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Estado de Minas

Isabela Teixeira da Costa: Lojas tradicionais de BH fecham as portas


postado em 05/02/2019 05:02

 

Isso existe? Não sei se inventei esse termo ou se ele existe: sentimento de orfandade, mas é isso que muita gente está sentindo com o fechamento de lojas tradicionais da cidade, e tão queridas.

É impressionante o número de lojas que estão fechando em Belo Horizonte. Consequência da prolongada crise financeira que se abateu sobre o país. Muitos empresários seguraram o quanto puderam, mas chega uma hora em que não dá mais. Conversando outro dia com uma executiva, ela me disse que a vida média de uma empresa no país é de cinco anos. Fiquei chocada. Ainda bem que conheço diversas lojas e companhias que existem há décadas.

Além das empresas que fecham em consequência das dificuldades financeiras, antes que cheguem à falência, ou mesmo quando não há mais solução, algumas fecham por motivos variados, como foi o caso da Domi, há alguns anos. As sócias proprietárias simplesmente cansaram de trabalhar. A vida as levou para outros interesses, outro momento. Os filhos cresceram, chegaram os netos. Não queriam mais passar o ano viajando para fazer comprar e abastecer a loja, que primava pelo bom gosto. A prova disso é que fizeram um mês de promoção para acabar com o estoque e as filas viravam o quarteirão. Uma coisa de louco. Quase deu briga na porta. Foi preciso distribuição de senha.

Depois foi a vez da Villa Vittini, tradicional cadeia de loja de calçados femininos de luxo – tinha também a loja masculina –, que de uma hora para outra decidiu encerrar suas atividades. Vale ressaltar que também não foi por crise. A empesa estava sólida, vendendo bem. A proprietária – que sempre teve uma situação privilegiada –, decidiu parar de trabalhar. Salvo engano, até se mudou do país. Mais uma vez, todas as lojas ficaram com enormes filas na porta para arrematar o estoque.

Essas duas lojas geraram em nós um sentimento de orfandade. Onde iríamos comprar esses produtos? Isso não significa que não existam lojas similares na cidade, mas é uma questão de costume, do relacionamento com as pessoas que trabalhavam ali. A ida ao local, o bate-papo, o cafezinho amigo. Aquela coisa que só mineiro tem e entende.

Em dezembro, mais uma notícia triste, o fechamento da Solar. Acho que foi a primeira loja de presentes da cidade. Lembro-me de criança ir acompanhando minha mãe, quando precisava comprar algo para nossa casa ou um presente de casamento. Sempre éramos atendidas pela Lucrécia, que me tratava com o maior carinho e sempre me dava uma balinha e algo para me entreter. Afinal, criança em loja cheia de peças de cristal tinha que ficar o mais quieta possível. Apesar de isso não ser necessário, porque naquela época éramos muito bem educados. Olhar era realmente só com os olhos. Ai de quem encostasse em algum objeto. Lucrécia se aposentou há alguns anos, mas o atendimento da loja continuava impecável em termos de gentileza e simpatia.

Agora, chegou a vez de mais uma loja tradicional encerrar suas atividade. A linda Hogar, no Ponteio Lar Shopping, depois de 27 anos de funcionamento, vai fechar. Está em crise? Não. Taciana Mascarenhas mora há anos nos Estados Unidos e tem uma filial lá. Mas se cansou de administrar a distância. Decidiu concluir os trabalhos no Brasil e ficar só lá na terra do Tio Sam.

Estranho demais o sentimento que cai sobre nós. É como se estivéssemos ficando órfãos de instituições queridas. Uma grande perda para o comércio o fechamento de todas essas lojas tão boas e amadas. Isabela Teixeira da Costa/Interina


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