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Prontos para comer

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a idade ideal para iniciar a introdução alimentar é aos 6 meses, mas isso desde que a criança já consiga se manter sentada sozinha


postado em 31/03/2019 05:08

Em linhas gerais, a introdução alimentar consiste na inclusão de alimentos na dieta do bebê em complemento ao leite materno. O processo conta com diversas orientações, tanto da Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto das associações de pediatras, nutrólogos e nutricionistas. Para a OMS, a introdução alimentar só deve ser iniciada a partir dos 6 meses de idade e se o bebê conseguir se manter sentado com autonomia.
Elza Mello, nutróloga pediátrica da Associação Brasileira de Nutrologia, ressalta que é fundamental, independentemente da idade, que a criança já tenha desenvolvido o tônus cervical, firmando a cabeça e o pescoço. Isso garante que o bebê consiga engolir sem engasgar. “Alguns bebês prematuros desenvolvem mais tarde, enquanto outros se firmam a partir dos 5 meses.”
Apesar da recomendação dos 6 meses, muitas famílias, com o fim da licença-maternidade, se veem obrigadas a oferecer alimentos sólidos antes. Esse foi o caso de Sarah, que iniciou a introdução alimentar de Maria Clara aos 5 meses, porque voltaria ao trabalho e a filha começaria a frequentar a creche.
Os profissionais explicam que, desde que o processo seja feito com acompanhamento médico adequado, isso pode ocorrer sem problemas. Sarah, antes de iniciar, obteve o aval do pediatra e da nutricionista de Maria Clara, que avaliaram que a criança contava com os reflexos e o tônus necessários.

CAUTELA O ideal, segundo os profissionais, é esperar os 6 meses, mas, quando não é possível, eles recomendam que sejam observados os seguintes aspectos: a criança senta sozinha? Consegue posicionar a cabeça? Tem o movimento da língua que possibilita a deglutição e a mastigação.? Elza explica que, caso ela não tenha ainda essa condição, os riscos de engasgo aumentam consideravelmente, não sendo permitido o início da introdução alimentar.
O método BLW consiste na oferta de alimentos complementares em pedaços, tiras ou bastões. Há controvérsias sobre a técnica, devido ao risco de engasgo e, a depender de como o bebê se alimenta, da baixa oferta de ferro e calorias.

Mix de legumes e verduras

A alegria de Luiz Felipe Azevedo Pedroso, de 3 anos, correndo pela casa e empolgado para ir ao jardim pegar manjericão, e o interesse de Emanuel Azevedo Pedroso, de 1, pela equipe de reportagem durante a entrevista, engatinhando por todo o sofá e abraçando a gata de estimação, refutam de uma vez por todas a tese de que crianças que não comem carne não têm energia.
Os meninos têm pais vegetarianos e, desde o início da introdução alimentar, nunca tiveram contato com nenhum tipo de carne. A professora Danielle Silva Azevedo, de 35, se tornou vegetariana em 2010, com a ajuda do marido, o tatuador Leandro Augusto Pedroso, de 38, que deixou de comer proteína animal aos 17.
Danielle conta que já tinha o desejo e, com o hábito do marido, conseguiu se adaptar. Aos poucos, a mãe dela também aderiu à dieta sem carne e, quando o primeiro filho nasceu, o natural para a família foi educá-lo da mesma forma.
Danielle conta que, no início da introdução alimentar de Luiz Felipe, a pediatra foi contra e queria oferecer proteína animal, mas a família se recusou. Para garantir a nutrição adequada do primogênito, Danielle e Leandro buscaram profissionais especializados e seguiram fazendo uma mistura do método BLW e do tradicional – técnica repetida hoje com o mais novo.
A mistura dos métodos foi o ideal para a família, por conta da praticidade. Danielle afirma que nem sempre eles têm tempo de fazer o BLW e que, no início, Luiz Felipe teve um pouco mais de dificuldade em se adaptar ao método e se acostumar a comer sozinho. Mas a família adere à técnica sempre que pode.
No almoço, por exemplo, momento em que toda a família consegue se reunir para comer, Danielle e Leandro se revezam para alimentar Emanuel na boca. O momento é especial, tanto que investiram em uma mesa grande. “É quando conseguimos juntar a família toda, muito importante para a nossa união. Mas como é antes da escola e do trabalho, precisamos agilizar e não dá tempo de deixá-lo comer sozinho”, explica a professora.

CORES E SABORES Para suprir as necessidades de proteína e ferro dos filhos, Danielle e Leandro sempre oferecem feijão, grão-de-bico, lentilha e vegetais verde-escuro, entre outros. O estilo de vida segue a linha mais saudável possível. As crianças nunca tomaram refrigerantes e Luiz Felipe, de vez em quando, tem autorização para chupar um pirulito. “Ele não gosta muito de doce, então dura o dia todo. Vez ou outra, deixamos comer chocolate sem recheio e sem nada extra”, detalhe Danielle.
Kelly Luchtemberg Ferro, nutricionista clínica funcional, explica que o processo de introdução alimentar de pais veganos e vegetarianos é o mesmo dos carnívoros. Para todos, é importante investir na variedade de cores e sabores, mas é necessário ter uma atenção maior no que diz respeito à ingestão de nutrientes específicos, como vitamina B12 e ferro. A profissional ressalta ainda que não existe relação de maior deficiência nutricional em bebês que não comem carne, uma vez que a alimentação é complementar, e não a principal fonte de nutrientes.

BLW x método tradicional

Para a nutricionista clínica funcional Kelly Luchtemberg Ferro, o processo de introdução alimentar vai além do ato de comer e, por isso, é um momento tão importante na vivência do bebê. “É uma fase de novidade para o organismo, incluindo a parte sensório-motor. É conhecer um novo mundo com todos os sentidos: tato, olfato, audição, visão e, por fim, paladar.”
Considerando a importância da introdução alimentar, Kelly costuma recomendar o método BLW ou uma combinação entre o tradicional e o guiado pelo bebê. O tradicional consiste em comida amassada no garfo, com ingredientes in natura separados ou misturados uns aos outros e oferecidos ao bebê com o talher, podendo ou não, a depender da idade, ter pedaços maiores para a estimulação sensorial.
A pediatra Nathália Sarkis, do Centro de Medicina Fetal e Gestação de Alto Risco do Hospital Santa Lúcia e membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explica que as técnicas usadas antigamente, nas quais os alimentos eram batidos no liquidificador e passados na peneira, não são mais recomendadas pelos profissionais da saúde.

ESCOLHA No BLW, os alimentos são colocados à disposição do bebê para que ele mesmo os escolha e os leve à boca. Nathália ressalta que esses são os dois métodos oficiais reconhecidos pela SBP. Existem guias criados por nutricionistas, nutrólogos e pediatras que orientam como os cortes devem ser feitos nos alimentos para ser oferecidos aos bebês, a depender da idade. Nas consultas e nos acompanhamentos médicos, os profissionais ensinam aos pais os cortes mais seguros.
Além disso, as organizações de saúde recomendam que sejam respeitados o tempo e a vontade do lactente, não havendo imposição de alimentos quando a criança não demonstrar interesse, assim como no caso da amamentação, na qual é orientada a livre demanda.
A nutróloga pediátrica Elza Mello adverte, porém, que, mesmo respeitando os horários e a demanda do bebê, o ideal é que não tenha acabado de mamar nem que esteja com muita fome na hora da refeição. “Se ela estiver louca de fome, não vai ter paciência para engolir e experimentar os alimentos. E, se estiver muito satisfeita pelo leite, não vai ter interesse”, justifica. (AC)


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