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Estado de Minas

Mexerica ganha espaço nas fazendas mineiras

Produção da fruta se destaca no estado, segundo maior fornecedor do país, em função das suas variedades, com destaque para o Sul de Minas. Controle de praga é o desafio


postado em 06/11/2017 06:00 / atualizado em 06/11/2017 08:57

Plantação em Campanha, no Sul de Minas: ponkan é a espécie mais cultivada na região, enquanto a rio é plantada no Norte(foto: Rafael Arcuri/Divulgação)
Plantação em Campanha, no Sul de Minas: ponkan é a espécie mais cultivada na região, enquanto a rio é plantada no Norte (foto: Rafael Arcuri/Divulgação)

Tangerina, mexerica, bergamota, tanja. Conhecida por diversos nomes – dependendo da região em que ela é vendida e consumida –, fato é que o cultivo dessa fruta cítrica de cheiro forte tem crescido nos últimos anos, levando Minas Gerais a ocupar a segunda colocação entre os maiores produtores do país, atrás apenas de São Paulo.


Para se ter uma ideia, a tangerina é a quarta fruta mais produzida no estado, depois da laranja, banana e abacaxi. Os dados mais recentes, de 2015, apontam que há em Minas Gerais 7,6 mil hectares de plantação de tangerina, que representam anualmente algo em torno de 186 mil toneladas da fruta.

A liderança na produção mineira é da tangerina ponkan, aquela maior e de casca mais grossa, cultivada especialmente em Belo Vale e Campanha, onde estão as maiores produções do estado. Mas Minas Gerais também se destaca no plantio da mexerica murcott e rio, conhecida ainda como montenegrina.

Essa espécie é caracterizada por ter um tamanho menor, casca lisa e um cheiro bem mais forte. Com o fim da safra da ponkan, em outubro, começa a temporada das mexericas rio e Murcott, que vai até março ou abril.

Minas Gerais se destaca em razão das condições climáticas, favoráveis ao cultivo da fruta em diversas regiões, além de ter a vantagem de as produções não concorrerem entre si ao longo do ano. Na região Sul, por exemplo, a safra se dá de abril a outubro. Já no Norte, o forte é entre dezembro e março.

“Então, se você não tem a fruta no Sul, vai ter no Norte. Há uma janela comercial para os produtores. Trata-se de uma boa opção para a agricultura atual, temos áreas com boa produtividade, os preços são razoavelmente bons”, pondera Dalton Londe Franco Filho, presidente da Comissão de Fruticultura da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg).

Segundo o Sindicato dos Produtores Rurais de Campanha, boa parte da produção mineira vai para outros estados. As frutas cultivadas no Sul seguem para São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Aquelas originadas em Belo Vale e Brumadinho são enviadas para Belo Horizonte e Brasília. A plantação do Norte, que é bem menor que no restante do estado, é predominantemente para consumo interno.

Doença greening, que dizimou pomares em São Paulo, é combatida com inseticidas, o que eleva o custo de produção(foto: Faemg/Divulgação)
Doença greening, que dizimou pomares em São Paulo, é combatida com inseticidas, o que eleva o custo de produção (foto: Faemg/Divulgação)

Greening

Mas ao mesmo tempo em que Minas Gerais comemora índices de produção da mexerica, os produtores se veem às voltas com um inimigo: o greeningou huanglongbing (HLB) – a pior doença dos pomares das frutas cítricas e que já devastou plantações em todo o país. A doença é causada pela bactéria Candidatus liberibacter asiaticus, transmitida pelo inseto Psilídeo diaphorina citri. As folhas ficam amareladas e os frutos deformados, e a única solução para exterminar a doença é arrancar a planta e a raiz.

“Minas passou a se destacar na produção quando a doença de greening chegou em São Paulo, dizimando vários pomares de laranja e ponkan. Muitos produtores mudaram de ramo, para não ter que enfrentar a doença. Mas agora ela já chegou também em Minas, e estamos lutando e tentando controlá-la”, diz Rafael Arcuri, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Campanha. Segundo ele, o tratamento tem um alto custo, o que encarece a produção e tem penalizado o agricultor.

Uma planta sem a doença dura até 25 anos. Contaminada, a solução é arrancar a planta doente – o que representa um enorme prejuízo para quem vive da produção. Produtor em Campanha, Rafael Arcuri lamenta a dificuldade em combater a doença.

“Evitar a entrada é difícil. Essas doenças são propagadas no mesmo estilo da dengue, um mosquitinho que passa de uma planta para outra. A gente tem então que pulverizar alguns tipos de inseticida para diminuir a transmissão da doença, o que está encarecendo muito o custo da produção”, diz ele, que adotou políticas de combate ao greening há três anos.

Como se não bastasse o greening, outro fantasma assombra os produtores: o cancro cítrico. Por enquanto, a doença não chegou em Minas Gerais, mas ela é transmitida por uma bactéria, a Xanthomonas citri, que afeta todas as espécies e variedade de frutas cítricas.

A doença chegou ao Brasil em 1957, no Paraná e São Paulo, e causa desfolha das plantas, lesões nos frutos, redução na produção com a queda prematura dos frutos e restrição da comercialização da produção. “O cancro não existe em Minas. Mas o nosso grande receio é que ele chegue aqui”, diz Arcuri.

Saiba mais...

Seja qual nome receber país afora, as tangerinas (São Paulo), mexericas (Minas Gerais), bargamotas (Rio Grande do Sul), mimosas (Paraná) ou tanjos (Piauí e Maranhão) não são a mesma fruta. As mexericas são variedades da tangerina, planta asiática que chegou ao Brasil no final do século 19. Elas se diferem pelo tamanho, tipo de casca e quantidade de suco que produzem.

» Tangerina ponkan – É a mais conhecida de todas, tem a casca esverdeada e fácil de tirar e os gomos se separam com facilidade. É produzida principalmente em Minas Gerais e São Paulo.

» Mexerica – Tem a casca lisa, alaranjada e colada aos gomos, com cheiro forte. É mais ácida que a ponkan.

» Murcott – É resultado do cruzamento da ponkan com a laranja pera. É mais doce e tem cor forte. Indicada para fazer suco.

Fonte: Sindicato dos Produtores
Rurais de Campanha

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