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Oberço da palavra


postado em 21/01/2019 05:06

Santo de casa não faz milagre

As pessoas mais próximas de nós são as que mais relutam em conhecer nosso valor e, geralmente, só o fazem quando outros o reconheceram. É a vida...

Os franceses têm provérbio parecido: II n’y a pas de grand homme pour son valet de chambre (Ninguém é grande homem para seu criado). Já os ingleses dizem que familiarity breeds contempt (familiaridade gera desprezo). Usa-se a expressão “santo de casa não faz milagre” para explicar o injusto esquecimento de que padecem certas pessoas, a despeito de seus méritos.

Na política, não é tão raro o partido lançar candidato e, depois, empenhar-se por um nome extrapartidário. Afinal, nesse terreno, o contubérnio é figurinha fácil. Caso clássico foi a chamada cristianização de Cristiano Machado, em 1950. Já oficializado à Presidência da República pelo antigo PSD, acabou abandonado pelo partido no meio da campanha. Não houve santo de casa que desse jeito...

PETRÓPOLIS – Literalmente, é a “cidade de Pedro”, mas que Pedro é esse? É dom Pedro de Alcântara João Carlos Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança, segundo imperador do Brasil, dom Pedro II. Etimologicamente, Pedro vem do grego pétros, pedra, rocha, o primeiro dos papas, objeto da conhecida referência de Jesus: “Tu és Pedro, e sobre essa pedra erigirei minha Igreja”. Já polis, também do grego, é cidade, daí a explicação do berço do nome de Petrópolis. Chamada de cidade imperial, é aprazível recanto serrano do estado do Rio. Entre seus vultos históricos mais conhecidos está Santos Drumont, o Pai da Aviação e dono da famosa Casa Encantada, aquela em que só se consegue subir colocando o pé direito no primeiro degrau. Também tem sido local de veraneio de muitos presidentes da República, que ali descansavam em aconchegante e charmosíssimo friozinho...

TERESÓPOLIS – Literalmente, é a cidade da Teresa, mas que Teresa é essa? É a imperatriz Teresa Cristina Maria Josefa Gaspar Baltazar Melquior Januária Rosália Lúcia Francisca de Assis Isabel Francisca de Pádua Donata Bondosa André d’Avelino Rita Leodegária Gertrudes Venância Tadéia Roca Matilde de Bourbon-Sicílias e Bragança – ufa! –, princesa das Duas Sicílias, e esposa de d. Pedro II, nascida na Itália e falecida na cidade do Porto, em Portugal. A ela foram dedicadas outras cidades brasileiras como Teresina, capital do Piauí, e Imperatriz, no Maranhão. Aos pés da Serra dos Órgãos e tendo Santa Teresa como padroeira, Teresópolis tem clima privilegiado e é muito frequentada por cariocas, tanto quanto sua vizinha Petrópolis. A coluna agradece ao padre José Carlos Brandi Aleixo sua contribuição.

SÃO TOMÉ DAS LETRAS – A 1.400 metros do nível do mar, essa cidade mineira de nome estranho é envolvida por um vale verdejante que acolhe grutas, cachoeiras, cavernas e ladeiras, onde – conta a lenda – os carros sobem sozinhos... Diz-se que, no final do século 18, um escravo chamado João Antão fugiu da Fazenda Campo Alegre e se escondeu numa gruta local, ali vivendo sozinho por muito tempo. Certo dia, apareceu-lhe um homem todo de branco, a quem João contou sua história. Ciente dos fatos, a misteriosa figura escreveu um bilhete ao dono do escravo dizendo que o pedaço de papel, em letra cursiva, garantiria sua liberdade. Depois de ler a mensagem, o fazendeiro foi à gruta onde João Antão estava e lá só encontrou uma imagem em madeira de São Tomé. Como na entrada da gruta havia inscrições rupestres – dizem que deixadas pelo santo, para provar sua passagem por ali –, a cidade ganhou o nome de São Tomé das Letras. Sobre ela pairam histórias fantásticas que atraem místicos, sociedades espiritualistas, científicas e alternativas, inclusive como lugar onde aparecem discos voadores e óvnis. Independentemente disso, o município vive com seus pacatos quase 7 mil habitantes, ar rústico e tipicamente mineiro do interior. Seu diversificado artesanato utiliza a conhecida pedra de são tomé, entre outros elementos decorativos. Consta até que a gruta onde ficava João Antão se ligava a Machu Pichu, no Peru. Quem sabe...


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