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No íntimo, Bolsonaro sabe que cometeu vários erros durante a pandemia?

Presidente falhou com negacionismo e aquisição insuficiente de vacinas. E ainda assustou Paulo Guedes


23/02/2021 04:00 - atualizado 23/02/2021 07:18

Paulo Guedes tomou susto grande com a demissão do presidente da Petrobras(foto: EVARISTO SÁ/AFP - 5/2/21)
Paulo Guedes tomou susto grande com a demissão do presidente da Petrobras (foto: EVARISTO SÁ/AFP - 5/2/21)
Conciliador, o Centrão em tese apoia reformas e negocia com o governo as contrapartidas de Paulo Guedes para compensar o gasto adicional com o novo abono, tentando agradar a todos: os seus beneficiários, os representantes dos mercados financeiros e o próprio ministro. Deus sabe se conseguirá.

Confiante, Guedes vinha adotando a postura de que, em qualquer arranjo político, conseguiria aprovar rapidamente sua agenda de reformas numa dimensão relevante, até tomar um susto grande quando Bolsonaro anunciou a demissão do presidente da Petrobras, o último dos Chicago Oldies, como ficaram conhecidos seus fiéis aliados desde o início do governo, aparentemente por ter aumentado demais os preços do diesel, ou por algo não revelado. Ou seja, de repente ficou tudo confuso.

E Bolsonaro? No íntimo, deve saber que cometeu vários erros, a começar pelo próprio negacionismo em relação à pandemia e culminando com a política equivocada de obtenção de vacinas em quantidade insuficiente e fora dos momentos indicados.

O ponto central é que, se avaliada corretamente, a gravidade da crise da COVID-19 (quem não tem entes próximos atingidos por esse vírus terrível, com muitos casos de óbitos?) exigiria um ataque frontal, concentrado e rápido ao problema, adiando-se a implementação de qualquer outra agenda de mudanças de peso para um momento menos complicado.

A situação era de economia de guerra como, muitas que o mundo já enfrentou, e com que não dá para brincar impunemente.

Só que, teimoso, Guedes já tinha um ano de formulação de um programa de reformas estruturais de que não arreda desde antes de a COVID explodir, e com que tem batido cabeças no Congresso, pois todas incluem medidas não necessariamente corretas além de bastante impopulares, especialmente para um governo que só este ano começou a organizar uma base de apoio parlamentar minimamente razoável.

Tanto que a única reforma que tinha chances de ser aprovada numa dimensão razoável era a da Previdência, onde já havia muito chão percorrido em debates seguidos nos anos anteriores.

Ainda assim, não conseguiu fazer essa reforma ser aprovada para aplicação imediata pelos estados e municípios, exatamente os que estavam em pior situação de desequilíbrio financeiro previdenciário, que ainda teriam (e continuam tendo) de aprovar o grosso das mudanças nas suas assembleias legislativas e câmaras municipais.

Mas além de reformas erradas ou inadequadas para o momento vivido, o grande drama, para mim, está na insistência de Guedes, forte aliado dos representantes dos mercados financeiros, em verbalizar um diagnóstico sobre o problema macroeconômico básico (risco de inflação e crescimento pífio do PIB) que, obviamente junto com os remédios adotados, vem se mostrando há muito equivocado, em contraste com um novo entendimento para o assunto que se amplia lá fora e nas mentes de alguns gatos pingados por aqui.

É o que o colega André Lara Resende chamou de dogmatismo fiscalista. Pelo diagnóstico equivocado, o problema se resume a cortar gastos públicos, inclusive e especialmente os investimentos em infraestrutura, a partir do que, como algo mágico, tudo se resolve.

Como resultado disso, os investidores externos ingressariam no país batendo palmas, que, assim, passaria, automaticamente, a crescer mais.

No meio do caminho, o controle do déficit público, que vem depois do relativo ao gasto, ao produzir aperto monetário impediria que a inflação disparasse.

que o Brasil não cresce sistematicamente há muito tempo, enquanto nos países desenvolvidos, diante da crise financeira de 2008, emitiram-se toneladas de dólares e euros para salvar os mutuários de empréstimos imobiliários e o próprio sistema financeiro, e a inflação até caiu.

Essas coisas devem ter cansado a cúpula do governo, e o papel de medidas antigas como o famigerado “teto dos gastos”, apoiado por Guedes, e o ajuste incompleto da Previdência acabou sendo basicamente o de reduzir o espaço orçamentário para investimento público.

No primeiro caso, porque os gastos correntes são extremamente rígidos e, no segundo, porque os déficits previdenciários dispararam e a reforma recente foi insuficiente para abrir um espaço adequado para investir.

Será que o principal cacique da tribo terá percebido, do alto do Palácio do Planalto, tudo isso do jeito certo e se arrependido de apoiar a postura de Guedes?

A discussão macroeconômica exigiria bem mais espaço do que há aqui, mas por tudo que foi dito, cabe, em complemento, informar a Bolsonaro e ao Centrão que, numa emergência pandêmica: 1) pode-se emitir para gastar o suficiente para salvar os desvalidos (auxílio), sem precisar aprovar quaisquer contrapartidas, inclusive inviáveis de emplacar no atual clima político; 2) atropelar o teto, e 3) aprofundar o ajuste previdenciário via criação de fundos de pensão, para aumentar o investimento público e fazer a economia crescer bem mais e rapidamente. Claro, tudo isso subordinado a um grande esforço concentrado na aquisição de novas vacinas. Então, por que não mudar logo?

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