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Como pequi e vinho ajudam a combater a obesidade

Conheça detalhes de estudo desenvolvido em Minas


postado em 08/03/2020 04:00 / atualizado em 08/03/2020 12:01

Pesquisador Sérgio Souza Santos entre os doutorandos Daniel Morais e Jaciara Neves: equipe estudou os efeitos do pequi para a perda de peso e combate a doenças metabólicas(foto: Fernando Oliveira/Divulgação)
Pesquisador Sérgio Souza Santos entre os doutorandos Daniel Morais e Jaciara Neves: equipe estudou os efeitos do pequi para a perda de peso e combate a doenças metabólicas (foto: Fernando Oliveira/Divulgação)
 
Sobre a mesa, chama a atenção o saboroso prato arroz com pequi. Ao lado da iguaria, uma taça de um vinho tinto de boa qualidade. Pode até parecer, mas o assunto tratado aqui não é o cardápio de nenhum restaurante sofisticado. O tema abordado é saúde.

O pequi e o vinho são aliados no combate à obesidade e ao colesterol alto, servindo também para a prevenção de outras doenças, como diabetes. A descoberta é resultado de uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) em parceria com o Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Montes Claros.


O estudo revela que o ácido gálico, encontrado na uva, no vinho, no café e em algumas plantas e frutos do cerrado – como o pequi, pode contribuir para a queima de gorduras. O resultado, apresentado em artigo publicado em revista científica internacional, poderá subsidiar estudos relacionados ao tratamento de obesidade e de outras doenças metabólicas.
 
O experimento foi iniciado em 2012. Desde então, foram realizados testes do ácido gálico em cobaias, a fim de observar os efeitos da substância na perda de peso. “Induzimos a obesidade nos camundongos, com uma dieta rica em lipídios, carboidratos, gorduras e açúcar – e que são comuns na dieta humana, principalmente, por parte de pessoas que têm uma alimentação desregulada.

Num intervalo de dois meses, os camundongos se tornaram obesos. Em seguida, nós iniciamos o tratamento, dando a eles o ácido gálico por mais de 30 dias”, relata um dos responsáveis pela pesquisa, o professor Sérgio Henrique Sousa Santos, do PPGCS/Unimontes e da UFMG.
 
Ele afirma que, um mês após o inicio dos testes da substância encontrada no pequi e no vinho, foram observados os primeiros resultados. “O grupo de camundongos obesos que recebeu o ácido gálico teve redução de gordura e diminuição do triglicérides e do colesterol, mostrando que a substância gera efeitos benéficos para a saúde”, assegura Sérgio Santos, doutor em ciências biológicas e pós-doutor em ensaios farmacológicos.
 
“Os principais resultados que observamos é que o uso do ácido gálico em modelos animais com doenças metabólicas, especialmente obesidade, diabetes e colesterol elevado, pode proporcionar benefícios e reduzir parâmetros associados com essas doenças. A substância diminui o colesterol LDL em camundongos obesos e reduz a gordura, ativando a termogênese, que é a produção de calor através da queima do estoque de gordura do tecido adiposo”, relata o pesquisador.

O estudo envolveu professores e alunos do programa de pós-graduação (mestrado e doutorado) em ciências da saúde da Unimontes e do curso de graduação em engenharia de alimentos do ICA/UFMG em Montes Claros.
 
O professor Sérgio Santos lembra que o pequi, conhecido como o fruto símbolo do cerrado, e o vinho entram na categoria dos alimentos funcionais. “São os alimentos que devemos consumir regularmente porque têm componentes benéficos para a saúde.”
 
O pesquisador salienta que a obesidade, o diabetes e o colesterol elevado são doenças que estão associadas com o excesso de calorias, que, muitas vezes, não é queimado pelo organismo. O pequi e o vinho auxiliam no combate às doenças por elevar a queima calórica. “Esses alimentos aumentam a termogênese – queima de gordura. Ou seja: o estoque de gordura depositado no organismo vira calor”, explica Sérgio Santos.
 
 
Expectativa é produzir e comercializar o ácido gálico em cápsulas, extraído da casca do pequi(foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press)
Expectativa é produzir e comercializar o ácido gálico em cápsulas, extraído da casca do pequi (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press)

Alimento funcional

 
Nativo do cerrado, o pequi (Caryocar brasiliense) é produzido em larga escala no Norte de Minas, onde, no período da safra (de dezembro a fevereiro), o fruto se torna o sustento alimentar de milhares de famílias, além de gerar renda nos pequenos municípios. Há alguns anos, foi agregado valor ao fruto com a produção do pequi em conserva e de derivados, como a polpa e a farinha de pequi.
Mas, para fazer bem à saúde, de que maneira o fruto de forte sabor e de cor amarelada deve ser inserido na alimentação? “O pequi deve ser consumido como um alimento funcional, de forma regular na dieta, sem excessos”, orienta Sérgio Santos. Ele acrescenta que para a pessoa que mantém estoque do pequi congelado em casa, o ideal é que faça o consumo do produto uma ou duas vezes por semana.
 
O pesquisador da Unimontes e da UFMG ressalta que foi constatada maior concentração do ácido gálico (a substância que gera os efeitos positivos para a saúde) na casca do pequi, que ainda é largamente descartada. Ele acredita que, com o avanço dos estudos, dentro de pouco tempo, será possível produzir e comercializar o ácido gálico em cápsulas, para o auxílio ao combate à obesidade e ao colesterol, extraído da casca do pequi.
 
Em Montes Claros, na primeira semana de fevereiro, foi realizada a 29ª Festa Nacional do Pequi. O uso do fruto símbolo do cerrado é potencializado com outros eventos, como o “Arroz com pequi da Feli”, promovido pela jornalista e colunista social Felicidade Tupinambá. Ela conta que, quando começou a realizar o encontro, o fruto era visto apenas como uma comida das pessoas mais simples. Hoje, o pequi é “um prato disputado nos bufês”, observa Felicidade, salientando que o resultado da pesquisa sobre as suas vantagens para a saúde vai alavancar ainda mais o consumo do produto, também fomentado pelas festas e eventos relativos ao produto, oriundo do extrativismo.
 

MELHORA DO METABOLISMO


O professor Sérgio Souza Santos ressalta que, há séculos, sabe-se que o vinho tem como um dos componentes o resveratrol, responsável por ativar no organismo as sirtuínas, enzimas que ajudam a queimar gorduras, previnem o envelhecimento e melhoram o metabolismo. “E nós mostramos que o ácido gálico também ativa as sirtuínas. O ácido gálico que está presente no vinho e em outros alimentos gera também queima calórica.”
 
Ele salienta que o vinho de boa qualidade – feito de boas uvas, sem açúcares, ajuda no controle da hipertensão e da obesidade e auxilia na perda de peso. “Existem estudos que indicam que o consumo regular de uma taça de vinho, diariamente, pode queimar calorias até o equivalente a 30 minutos de caminhada. Então, um vinho tinto de qualidade pode ser um aliado, claro, para pessoas que têm condições de consumir, sem doenças hepáticas, que não sofrem com o alcoolismo e não têm outras doenças nas quais o álcool possa interferir”, garante o pesquisador. 
 
 


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