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Estado de Minas AQUECIMENTO

Geleiras suíças perdem 2,5% de seu volume em 2018


postado em 20/10/2018 07:00 / atualizado em 23/10/2018 15:54

(foto: Fabrice Coffrini/AFP)
(foto: Fabrice Coffrini/AFP)
 

Genebra, Suíça – O ano de 2018 foi de extremos para as geleiras suíças, que, apesar de um inverno com muita neve, perderam 2,5% de seu volume devido às altas temperaturas na primavera e no verão. Segundo um relatório publicado esta semana pela Academia de Ciências Naturais do país, em 2018, as geleiras suíças perderam “um quinto de seu volume durante esta última década”. E isso apesar de, depois de três anos de pouca neve, o inverno 2017-2018 se anunciar mais propício para as geleiras graças a grandes nevascas.


De fato, é a camada de neve que cobre as geleiras que impede que afundem. “Até o fim de março, ainda restava, acima dos 2 mil metros, mais que o dobro da neve que o normal e a espessura do manto era elevado ao registrado nos últimos 20 anos”, afirmaram os cientistas.


As importantes nevascas de inverno se viram contra-atacadas pelas elevadas temperaturas e a seca extrema a partir de março. “O verão passado (junho-agosto) foi o mais quente depois de 2003 e 2015”, segundo o MétéoSuisse, e o período abril-setembro foi, “de longe, o mais quente jamais registrado no país”, assinalaram os especialistas.


No cume do Weissfluhjoch (2.540 m), por exemplo, onde se encontra o instituto suíço para o estudo da neve e avalanches, não houve uma única nevasca superior a 1cm entre 17 de maio e 4 de setembro. Situação que nunca havia ocorrido desde o início dos registros, há 81 anos. Este calor, em conjunto com a seca, “não só derreteu grandes quantidades de neve (às vezes até cinco metros nas geleiras), como também derreteu o gelo”, disse Matthias Huss, chefe da Rede Suíça de Registros Glaciológicos (Glamos), que mede e analisa as geleiras todos os anos.


DESAPARECIMENTO COMPLETO Para os especialistas suíços, a evolução das geleiras em seu país é um reflexo do que acontece em nível planetário. “O recuo das geleiras está diretamente relacionado à mudança climática”, disse Huss. “As geleiras são muito suscetíveis a altas temperaturas do ar, e estas estão claramente relacionadas às altas concentrações de CO2 na atmosfera”, explica.


Se o aquecimento continuar nesse ritmo, adverte o especialista, “muitas pequenas geleiras desaparecerão completamente e as maiores geleiras continuarão a recuar muito. Em 20 anos, podemos continuar a admirar geleiras, como o grande glaciar Aletsch (o mais importante dos Alpes, no Sul da Suíça), mas o desaparecimento das geleiras continuará a acelerar”, concluiu.


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