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Estado de Minas

Preço do feijão está menos valorizado, apesar do aumento da colheita

Alta nos preços verificada em 2016 não deve ocorrer pelo menos na primeira safra deste ano. Colheita mineira do grão deve passar das 558 mil toneladas


postado em 09/01/2017 06:00 / atualizado em 09/01/2017 08:57

Cotação do feijão está longe dos R$ 10,69 por quilo registrados em julho passado(foto: Leandro Couri/EM / D.A. Press)
Cotação do feijão está longe dos R$ 10,69 por quilo registrados em julho passado (foto: Leandro Couri/EM / D.A. Press)

Os agricultores que faturaram alto no ano passado com o plantio do feijão – a cotação do grão registrou uma de suas maiores altas  e assustou os consumidores nos supermercados –, não devem colher resultado semelhante na primeira safra deste ano. Pelo menos é isso que esperam os analistas, que apontam que o aumento da produtividade e a boa colheita, pelo menos em Minas, devem fazer com o que o valor comercializado não suba. A tendência é de estabilização dos preços.

Estimativa da Secretaria de Agricultura do estado aponta para safra de 558,4 mil toneladas neste ano em Minas, segundo maior produtor do país, atrás apenas do Paraná. Em 2016, foram 522,7 mil toneladas. Além do crescimento da produção, que ajuda a derrubar o preço, as condições climáticas para essa colheita do grão foram favoráveis e ainda há o incremento da tecnologia, que, cada vez mais, ajuda o produtor rural a ter melhores resultados.


Se para o consumidor o viés de baixa dos preços é algo a ser comemorado, o produtor experimenta o outro lado. “Este ano, o feijão deve ter o preço bem menor do que o vendido ano passado. Muita gente acabou deixando de plantar outras coisas e investiu no feijão para aproveitar a alta dos preços”, afirmou Daniel Carlos Cardoso, que é pequeno produtor em Piracema, na Região Centro-Oeste de Minas, quinta no ranking de produção do estado.

Essa percepção na prática é confirmada pelo supervisor de pesquisas agropecuárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Minas Gerais, Humberto Silva Augusto. De acordo com ele, o bom valor praticado, principalmente em meados de junho de 2016, fizeram com que muita gente se empolgasse com o grão.


Levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indica que, apesar da tendência de queda dos últimos meses, o preço para o consumidor ainda não alcançou o praticado em dezembro de 2015, quando o quilo era vendido pela média de R$ 5,12. No mesmo mês no ano passado, o valor, apesar das seguidas baixas, ficou em R$ 6,41.

No entanto, nada se compara com o preço médio de R$ 10,69 praticado em julho, segundo apurou o órgão. “Apesar de uma queda nos últimos meses, está ocorrendo uma normalização da oferta e o preço está retroagindo, mas, mesmo assim, ainda não atingiu patamares observados em meses anteriores”, disse o economista e supervisor técnico do Dieese em Minas, Fernando Duarte. Ainda segundo ele, no ano passado o preço do grão variou 25% em Belo Horizonte e quase 134% em Maceió (AL).


Para os produtores, apesar de não atingir os patamares do ano passado, a tendência apontada pela safra que está sendo colhida agora, chamada de safra das águas, não haverá queda mais acentuada do preço. A expectativa é de que permaneça o valor que vem sendo comercializado nos últimos meses. “Por enquanto, o preço está no limite e não deve cair mais que isso”, afirmou o supervisor das pesquisas agropecuárias do IBGE. Ele ressalta, no entanto, que, diferentemente de Minas, que trabalha com cenário de alta na produção, no Paraná o cenário é de safra 16% menor. Como o estado é o maior produtor do país, isso acaba por, de certa forma, equilibrar o mercado.


Apesar disso, em Minas há produtor que reclama da influência do clima. O agricultor e comerciante Marcos Antônio Mendes afirma que trabalhava com uma estimativa de colheita, mas o resultado final vai ser menor. No caso dele, a influência negativa foi causada pelo clima. “A quebra na produção vai ser grande. Só aqui na minha fazenda estamos trabalhando com queda de pelo menos 40% na produção. A expectativa era boa, mas nos últimos 15 dias não choveu o suficiente e isso afetou a colheita”, contou o produtor.  A fazenda dele fica em Paracatu, no Noroeste do estado, principal região produtora de Minas.

Unaí é campeã em produção


Em Minas, Unaí, no Noroeste do estado, é o principal produtor de feijão. Em 2015, segundo dados da Secretaria de Agricultura, o município produziu 81 mil toneladas do grão. A Região Noroeste, onde a cidade está localizada, é a campeã do estado, respondendo por 39% da safra mineira, o que corresponde a 204.734 toneladas. Lá também estão localizados os cinco municípios com maior produção. Além de Unaí, completam a lista Paracatu (49.740t), Buritis (14.400t), Bonfinópolis de Minas (13.980t) e Guarda-Mor (13.500t).


Ainda sobre a produção no estado, o Sul de Minas responde pela segunda maior safra, com 72.780 toneladas em 2016. Logo depois vêm o Alto Paranaíba (69.200t), Central (46.599t), Centro-Oeste (35.812t) e Norte de Minas (35.321t). Ao todo, em 2016, Minas Gerais produziu 522.682 toneladas do grão, o que corresponde a 19,9% da produção nacional, ficando na segunda posição. Na nossa frente está apenas o Paraná, que colheu safra de 602.900 toneladas (23%).


O que se tem verificado também, ao analisar os números da produção em Minas, é que a área plantada tem diminuído a cada ano. Em 2012, eram 411,3 mil hectares (ha.) No ano seguinte, caiu para 391,8ha. Em 2014, ficou em 376,6ha. Já em 2015, esse número era de 333,5 ha e no ano passado foi de 325ha.

 

Tecnologia

 

Enquanto o produtor ainda se vê refém das condições climáticas para potencializar sua produção, várias pesquisas vêm sendo realizadas objetivando o plantio do feijão mais produtivo, com menos influência de intempéries. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vários trabalhos vêm sendo desenvolvidos para se chegar a esse objetivo. “Busca-se a identificação de características genéticas específicas na diversidade de plantas de feijão (cerca de 15 mil amostras) para então selecionar essas plantas e cruzá-las, a fim de reunir o máximo possível de características de interesse em variedades de feijão, isto é, novos feijões que serão plantados pelos agricultores”, informa a instituição.


Ainda de acordo com a Embrapa, algumas das características que estão sendo buscadas são: a resistência a doenças, a precocidade, melhoria na qualidade do grão, além de resistência à falta de chuvas e às altas temperaturas. No caso, da precocidade, por exemplo, os estudos buscam chegar a um resultado genético em que a planta necessite de menos tempo para lavoura. O objetivo, segundo a empresa, é “estabelecer novos cultivos e menor risco climático de perdas”.


Quatro variedades de feijão que foram desenvolvidas pela Embrapa, que têm – em parte – essas características, já são usadas em Minas. O grão carioca da cultivar BRSMG Madrepérola, por exemplo, apresenta grãos que, após a colheita, demoram mais para endurecer quando comparados com outras variedades. No grão preto BRS Esplendor há melhor padronização de cor e tamanho. Já o Rajado BRS Realce tem tolerância a doenças como antracnose, crestamento bacteriano e ferrugem, por exemplo.

 

 

 

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