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Estado de Minas

Atenção ao prenúncio de câncer


postado em 02/12/2018 05:02

 Depois do tratamento, o jornalista João Henrique Faria não deixa de usar protetor solar(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press )
Depois do tratamento, o jornalista João Henrique Faria não deixa de usar protetor solar (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press )

 

 




A ceratose actínica, também chamada de ceratose solar, é considerada doença pré-cancerosa. De origem solar e dermatológica, muito comum em indivíduos de pele e olhos claros, é caracterizada por áreas descamativas e irritativas que acometem as partes do corpo expostas ao sol, principalmente em acúmulo ao longo da vida. Pode se manifestar em vários pontos da pele, principalmente face, couro cabeludo, colo, dorso do braço e antebraço. É conhecida, ainda, como ceratose senil, por ser corrente em pessoas idosas. Mesmo corriqueira, demanda tratamento específico para evitar problemas graves. A maioria das lesões, chamadas ceratoses, são benignas, porém, cada lesão tem 10% de chances de progredir para um tumor maligno, podendo predispor ao carcinoma espinocelular.

Há 12 anos, João Henrique Faria, de 56,  jornalista, agora atuante no ramo do marketing político, se deparou com a patologia. No princípio, surgiu uma ferida do lado direito do nariz, bem na ponta, que sangrava muito. João se lembra de acordar com os travesseiros sujos de sangue. Sem pestanejar, procurou um dermatologista, que constatou se tratar de um prenúncio de câncer de pele. “Ele examinou meu corpo todo e diagnosticou a ceratose actínica. Tenho a pele muito branca, quando tomo sol, logo fico vermelho e descasco. A doença vem do excesso de sol pela vida toda, desde a infância e adolescência, e se manifesta mais tarde. Eram pequenas manchas, que causavam escamação no rosto e no ombro. Feriu os dois lados do ombro, próximo da clavícula, e o nariz. A biópsia não revelou câncer, mas pré-câncer”, conta João Henrique.

De lá para cá, os sintomas se pronunciaram em outras duas ocasiões, acometendo também o couro cabeludo, a testa e os lábios. Desde a descoberta da doença, o jornalista foi submetido a cirurgias e outros tratamentos. A partir daí, toma uma série de cuidados, como uso de bloqueador solar, chapéu, faça ou não sol – ele já aprendeu que o mormaço é suficiente para atingir a pele negativamente. Além das consultas rotineiras, de acompanhamento, firmou compromisso com a prevenção. “Conheço pessoas que chegaram a perder o nariz. O cuidado é para o problema não se enraizar e alastrar pelo corpo. Ir ao médico pelo menos uma vez por ano para dar uma geral e saber como está a saúde é mais do que necessário. Na pele é visível, pelo tato já percebo. Mas tem problemas invisíveis”, pondera.

CUIDADOS

Mesmo com o medo inicial no instante da descoberta, de a doença evoluir para um mal concreto, complicado, João conta que convive bem com o transtorno. “Você pode pensar que não deve ser nada, passa um remédio, dá casquinha e sara, mas não é bem assim. No meu caso, fui ao médico no momento certo, quando ocorreu, e não houve evoluções negativas. Hoje, vou à praia, entro no mar, aproveito normalmente férias, fim de semana. Quando sei que vou me expor ao sol, me protejo. Só no uso diário do filtro solar é que sou um pouco relapso”, não esconde. (JG)






palavra de especialista

Gisele Viana
dermatologista, titular da SBD e membro
da SBCD e American Academy of Dermatology (International Fellow)


Diagnóstico tem de ser rápido


Alguns tipos de câncer de pele são mais agressivos e podem evoluir facilmente para uma metástase. Outros são mais brandos. Entre os principais tratamentos estão a cirurgia em diversas modalidades (convencional, micrográfica e criocirurgia), a terapia fotodinâmica e as cauterizações. Os procedimentos sempre devem ser acompanhados de medidas de fotoproteção e avaliações dermatológicas. Bastam poucos minutos de exposição ao sol para auxiliar na absorção da vitamina D. Não é preciso se expor por longos períodos para garantir a saúde. Porém, é fundamental adotar cuidados específicos para a pele, prescritos pelo dermatologista. O uso de guarda-sol é pouco eficiente contra o câncer de pele, já que boa parte da radiação solar provém de raios que se refletem a partir do chão. Nos momentos de lazer ou no trabalho ao ar livre, o indivíduo deve prevenir a exposição solar sem a devida proteção – invista em fotoprotetores, roupas (há algumas que têm proteção ultravioleta na malha) e limite o número de horas de exposição. É mais comum que o câncer de pele surja em pessoas mais velhas, uma vez que elas passaram mais tempo expostas à radiação solar. Entretanto, a doença também pode acometer crianças, devido a fatores genéticos. Inclusive, a hereditariedade influi no desenvolvimento do câncer de pele, mas há outros fatores envolvidos. As partes do corpo mais suscetíveis ao mal são as áreas que ficam expostas, como o rosto, os braços e as mãos – em homens calvos, a região da cabeça e, em mulheres, a região pré-esternal (decote) e as pernas. Contudo, o problema também pode aparecer em locais que nunca foram expostos ao sol, como a genitália. O diagnóstico é realizado por dermatologistas, por meio de exames durante a consulta. Além da avaliação clínica, podem ser realizados a dermatoscopia, o mapeamento com auxílio de equipamentos e a biópsia das lesões suspeitas. A biópsia é feita por um cirurgião plástico ou dermatologista, depois da anestesia da pele e com utilização de técnica cirúrgica estéril.  Trata-se de um procedimento que deve ser sempre orientado por um médico. O câncer  de pele tem cura na maioria das vezes. É importante ressaltar que o diagnóstico precoce garante grandes chances de melhora total.


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