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Estado de Minas MINAS EM FOCO

Chuvas em Minas: produção alagada e o custo do despreparo

Custam muito dinheiro, dias de trabalho perdidos, com o drama de trabalhadores que perderam suas casas, ficaram desabrigados ou foram desalojados


postado em 31/01/2020 04:00 / atualizado em 31/01/2020 07:54

(foto: Ana Clara Brant/E.M/D.A Press )
(foto: Ana Clara Brant/E.M/D.A Press )

Os estragos mais evidentes do ponto de vista da atividade econômica deixados no rastro dos temporais em Minas Gerais nos últimos dias só começam a apresentar a conta ao comércio e à indústria. Além dos prejuízos imediatos num momento já difícil para o estado, – marcado por crise fiscal, atraso e parcelamento dos salários do funcionalismo e recuperação mais lenta do que se esperava à crise brasileira –, existe uma perda que se torna complicada de medir. Ela resulta do consumo que não se realizará tendo em vista o aperto financeiro de milhares de pessoas afetadas em casa, desabrigados e desalojados em razão de alagamentos e desabamentos.

Como referência da importância do varejo para Minas,  todo dia, o comércio lojista de reparação de veículos e motocicletas movimenta R$ 224 milhões, em média, no estado. A perda em decorrência daqueles desejos de consumo que não serão satisfeitos poderia, portanto, se aproximar de R$ 30 milhões diariamente nos municípios hoje em situação de calamidade com a fúria das águas.

Foi esse o exercício que fez o economista Vinícius Silva, da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL/CNDL) cruzando indicadores do setor.  A contribuição do comércio lojista de reparação de veículos e motocicletas para a economia alcança 12,5% do PIB, o conjunto da produção de bens e serviços em Minas.

Silva considerou ainda alguns pontos acima da média de 252 dias úteis de funcionamento do setor no ano, tendo em vista a parcela das empresas que trabalham período superior a esse calendário. Para fechar os cálculos foram consideradas 111 cidades em situação de calamidade devido aos efeitos das tempestades das últimas duas semanas, ou seja, 13% do universo de municípios de Minas.

“Pelo histórico que temos, jamais o setor viu algo tão intenso. Não tínhamos noção do que seriam os 170 milímetros que cairiam (esse foi o alerta da Defesa Civil e o volume de chuvas superou a previsão em todas as regiões de BH). Houve prejuízos que podem custar a vida de estabelecimentos, principalmente do comércio de bairro, o mais prejudicado”, diz Silva. Na Grande BH e pelo interior afora, o que se viu na última semana foi uma sucessão de perdas.

O chamado prejuízo estrutural inclui o patrimônio degradado, como mesas, cadeiras e outros móveis. De outro lado, o estoque de mercadorias também foi desfalcado pela invasão de água das chuvas, de esgoto e lama do asfalto arrancado das ruas. Não bastasse isso, algo que parece invisível, os balanços do varejo terão de expor perdas com a destruição nas ruas e estradas, que, em alguns casos, afetou o acesso do cliente às lojas.

Isso explica o fato de os comerciantes, em diversas cidades de Minas, terem tomado a iniciativa de sair às ruas para um mutirão de limpeza, como ocorreu em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, e desobstruir a passagem após os alagamentos, cena vista em vários pontos de BH.

Reportagem do Estado de Minas mostrou também que agricultores do cinturão verde da Grande BH já contabilizam perdas, assim como laticínios do estado enfrentam dificuldades para buscar o leite resfriado nas fazendas, o que representa não só prejuízo aos produtores, como também produção menor de derivados na indústria. Fábricas de Sabará e Santa Luzia, na Grande BH, foram inundadas, assim como em Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas.

Custam muito dinheiro, dias de trabalho perdidos, com o drama de trabalhadores que perderam suas casas, ficaram desabrigados ou foram desalojados, e, por isso, não puderam trabalhar e a ausência determinada pelas próprias empresas. E como aceitar o descaso com o cidadão, cumpridor de seus deveres para com o estado, privado de filhos, mulheres, parentes em geral – como precificar a vida das pessoas?

Potência


68,9% É a participação do setor de serviços, englobando o comércio, no PIB de Minas


SOCORRO SÓ PARA EMPRESAS?

A CDL-BH e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo anunciaram esta semana que pediram aos governos municipal e estadual a isenção temporária de impostos para os comerciantes que tiveram prejuízo durante chuvas intensas. Junto ao governo estadual, a intenção é de que sejam dilatados os prazos de pagamento do ICMS. O que se espera é que o mesmo tratamento seja estendido à população em Minas.


RECONSTRUÇÃO


O Senai-MG, do Sistema Fiemg, prestará serviços de manutenção específicos nas empresas que tiveram problemas em maquinário, devido a alagamentos ocorridos na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e, em alguns casos, interromperam a produção devido à intensidade das chuvas. Dentro de um plano de apoio às vítimas em Minas, a Fiemg cedeu equipamentos para limpeza das ruas em 124 cidades.

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