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Estado de Minas

Festas Juninas devem incrementar o consumo de amendoim em até 15% este ano

Festas juninas, julinas e as Olimpíadas estão gerando aumento na procura pelo grão em todo o país. Expectativa é de que o crescimento nas vendas chegue a 15% este ano


postado em 20/06/2016 06:00 / atualizado em 20/06/2016 11:07

Os doces a base de amendoim estão em alta nos meses de junho e julho(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Os doces a base de amendoim estão em alta nos meses de junho e julho (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Ingrediente presente em boa parte das comidas típicas das festas juninas, o amendoim tem pela frente três meses de muita procura. Além das tradicionais comemorações de São João que acontecem em todas as regiões do país, nos meses de junho e julho, os produtores e vendedores da semente esperam uma grande procura também durante o mês dos Jogos Olímpicos do Rio, em que muitos turistas aproveitam para conhecer pratos famosos da culinária brasileira.


Mesmo com a alta do preço do produto, a expectativa da indústria é que o consumo de amendoim cresça até 15% nos meses das festas juninas. Principalmente os doces que levam o produto, como canjica, paçoca e pé de moleque são apreciados por grande parte da população brasileira. Segundo pesquisa do Datafolha, encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), a paçoca e o pé de moleque são consumidos por 57% dos brasileiros.
“As empresas trabalham para aumentar a produção em duas datas importantes e de maior demanda neste ano: as festas juninas e Olimpíada. Para as festas, é esperado um aumento de até 15% nas vendas e, para os jogos do Rio, um crescimento de até 25%”, diz André Guedes, vice-presidente de amendoim da Abicab.


Nos últimos meses as safras de amendoim sofreram com problemas climáticos em vários países, diminuindo a oferta. No Brasil, 80% da semente é produzida em São Paulo, mas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) existem lavouras também em Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Bahia, além de pequenos cultivos familiares em vários estados de Norte a Sul.


Nos estados da região Sudeste e Sul houve problemas nas safras do primeiro semestre por causa do excesso de chuvas, o que aumentou o preço do quilo no mercado atacadista. “A produção de amendoim sofre com a falta de água, mas sofre também com o excesso. As lavouras precisam de um equilíbrio para ter boa produtividade. Este ano tivemos problemas climáticos, que, juntando com as dificuldades econômicas do comércio de maneira geral, encareceram o amendoim”, explica Ricardo Alencar, responsável pela compra da semente para a loja Villefort Atacadista. Segundo ele, o quilo, que podia ser comprado por R$ 3 no ano passado, em alguns lugares está sendo vendido por até R$ 7.


Segundo a Abicab, o consumo do amendoim aumentou 3,2% no ano passado, passando de 200 mil toneladas em 2014 para 207 mil toneladas em 2015. Neste ano os números ainda não foram fechados, mas a expectativa do setor é que o aumento na produção continue mesmo com as dificuldades climáticas. “O volume consumido no ano passado está se aproximando ao de 2012, quando chegou a 214 mil toneladas”, aposta Guedes. Entre 2010 e 2015, o consumo da semente aumentou 13% no Brasil.


A opção de vendedores e produtores de doces que usam o amendoim é diversificar as receitas para agradar os clientes. A Santa Helena, empresa do interior paulista que produz doces de amendoim, apostou nos Jogos Olímpicos para aumentar as vendas de seus produtos. A poucas semanas do início da competição na capital fluminense eles lançaram a Paçoquita Mini Esportes, com cartões que trazem curiosidades sobre modalidades da Olimpíada, como basquete, hipismo, judô, futebol e natação.


QUADRILHAS


Dono da loja Rei do Amendoim, que funciona há quatro décadas no bairro Santa Efigênia, na região Centro-sul de Belo Horizonte, Gabriel Gomes comemora as festas nos clubes e escolas da capital mineira, que se tornaram tradicionais e atraem grande público. “Nesse período temos um aumento de 50% nas vendas, tanto do amendoim quanto dos doces. É um alimento que agrada muito durante o clima frio”, conta Gabriel. Os doces do Rei do Amendoim são produzidos na fábrica da loja.


O comerciante diz que sentiu o aumento do preço da semente, mas que as paçocas e pés de moleque caíram no gosto do público mineiro, o que mantém a procura crescente. “A alta do dólar faz com que parte da produção seja destinada à exportação e alguns países, como Estados Unidos e China, usam o amendoim para confecção de alguns tipos de óleos. Ainda bem que o grão torrado, moído e a paçoquinha são tradicionais”, afirma.


Nos supermercados e redes atacadistas, os produtos destinados às festas juninas ganham espaço de destaque, com barraquinhas entre as prateleiras, o que atrai muitos consumidores. “Em Minas as comemorações dessa época são muito aguardadas pelas pessoas. As festas dos clubes e colégios consomem uma grande variedade dos produtos. No interior também existem grandes festas, que destacam as culturas típicas de cada região. Além da música caipira e sertaneja, as comidas de época são fundamentais”, diz Gabriel.

 

Saiba mais - Biodiesel

 

Nos últimos anos, pesquisadores de combustíveis alternativos voltaram as atenções para o amendoim, que tem um excelente potencial para a produção de biodiesel. Da soja, que é o vegetal mais utilizado para a produção do combustível, pode-se extrair 20% de óleo, enquanto do amendoim, algumas variedades produzem até 50% de óleo. Apesar do potencial para desbancar a soja, o amendoim ainda não é priorizado na fabricação do biodiesel por causa das pequenas áreas de cultivo, que exigem um solo mais bem tratado.

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