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Estado de Minas Comportamento

Aos pais adotivos

Meus parabéns aos pais que viram na adoção um caminho


09/08/2020 04:00 - atualizado 14/08/2020 20:38


 
Se estivesse viva, uma de minhas grandes amigas desde a infância estaria comemorando 59 anos este mês. Ela morreu aos 50, vítima de cânceres sucessivos. Ao final da vida, estava enfraquecida fisicamente e percebíamos que o que mais a mantinha na luta era o único filho.
 
Insistia em se submeter a tratamentos dolorosos e que se sabia serem ineficazes no caso dela. Mas cada dia, mês e ano que conseguisse manter-se em pé, significava mais tempo ao lado do filho, não apenas para curtir a companhia dele e vê-lo crescer, mas principalmente para poder educá-lo nos princípios e valores que tanto prezava. Resistiu bravamente até que ele fez 14 anos.
 
A irmã dela, casada há um bom tempo, não teve filhos. Madrinha do sobrinho, se desdobrava para auxiliar a irmã doente, levando-o e buscando-o onde fosse necessário, ajudando nos deveres escolares, nas compras. Encaixava seus compromissos pessoais e profissionais nas agendas da irmã e do sobrinho. Era enérgica quando preciso e extremamente carinhosa na maioria das vezes.

No primeiro mês de agosto após a morte de minha amiga, o filho dela e a irmã tiveram a ideia d
e comemorar o seu aniversário fazendo uma festa para as crianças de um orfanato. Aquele momento de brincar, cantar, comer guloseimas e agradecer pela oportunidade da vida foi apenas o início de uma outra fase na vida deles. Aos poucos, a irmã de minha amiga foi se afeiçoando às crianças e passou a levar uma ou outra para passar o fim de semana com ela e o marido.
 
Pouco tempo depois, adotou um dos meninos, que tinha 6 anos de idade, se não me engano. Encontrei-me com ela no corredor de um supermercado com o carrinho lotado de coisas que denunciavam que quem o empurrava tinha criança em casa. Com muita alegria me contou o que se passara e me mostrou a foto da nova família – ela, o marido e o filho pequeno.
 
Imagino que hoje estejam os três às voltas com a comemoração do Dia dos Pais, um tipo de situação que por muito tempo na vida deles pareceu impossível e irreal acontecer. Um casal junto há décadas, ele e ela com mais de 50 anos de idade, e uma criança que deixara de ser bebê há um bom tempo. Quem imaginava ser possível uni-los?
 
Há sempre esperança de dias melhores para todos, basta acreditarmos e os perseguir. A irmã partiu, o filho chegou, o sobrinho afilhado cresceu, tomou as rédeas da própria vida, demonstrando não ter sido em vão todo o esforço da mãe. Por mais dolorosas que sejam muitas de nossas experiências, o tempo cura as feridas, principalmente quando estamos abertos para receber da vida o que ela tem de melhor a nos oferecer.
 
Meus parabéns aos pais que como estes viram na adoção um caminho de realização!

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