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Estado de Minas

Exposição de Augusto Fonseca questiona a ditadura do consumo

Em cartaz na galeria do BDMG Cultural, Estratégias de mercado reúne objetos, fotografias, desenhos e aquarelas


postado em 09/02/2019 05:04

Série Capitalismo artista integra a mostra Estratégias de mercado(foto: Augusto Fonseca/divulgação)
Série Capitalismo artista integra a mostra Estratégias de mercado (foto: Augusto Fonseca/divulgação)

 

Um carrinho de supermercado é transformado em arapuca pelo artista plástico mineiro Augusto Fonseca. A instalação compõe a mostra Estratégias de mercado, que denuncia como o sistema capitalista potencializa o consumismo na sociedade contemporânea. Objetos, fotografias, desenhos e aquarelas integram a exposição em cartaz a partir deste sábado (9), em BH.

“Há duplo sentido nesses trabalhos, que também revelam como o mercado nos consome”, comenta Augusto. “As pessoas tentam se vender o tempo todo. O consumidor virou uma espécie de produto. Minha investigação é sobre como o mercado transforma e aliena as pessoas neste mundo em que todos querem ser mercadorias desejáveis, seja no âmbito de trabalho ou pessoal, e acabam adquirindo características de produtos, tornando-se descartáveis, classificáveis e rotuláveis”, observa.

Ao convidar à reflexão sobre o ciclo de compra e venda, a exposição pode ser interpretada como um contraponto ao caráter imperativo da publicidade. Um desenho apresenta o carimbo “Compre!”. “Os trabalhos são uma espécie de denúncia. Tento explicitar as estratégias de indução que nos forçam ao ato de comprar”, afirma Augusto.

A crítica a esse comportamento social reverbera no próprio ofício de Augusto. “Este mundo consumista influencia diretamente o mercado da arte, no qual cada artista tem seu lugar, sua prateleira – uns ficam em cima, outros embaixo. Alguns são mais caros, outros mais acessíveis”, aponta.

NARRATIVA A exposição aborda as consequências do consumismo, como o lixo e a alienação do indivíduo. Para Augusto, este é o seu trabalho mais político. “Questões sociais me influenciam o tempo todo. Vivemos numa sociedade pautada pelo consumo, o que nos traz inúmeros problemas”, avalia.

“Todos os meus trabalhos costumam ter estéticas e processos de concepção diferenciados. A narrativa os aproxima. Como vim do cinema, tento sempre passar algo por meio das minhas imagens, independentemente da linguagem”, afirma Augusto, de 40 anos, formado em artes visuais e cinema pela Escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.

“Cada projeto que crio traz uma pesquisa diferente e poucas relações dentro de minha carreira. Meu processo é fragmentado, não mantenho qualquer linearidade”, explica. Em 2015, a série de pinturas acrílicas Walk me home, exposta no Museu Inimá de Paula, revelou a influência da cultura pop dos anos 1980 na vida dele. Em 2013, Augusto se destacou ao perseguir a racionalidade, conceitual e esteticamente, em Quando penso ter razão, sua primeira individual na Galeria de Arte BDMG Cultural.

Em 2019, Fonseca levará à Casa Fiat de Cultura a mostra Tudo é eco no universo, ainda sem previsão de abertura. O trabalho dá certa continuidade à exposição Falso espelho (2013), que desconstrói o mito de Narciso. “É a representação de um Narciso doente, que não se reconhece nem se acha bonito – um reflexo do mundo de hoje”, conclui.

ESTRATÉGIAS DE MERCADO
Exposição de Augusto Fonseca. Galeria de Arte BDMG Cultural. Rua da Bahia, 1.600, Lourdes, (31) 3219-8691. Abre diariamente, das 10h às 18h; às quintas-feiras, o horário se estende até as 21h. Em cartaz até 10 de março. Entrada franca.













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