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OVO


postado em 09/03/2019 05:06

Produção do Cirque du Soleil, Ovo estreou em BH e arrancou gritos emocionados da plateia(foto: DOUGLAS MAGNO/AFP)
Produção do Cirque du Soleil, Ovo estreou em BH e arrancou gritos emocionados da plateia (foto: DOUGLAS MAGNO/AFP)
Um bom programa na cidade é o espetáculo Ovo, a 25ª produção do Cirque du Soleil, que estreou na noite de quinta-feira, no Mineirinho, e fica em cartaz até 17 de março. Devemos prestigiar porque é um show do Cirque du Soleil e não se pode perder esta oportunidade; porque tudo o que eles fazem é lindo, cheio de detalhes. Para completar, o espetáculo É feito por uma brasileira.

Para que os desavisados não deem fora, esta peça começou a ser concebida em 2007, demorou dois anos para ficar pronta e estreou em Montreal, no Canadá, em 2009. Foi criada pela coreógrafa Deborah Colker e somente agora, 10 anos depois de seu lançamento mundial, chega ao Brasil para alegria de Deborah, que tinha o sonho de ver sua mãe, de 84 anos, assistir à sua criação.

Apesar de ser um produto internacional, podemos dizer que Ovo é brasileiro, porque é cheio de elementos da nossa terra, começando pela coreógrafa, passando pelas cores do figurino e cenário, que remetem aos tons das florestas tropicais, e arrematando com chave de ouro com uma belíssima trilha sonora 100% brasileira, que passeia entre a bossa nova e o samba, com pitadas de outros ritmos, inclusive de capoeira. Uma delícia de se ouvir.

Colker, a primeira mulher a dirigir um espetáculo do Cirque du Soleil, foi convidada pelo fundador da companhia, Guy Laliberté, que deu carta branca para a competente profissional com uma única recomendação: que ela abordasse a biodiversidade. Criativa como ela só, chegou a pensar em animais selvagens, nas riquezas da Amazônia e até no mar, mas acabou se ligando nos menores seres do país, os insetos, que, segundo Deborah, têm grande importância no ciclo da natureza, apesar de serem tão pequenos. A diretora passou dois meses estudando o tema e dois anos montando o espetáculo.

Ovo é uma metáfora da nossa sociedade e conta a história de um inseto estrangeiro que chega a uma comunidade com um grande ovo e é rejeitado pelos membros da comunidade. O ovo será roubado e ele terá 24 horas para recuperá-lo, com a ajuda de uma joaninha solitária, por quem se apaixona. E por que toda comunidade quer o ovo?  Uma metáfora da vida, do ciclo, do enigma.

Cada número circense é feito pro um grupo de profissionais que representam uma classe de insetos. Para quem já assistiu outras tantas produções da companhia, admirou os números, claro, pela perfeição de execução, porém sem grandes surpresas, uma vez que vários deles estão presentes em montagens anteriores. Mesmo assim, vale a pena ver de novo, sempre. Mas temos que destacar o trabalho do profissional que manipula os carretéis, o homem da corda bamba, os dois contorcionistas, o casal que voa fazendo verdadeiras acrobacias e, arrematando o balé na parede vertical, assinatura de Colker que enche os olhos.

O melhor da noite foi ouvir os gritos e urros emocionados e surpresos da plateia a cada exibição difícil e arriscada. Era de arrepiar ver as pessoas admirando e valorizando um trabalho bem-feito. Outro ponto surpreendente, a presença do nosso governador Romeu Zema, sem seguranças – pelo menos de forma aparente –, assistindo ao espetáculo tranquilamente.

Para quem não sabe, 27 de março é comemorado o Dia do Circo, profissão que mudou muito nos últimos anos com a proibição do uso de animais nas apresentações. Por sinal, o interesse pelas atividades circenses cresceu bastante nos últimos anos, a prova disso é o grande número de malabares e mímicos trabalhando nas ruas e levando sua arte para mais perto da população. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)


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