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AEB prevê que 2017 será de crescimento expressivo para as exportações do agronegócio

Estudo da associação de exportadores do Brasil espera ano próspero em receita de embarques e preços dos principais produtos do campo no exterior, liderados pela soja


postado em 16/01/2017 10:00 / atualizado em 16/01/2017 10:15

(foto: Café Orfeu/Divulgação - 31/10/16)
(foto: Café Orfeu/Divulgação - 31/10/16)
O ano de 2017 será de crescimento expressivo para as exportações do agronegócio brasileiro, segundo estudo feito pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), contendo projeções sobre os embarques e as cotações das principais estrelas da pauta de vendas externas do país. Levando em conta os diversos cenários, as previsões apontam variações importantes na receita das vendas ao exterior e nas cotações médias deste ano em relação ao que foi efetivado em 2016. Produtos como soja, café, carne, fumo, açúcar e algodão vão pesar favoravelmente na balança comercial do Brasil.

De acordo com a AEB, a soja em grão permanecerá, pelo terceiro ano, na liderança da exportação do agronegócio do Brasil, com previsão de faturar U$210,660 bilhões. A cotação projetada para 2017 indica alta de 1,6% e a expectativa é exportar 57 toneladas ao preço de US$ 380 por tonelada. Entre os maiores itens das vendas externas do campo também está o frango, com projeção de embarques de 4,2 toneladas, rendendo R$ 6,3 bilhões.

A lista dos principais produtos de exportação do Brasil para 2017 abriga, ainda, o farelo de soja, café e milho em grãos, carnes bovina e suína, fumo em folhas, algodão e açúcar em bruto, além de bovinos vivos. Todos os produtos considerados compõem uma estimativa de receita de US$ 91,7 bilhões para o Brasil, neste ano, em venda de produtos básicos ao exterior. A cifra, se confirmada, representará acréscimo de 15,8% frente aos US$ 79,1 bilhões também estimados do valor das exportações do país nesse segmento.

Segundo o presidente da AEB, José Augusto de Castro, alguns fatores internos e externos podem interferir nas projeções feitas para a exportação. Os principais, no caso dos produtos agrícolas. estão localizados no exterior. “Os mais importantes são as grandes safras de soja e milho nos Estados Unidos, Brasil e Argentina, que poderiam provocar queda de preços e as eventuais medidas tomadas por Trump (Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos) que impactarem negativamente a China”, afirmou. Castro acredita que, como represália, a China poderia transferir importações dos EUA para o Brasil, provocando queda de preços, já que as bolsas de mercadoria americanas usam as vendas ao país asiático como parâmetro.

Outro aspecto levantado pelo presidente da AEB é uma eventual queda nas cotações de soja e milho, que poderia reduzir os preços das carnes em geral e, com isso, afetar a receita da exportação. No Brasil, José Augusto de Castro acredita que a crise política e a valorização cambial não terão impacto negativo sobre as exportações. “Os custos de produtos agrícolas são competitivos. Em contrapartida, a hipótese impensável de criação de impostos sobre esses produtos certamente teria impacto negativo sobre as exportações, podendo afetar os volumes exportados”, avaliou.

Ainda com base no estudo da AEB, o açúcar (em bruto) está no topo da lista dos itens semimanufaturados para exportação. O produto teve uma variação de 10,4% em sua cotação estimada, passando de US$ 344 por tonelada em 2016 para US$ 380 na projeção de 2017. Com isso, a receita dos embarques deverá subir de  US$ 8,307 bilhões no fechamento do ano passado para US$ 8,550 bilhões em 2017. A projeção considera embarques de 22,5 toneladas neste ano. O valor compõe uma série de produtos que tendem a gerar, ao todo, US$ 29,2 bilhões em semimanufaturados exportados pelo Brasil neste ano.

POTÊNCIA MUNDIAL Na avaliação o presidente da AEB, o Brasil já é reconhecido como uma potência mundial em alimentos em razão da produtividade das lavouras e dos criatórios, além da competitividade dos exportadores, mas pode subir ainda mais de patamar. “Se o Brasil realizar as reformas estruturais que estão sendo discutidas, permitir que o setor privado invista em infraestrutura e tome decisões para reduzir a burocracia, haverá uma redução de custos que fortalecerá ainda mais o país”, afirmou.

José Augusto de Castro acrescenta que, enquanto os EUA não têm espaço físico para expansão das atividades agropecuárias, o Brasil dispõe de extensas áreas agricultáveis sem entrar em choque com o meio ambiente. “O presente e futuro celeiro do mundo está aqui no Brasil”.

Desempenho histórico do café

As estimativas das exportações de café brasileiro em 2016, finalizadas em dezembro pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), mostram que foram exportadas em todo 34,005 milhões de sacas, gerando receita cambial de US$ 5,4 bilhões. Houve decréscimo de 8,1% em comparação com 2015, quando foram vendidas 37,018 milhões de sacas. O preço médio por saca foi de US$ 158,68.


O café teve participação de 6,4% nas exportações do agronegócio brasileiro em 2016. Se considerados todos os segmentos de exportação, essa presença foi de 2,9%. “O segundo trimestre do ano foi o mais desafiador para o segmento, devido ao período de entressafra e às reduções drásticas nos estoques. Porém, apresentamos uma grande recuperação no quarto trimestre, que foi o melhor período do ano”, explica Nelson Carvalhaes, presidente do Cecafé.

De acordo com ele, o café conilon (robusta) foi o que mais impacto sofreu em 2016 por causa de condições climáticas. O produto voltou a patamares de 1997. “Já o arábica, por sua vez, compensou esse cenário negativo, com recorde em toda a nossa série histórica de exportações”, disse.

Segundo o levantamento da Cecafé, os cafés verdes somaram 30,148 milhões de sacas (29,568 milhões de sacas do tipo arábica e 580,3 mil sacas de robusta). Os cafés industrializados somaram 3,857 milhões de sacas embarcadas em 2016, sendo 3,828 milhões de sacas de café solúvel e 29,206 mil sacas de café torrado e moído, representando aumento de 7,8% em comparação com o total exportado em 2015. Historicamente, o setor não havia registrado volumes tão altos de café arábica e café solúvel embarcados.

 

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