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Estado de Minas

Feira de gado de elite em Uberaba vai medir crise econômica

Evento internacional de genética e leilões, Expozebu recebe 1,8 mil zebuínos de nove raças até domingo. Organizadores esperam repetir faturamento de R$ 46,4 mi de 2015


postado em 02/05/2016 06:00 / atualizado em 10/05/2016 14:16

Recepção de animais, que, neste ano, levam para o gramado a expectativa de preços num cenário de turbulência na economia e alta de custos da produção(foto: Rubio Marra//divulgação - 23/4/15)
Recepção de animais, que, neste ano, levam para o gramado a expectativa de preços num cenário de turbulência na economia e alta de custos da produção (foto: Rubio Marra//divulgação - 23/4/15)

A 82ª edição da Exposição Internacional das Raças Zebuínas (Expozebu), que começou no sábado em Uberaba, no Triângulo Mineiro, servirá como termômetro, até o fim da semana, dos efeitos da crise econômica aos quais a pecuária dedicada ao gado de elite parece estar ainda a salvo, diferentemente de outros segmentos do agronegócio. Durante nove dias, estarão expostos à visitação ou postos à venda cerca de 1,8 mil zebuínos das raças brahman, gir, gir mocha, guzerá, indubrasil, nelore, nelore mocha, sindi e tabapuã. Eles carregam a expectativa dos criadores quanto à evolução dos preços e à demanda nos leilões. Temas relacionados às turbulências enfrentadas no país devem surgir nos debates previstos com a participação dos maiores criadores e importadores da espécie.


Antônio Pitangui de Salvo, diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), organizadora do eento, diz que há boa perspectiva em relação à receita proveniente da negociação dos animais, mas ressalta que o momento é de cautela. O sentimento é resultado de uma conjuntura de crise, agravada por aumento nos custos para o produtor, incluindo as despesas com o deslocamento dos animais até Uberaba, e o impacto nos gastos com a criação das condições climáticas desfavoráveis para o agronegócio em algumas regiões.


A despeito desse cenário, para Antônio Pitangui, que é também presidente da Comissão de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é necessário investir na tecnologia para melhorar o sistema de manejo dos animais, desde o nascimento, e na seleção genética. São medidas fundamentais para que a pecuária brasileira se mantenha como referência em qualidade, sanidade e sustentabilidade do rebanho. “Aqueles que continuarem no caminho correto do melhoramento vão sempre avançar. O melhoramento genético é uma ferramenta decisiva para o novo Brasil que se aproxima. Quem estiver fazendo pirotecnia vai passar pelos problemas de falta de dinheiro”, avalia.


A questão ganhou tamanha importância que o tema deste ano da Expozebu é “Genética capaz de mudar”. Feira de genética, tecnologia e negócios, o evento tornou-se polo de encontro da cadeia produtiva da carne e do leite, criando oportunidades, ainda, para a abertura de canais de exportação. É no que aposta o produtor José Henrique Fugazola, criador da raça indubrasil. Dos 80 animais produzidos anualmente nas terras dele, 30% vão para o exterior – a maior parte tendo a Tailândia como destino. “Observei uma pequena queda das vendas no mercado interno, mas para o gado de qualidade sempre haverá espaço. E a alta do dólar compensa o esforço nos embarques ao exterior”, afirma Fugazola, que tem fazendas em Batatais (São Paulo) e Naviraí (Mato Grosso do Sul).

CONFIANÇA O criador Adaldio Castilho vai apresentar 30 animais da raça paquistanesa Sindi para leilão amanhã, e se diz confiante nas negociações durante a Expozebu. “Vou colocar o que tenho de melhor e estou otimista, é uma raça de dupla aptidão (pecuária de corte e leite)”, conta ele, que cria gado em Novo Horizonte (SP). “Os preços do agronegócio estão se mantendo. Os pecuaristas é que fazem o Brasil andar. Ninguém deixa de plantar, de engordar o boi”, pondera. A análise está longe de servir a todos os setores, uma vez que o próprio empresário também atua no ramo de transporte, no qual já contabiliza perdas.


A ABCZ não divulgou estimativa de arrecadação com a Expozebu para 2016. No entanto confirma que a meta é, pelo menos, repetir a cifra de 2015, quando foram apurados R$ 46,43 milhões, com 34 remates. O valor foi o menor nas últimas nove edições do evento. Nesse período, a maior receita foi obtida em 2010, com R$ 69,8 milhões negociados em 43 remates. Naquele ano, o leilão mais caro da história da exposição, quando a posse de 75% de um animal foi arrematada, contabilizou R$ 2,76 milhões.


De acordo com Antônio Pitangui, diretor da entidade, os números não refletem necessariamente uma crise no setor. Diferentemente, houve picos em 2008 e 2010, quando os valores negociados representaram uma “distorção” em relação ao volume tradicional negociado. “Agora estamos crescendo de uma maneira mais sólida e consistente”, afirma o pecuarista.

 

AS ESTRELAS

Animais mais caros comercializados nos leilões

2007     Athena 5SR da Sara    R$ 2,128 milhões
2008     Poetisa ED Arrojo TE    R$ 1,82 milhão
2009     Sicca FIV de Garça    R$ 861 mil (metade da posse)
2010     Parla FIV AJJ    R$ 2,76 milhões (75% da posse)*
2011     Izabella FIV Fort VR    R$ 1,52 milhão (66,66% de sua posse)
2012     Rani FIV da Java    R$ 1,22 milhão (metade da posse)
2013     Zura II TE da Pontal    R$ 1,22 milhão
2014     Beluga TE da Sabiá    R$ 1,16 milhão (metade da posse)
2015     Predileta da Santarém    R$ 1,104 milhão (metade da posse)

* Maior valor obtido em 81 edições da Expozebu
Fonte: ABCZ

 

Gir leiteiro

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) vai leiloar 30 fêmeas de alto valor genético durante a 82ª Expozebu. As vacas e novilhas são fruto de mais de 60 anos de avaliações zootécnicas criteriosas para produção de leite, rusticidade, fertilidade e comportamento. De acordo com o pesquisador da Epamig Leonardo Fernandes, a empresa produz e disponibiliza genética adaptada às condições tropicais. “O produtor recebe o material genético e consegue índices ainda superiores aos observados pela Epamig, pois realiza manejo com maior investimento”, explica.

Novo programa apoia pecuarista


Criadores precisam manter investimentos em tecnologia para manejo e seleção das raças, a despeito das dificuldades impostas pela recessão(foto: JMMatos/Divulgação)
Criadores precisam manter investimentos em tecnologia para manejo e seleção das raças, a despeito das dificuldades impostas pela recessão (foto: JMMatos/Divulgação)

Aumentar a eficiência do pecuarista e a produtividade nacional. Com esse objetivo, será lançado durante a 82ª Expozebu o projeto Equação da Pecuária Eficiente, que tem a meta de coletar dados de pecuaristas e sugerir recomendações para a fazenda. O programa vai difundir a tecnologia do Boi 7.7.7, desenvolvida pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), que promove aumento de qualidade das carcaças e produção de sete arrobas na desmama, sete na recria e sete na engorda, gerando um animal no ponto de abate em dois anos.

A plataforma vai montar um banco de dados e analisar as informações enviadas por pecuaristas por meio de questionários impressos, aplicativos para celulares e formulários digitais. Baseado no tripé saúde, nutrição e genética, o programa terá três fases, todas gratuitas para o criador participante. Na primeira fase, é feito um diagnóstico no qual o pecuarista poderá identificar em qual estágio está o sistema produtivo e a produtividade, verificando seus pontos fortes e fracos. A partir daí, será possível investir em capacitação, melhorando as prátias de manejo e tornando a produção mais eficiente.

A segunda fase é de compreensão desse diagnóstico, cuja análise qualitativa será feita por um corpo técnico, formado por especialistas em cada um dos temas. A terceira e última fase se baseia na capacitação e educação dirigida desse pecuarista com especialistas para suprir as deficiências de conhecimento técnico do negócio. Engloba, ainda, a realização de cursos sobre temas estratégicos. O primeiro será realizado durante a Expogenética, em 23 de agosto. O serviço está disponível a todos os pecuaristas de raças zebuínas de corte e leite, mesmo aqueles que não são associados à ABCZ.

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