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Estado de Minas TECNOLOGIA

A beleza da imperfeição

No mundo da tecnologia ou na nossa vida cotidiana, a incompletude é uma constante que nos move adiante


06/04/2021 06:00 - atualizado 13/04/2021 11:53

Florença, na Itália, e sua beleza incomparável(foto: Walkerssk/Pixabay )
Florença, na Itália, e sua beleza incomparável (foto: Walkerssk/Pixabay )


Uma das exigências de Steve Jobs ao projetar a Apple Store foi que cada loja da marca teria o piso de Pietra Serena, um arenito cinza-azulado pelo qual ele tinha se encantado ao observar as calçadas de Florença, na Itália, dezesseis anos antes. 

É admirável saber que um empreendedor contemporâneo tenha ido buscar inspiração no berço do Renascimento, terra de Michelangelo e Leonardo da Vinci. O zelo pela beleza era uma característica marcante de Jobs e se refletia no design de cada produto da Apple.


A Síndrome de Stendhal


A beleza da arte de Florença é tamanha que alguns turistas chegam a passar mal diante do que veem. O escritor francês Stendhal foi a primeira pessoa a relatar os sintomas de vertigem, taquicardia e confusão mental ao visitar a cidade. Surgia aí a síndrome de Stendhal, ou hiperculturemia, um distúrbio psicossomático identificado em centenas de pessoas expostas a obras de arte de alto valor simbólico.

Aprendendo a amar a imperfeição


Kevin Systrom estudava Administração e Engenharia em Stanford, renomada universidade do Vale do Silício. Gostava de fotografia e tinha criado um site chamado Photobox, que permitia que as pessoas armazenassem grandes arquivos de imagens. Isso despertou a atenção de Mark Zuckerberg, que tentou contratá-lo para sua startup The Facebook. Systrom agradeceu e recusou. O motivo: tinha decidido fazer um curso de fotografia no exterior, mais precisamente em Florença.

Systrom comprou uma câmera sofisticada e lentes modernas para aproveitar ao máximo as lições e a possibilidade de retratar com fidelidade a beleza da cidade. Porém, para sua surpresa, na primeira aula o professor recolheu sua câmera. “Você não está aqui para fazer algo perfeito”. Em seguida lhe entregou uma câmera de plástico barato, da marca Holga. “Esta será a sua máquina nos próximos três meses. É hora de aprender a amar a imperfeição”. E foi assim que Systrom experimentou todo o curso de fotografia em Florença: com um equipamento que só fazia fotos borradas e quadradas em preto e branco.

Cinco anos depois, Systrom criaria uma rede social baseada em compartilhamento de fotos quadradas com a possibilidade de aplicação de filtros incríveis. Um app que permitia que qualquer pessoa pudesse expressar a sua visão de mundo por meio de belas imagens.

O que vem depois é a história que conhecemos. O Instagram se tornou um dos apps que mais influenciou a cultura na última década. Em 2012, foi vendido ao Facebook por US$ 1 bi e hoje tem mais de 1 bilhão de usuários ativos.

Wabi-sabi


Eu admiro muito um conceito japonês chamado Wabi-sabi. Ele representa uma visão de mundo com abordagem estética centrada na aceitação da transitoriedade e da imperfeição. O belo é imperfeito, impermanente e incompleto.

Uma lição para a nossa existência como indivíduos, que tantas vezes nos iludimos na busca pela inalcançável perfeição. Permitam-me fazer um convite: assim como as startups, sejamos always beta.

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