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Estado de Minas

Ressaca tem explicação científica

É desaconselhável o uso de paracetamol, pois ele é tóxico para o fígado


postado em 06/03/2019 05:03



Esta foi muito boa. Checando as centenas de e-mails que chegam diariamente – e, pra ser muito honesta, estavam acumulados –, deparei com um título no mínimo curioso: “Ressaca: o que a ciência tem a dizer em seis perguntas”. Mais engraçado ainda foi que estava pensando no que escrever hoje, quarta-feira de cinzas. Depois de quatro dias de carnaval, a maioria das pessoas enfrenta enorme ressaca. Ressalva: não é o meu caso – graças a Deus, descansei nesse feriado.

Só faltava essa, arranjaram explicação científica para a ressaca. Talvez os leitores já saibam disso, mas, pra mim, é novidade e decidi compartilhá-la com vocês. Como é muito engraçado, vale a pena. Segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), ONG comprometida com a divulgação de informações científicas, é possível esclarecer dúvidas sobre a ressaca com base na ciência:

“Para quem não sabe, ressaca é veisalgia, o resultado da intoxicação aguda por álcool, cujos sintomas físicos e mentais, experimentados no dia seguinte a um único episódio de consumo excessivo, começam quando a concentração de álcool no sangue (CAS ou BAC, do inglês blood alcohol concentration) se aproxima de zero. Os sintomas mais comuns são fadiga, sede, dor de cabeça, problemas de concentração, apatia, desequilíbrio, náusea, tontura, tremores, problemas gastrointestinais, confusão, suor e taquicardia. A gravidade do quadro é influenciada por diversos fatores, como características individuais (estrutura física, sexo, vulnerabilidade genética, idade e condição de saúde), aspectos do beber (quantidade e frequência, qualidade da bebida e ingestão de água e alimentos durante o consumo) e contexto (beber em grupo ou em ambientes que estimulam o consumo).

Obviamente, a melhor forma de prevenir a ressaca é não beber. Mas, se beber, que seja moderadamente. Nesse último caso, a ingestão de bebida alcoólica não deve ultrapassar quatro doses para homens e três doses para mulheres em um único dia. Também é recomendado manter-se alimentado, hidratado e beber devagar.

A literatura científica aponta a falta de evidências de que intervenções médicas para prevenção ou tratamento da ressaca sejam efetivas. Contudo, embora não haja cura para a ressaca, podem ser adotadas algumas medidas para aliviar a intensidade dos sintomas. É o caso de alguns medicamentos – antiácidos e analgésicos, como a aspirina – indicados para aliviar náuseas e dores musculares, respectivamente. No entanto, é desaconselhável o uso de paracetamol, pois ele é tóxico para o fígado, órgão já sobrecarregado, nesse momento, pelo metabolismo do álcool.

Em relação a tratamentos naturais, estudos recentes mostram que dente-de-leão, pera, tomate, red ginseng, ginseng siberiano e figueira-da-índia podem impulsionar a ação das enzimas metabolizadoras de etanol, como a aldeído desidrogenase, melhorando a desintoxicação, ou ainda atuar como antioxidantes e agir sobre os sintomas da ressaca. Entretanto, ainda são poucas as evidências científicas que comprovem essa eficácia.

Beber outra dose pela manhã ameniza os sintomas? Não. A ressaca é causada pelo acúmulo de metabólitos de etanol no organismo. Dessa forma, o consumo de nova dose de álcool, resultando no acúmulo de mais metabólitos, não soluciona o problema.

Quanto tempo dura a ressaca? Varia de oito a 24 horas, com média de 18,4 horas após o cessar do beber, ou 12 horas depois de acordar.

Uma revisão científica, que teve o objetivo de analisar os efeitos da ressaca no funcionamento cognitivo, revelou que memórias de curto e longo prazo, velocidade psicomotora e atenção sustentada são as funções mais afetadas no dia seguinte. Esses prejuízos têm implicações para a performance intelectual e habilidade práticas como dirigir.”

Impressionante a importância e a profundidade desse estudo científico. Grande contribuição para a humanidade.


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