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Cabangu fecha as portas

Crise financeira impede o funcionamento do museu dedicado ao Pai da Aviação. Repasses da Prefeitura de Santos Dumont, de R$ 12,6 mil por mês, foram interrompidos em agosto de 2018


postado em 15/01/2019 05:04

Réplica do 14 Bis fica nos jardins do Museu de Cabangu (foto: FOTOS: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS)
Réplica do 14 Bis fica nos jardins do Museu de Cabangu (foto: FOTOS: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS)


O Museu de Cabangu parou de funcionar. Instalado em Santos Dumont, na Zona da Mata, a 207 quilômetros de Belo Horizonte, ele fica na casa onde nasceu Alberto Santos Dumont, que ali viveu seus primeiros anos. A decisão se deve à falta de recursos. Os quatro funcionários não recebem salário desde abril de 2018.

“O fechamento é uma forma de reivindicar. Vamos parar para ver se a prefeitura faz o repasse da verba”, afirma Mônica Castello Branco, curadora e coordenadora do museu. O repasse mensal é da ordem de R$ 12,6 mil.

Fundado em 1973, o museu é administrado por um triunvirato – Fundação Casa de Cabangu, Prefeitura de Santos Dumont e Aeronáutica, representada pela Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), que funciona em Barbacena.

Devido à decisão, o público não terá acesso ao acervo abrigado na casa onde Santos Dumont nasceu, com os objetos pessoais do inventor, e o prédio da administração, onde ficam réplicas de suas criações e algumas curiosidades a respeito dele. Situado na Serra da Mantiqueira, o museu está localizado no chamado Parque Cabangu – administrado pela Aeronáutica, continua aberto.

“Antigamente, o museu era vinculado à prefeitura. Desde 1995, há um acordo de repasse de verbas para a fundação, que ficou responsável pelo salário dos funcionários. Como não houve repasse, a fundação também está inadimplente com suas obrigações trabalhistas”, explica Mônica Castello Branco, filha do fundador do museu, Oswaldo Henrique Castello Branco, e irmã do atual presidente, Tomás Castello Branco.

José Geraldo de Almeida, secretário de Administração de Santos Dumont, informa que, em junho de 2018, foi renovado o convênio entre a prefeitura e a fundação relativo à verba de R$ 12,6 mil. “Fizemos o pagamento da primeira mensalidade em julho. A partir de agosto, o prefeito Carlos Alberto de Azevedo decidiu suspender temporariamente os repasses para várias instituições, não só para Cabangu. Com a crise financeira do estado, deixamos de receber o repasse do governo estadual”, afirma Almeida De acordo com ele, o município de Santos Dumont deixou de receber R$ 13,4 milhões.



CRISE


Mônica Castello Branco afirma que a verba recebida em julho custeou os salários até março de 2018. A crise não é inédita na trajetória do museu. Em 2017, a instituição ficou fechada por 20 dias pela mesma razão. “Fizemos tipo um choque e, na época, a prefeitura saldou todas as dívidas”, informa.

De acordo com ela, em 7 de janeiro houve a reunião que decidiu pelo fechamento. “Demos prazo até o dia 14 para que a prefeitura se manifestasse. Como isso não ocorreu, decidimos fechar.”

José Geraldo de Almeida, que visitou Cabangu na tarde de ontem, afirma que a Prefeitura de Santos Dumont não foi notificada a respeito da decisão. “Se o museu continuar fechado, teremos que entrar com uma medida judicial”, avisou.

De acordo com o secretário, como os repasses do governo estadual voltaram a ser feitos, a previsão é de que em fevereiro a prefeitura pague “50% da dívida atual”.

INFÂNCIA

A relação de Santos Dumont com Cabangu teve dois períodos: a primeira infância, até a mudança da família para Ribeirão Preto (SP), e o final da década de 1910 e início dos anos 1920. Em 1918, ao receber do governo brasileiro a casa de seu nascimento, o inventor comprou as terras subjacentes e passou a criar gado na propriedade. Passou temporadas em Cabangu até 1927. Depois, não mais voltou.

Com a morte de Santos Dumont, em 1932, o sonho de fazer dali um museu começou a tomar forma. O nome da cidade na Zona da Mata mudou de Palmira para Santos Dumont.

A Fundação Casa de Cabangu, formada por 50 moradores do município, foi criada em 1949. O museu nasceu 24 anos mais tarde. Como o acesso era complicado, foi construída a BR-499, com 16 quilômetros, que separam o museu da entrada de Santos Dumont.



CARTOLA

Ao longo dos anos, a família do inventor acompanhou o trabalho realizado pela fundação. Familiares doaram objetos pessoais de Santos Dumont à instituição. Integram o acervo o chapéu Panamá e a cartola de Santos Dumont, bem como guarda-chuvas e bengala.

Móveis originais da pequena casa também estão lá: a cama; dois bustos do aviador; a mesa redonda de três pés (há quatro cartas de Santos Dumont explicando como ela deveria ser construída); o lavatório adornado por uma pintura que mostra o povo recebendo Santos Dumont chegando ao Brasil, em 1903; e um desenho original do cartunista francês Sem, amigo próximo do mineiro.

Outro atrativo da casa é o banheiro. Em 1920, Santos Dumont inventou uma ducha aquecida e a instalou na propriedade.

O Museu Cabangu recebe dois mil visitantes por mês, em média. Com entrada franca, cobra taxa de R$ 2 por pessoa apenas aos sábados e domingos.

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Santos Dumont


Um dos inventores mais importantes do mundo, o mineiro Alberto Santos Dumont projetou, construiu e pôs para funcionar os primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Ficou famoso ao contornar a Torre Eiffel, em Paris, a bordo do Dirigível nº 6, em 1901. Foi também pioneiro ao decolar a bordo de avião impulsionado por motor a gasolina, em 1906, na capital francesa. Os brasileiros o consideram o Pai da Aviação, a bordo do célebre 14 Bis, mas a invenção é também creditada aos irmãos Wright, dos EUA, e ao francês Clément Ader. Homem rico, ele se mudou para a Europa no fim do século 19, onde se apaixonou pelo balonismo e se dedicou a seus experimentos aéreos. Em 1915, sofrendo de depressão, voltou ao Brasil e passou a se dividir entre o país natal e a Europa. Em 1926, apelou à Liga das Nações para que aviões não fossem usados como armas de guerra. Santos Dumont se suicidou em 1932, aos 59 anos, no Guarujá (SP).


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