obra de RC – de 1971 até 1994. Nando Reis conta que escolheu as faixas com as quais se identificava, mas, ao mesmo tempo, queria coisas menos massificadas em regravações. “Não era a intenção abranger a carreira dele toda, até porque eu queria um disco com 10, 12 faixas no máximo, assim como se fazia na década de 1970. Tem um lado B também, eu queria sair do óbvio. Roberto tem um repertório tão vasto e diverso. Sem querer me comparar, mas já comparando, a gente sempre costuma cantar e gravar as mesmas coisas, e acho tão bacana quando se interessam por obras que andavam meio esquecidas, mas nem por isso menos importantes”, observa.

Boa parte do set-list (sete das 12) são parcerias do Rei com “o amigo de fé e irmão camarada” Erasmo Carlos. “Não dá para falar do Roberto sem falar do Erasmo. É um grande homem e um excepcional artista. E alguém de enorme generosidade. Não é à toa que o Eramos Carlos é conhecido como o Gigante Gentil”, diz Nando. Amada amante é uma das parcerias e foi lançada por Nando Reis também numa versão em clipe, que reúne imagens atuais e antigas de Nando, da mulher e dos filhos. “Muitas pessoas comentam como estão se emocionando. A gente também não teve como não ficar comovido. A ideia é toda do Jorge Bispo, e ele conseguiu a proeza de fazer a Vânia participar do clipe. Foi um grande feito (risos).”

O que não faltam são canções românticas no álbum e não necessariamente compostas pelo homenageado. Um exemplo é Me conte a sua história (Mauricio Duboc/ Carlos Colla), uma das preferidas de Nando e que ganhou até um poema. “A gente faz uma espécie de intervenção. Durante a gravação, encaixei na música versos de um poema que fiz num momento da música que só tem a parte instrumental. Achei que fazia sentido ter esse texto e o resultado ficou legal”, afirma.

Pelo fato de ter tantas odes ao amor, o álbum, que é o 13º da discografia solo de Nando Reis, além de ser um tributo ao Rei, é uma homenagem também à sua companheira de toda a vida. “As músicas fazem parte da minha trilha sonora com a Vânia. Então é, sim, uma homenagem a ela também.”

Mesmo Nando não sendo exatamente um homem religioso, não faltam músicas com essa temática. As três escolhidas foram compostas com Erasmo: Todos estão surdos, Nossa Senhora e A guerra dos meninos. “Acredito que a grande divindade da música está na forma como ela foi concebida e admiro essa devoção do Roberto, apesar de eu não ter religião”, diz. A versão de Nossa Senhora ganhou toques à la João Gilberto. Nando preferiu focar no arranjo e não cantá-la. “Eu não imaginava como iria interpretá-la. A melodia é maravilhosa, então eu só faço um ‘nãnãnãnã’, que exalta a canção e ainda faz uma relação com o João, já que os arranjos são inspirados nele. E o violão foi tocado pelo Léo Mendes. Ficou muito bonito.”

Já A guerra dos meninos conta com uma participação mais do que especial, a do cantor, compositor e violinista Jorge Mautner, uma das principais referências artísticas de Nando Reis. “O Jorge teve uma importância extraordinária na minha vida, sobretudo na adolescência, quando conheci a Vânia. Nós assistimos juntos a vários shows dele, por isso foi muito singular tê-lo nesse projeto. A narração que ele faz nessa faixa é uma cereja do bolo”, comenta.

Outro convidado do disco é o guitarrista Edgard Scandurra, que, inicialmente faria apenas um solo e acabou participando de três faixas. O ex-baixista dos Titãs conta que os dois, apesar de serem contemporâneos e terem uma admiração mútua, nunca tiveram a oportunidade de fazer algo juntos antes. “Scandurra é espetacular como músico e como pessoa. Eu queria muito que ele fizesse parte desse disco e que bom que acabou dando certo.”

A turnê do novo projeto foi batizada com um verso de Amada amante – Esse amor sem preconceito – e vai começar por Belo Horizonte. Os shows ocorrem nos dias 1º e 2 de junho, sábado e domingo, no Grande Teatro do Palácio das Artes. Os ingressos variam entre R$ 60 e R$ 200 e já estão à venda. Além das faixas de Não sou nenhum Roberto, mas às vezes chego perto, Nando apresentará canções de seu repertório que têm ligação com a obra de Roberto Carlos.

“Vai ser um privilégio para mim abrir essa turnê num palco como o do Palácio das Artes e numa cidade como BH. Estou muito feliz com o resultado desse trabalho. Estamos atravessando um momento complicado e acho que temos que fazer tudo para trazer o país de volta aos eixos. A arte é sempre o caminho e acho que a minha parte estou fazendo.”

AQUELAS CANÇÕES DO ROBERTO

Confira as músicas que estão no álbum de Nando Reis, lançado ontem


1 - Alô
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
2 - De tanto amor
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
3 - Me conte a sua história
(Mauricio Duboc e Carlos Colla)
4 - Amada amante
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
5 - Abandono
(Ivor Lancellotti)
6 - Vivendo por viver
(Marcio Greyck e Cobel)
7 - Nosso amor
(Mauro Motta e Eduardo Ribeiro)
8 - Todos estão surdos
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
9 - Nossa Senhora
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
10 - Você em minha vida
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
11 - Procura-se
(Roberto Carlos e Ronaldo Bôscoli)
12 - A guerra dos meninos
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Não sou nenhum Roberto, mas às vezes chego perto
Nando Reis

Gravação independente (12 faixas)
R$ 25


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