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Estado de Minas CRISE

Black Friday impulsiona reação da economia, mas falta muito para retomada firme

Sinais de retorno da economia brasileira ao crescimento não configuram movimento sustentável frente às perdas enfrentadas em vários setores nos últimos anos


postado em 28/11/2019 04:00 / atualizado em 28/11/2019 07:13

Megacampanha do varejo deve movimentar R$ 3,67 bilhões no Brasil, confirmando a data como melhor evento de promoção da década(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Megacampanha do varejo deve movimentar R$ 3,67 bilhões no Brasil, confirmando a data como melhor evento de promoção da década (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

O entusiasmo dos lojistas com a Black Friday – que deve movimentar R$ 3,67 bilhões em todo o país e se tornar a melhor data de promoção da década – e as vendas de Natal, que também prometem superar as dos últimos anos, com crescimento nominal de 6%, pode ser um ponto de inflexão na trajetória da atividade econômica deste ano. Depois do otimismo exagerado com a eleição de um novo governo, veio o realismo esfriando as estimativas de expansão do PIB e deixando no ar até um certo pessimismo. Agora, novamente, registra-se um clima de otimismo.

E não é para menos. Neste fim de ano, pelo menos R$ 260 bilhões serão despejados na economia em forma de “renda” para as famílias brasileiras. Nessa conta entram os R$ 214,6 bilhões que devem ser pagos em 13º salário na iniciativa privada e para aposentados e pensionistas – segundo cálculos do Dieese –, os R$ 42 bilhões do saque do FGTS, que podem ser acrescidos de mais R$ 3 bilhões caso o presidente Jair Bolsonaro sancione a elevação do valor do saque de R$ 500 para R$ 998, aprovada pelo Senado, e, por último, os recursos que devem ser liberados pela Receita Federal no último lote de restituição do Imposto de Renda deste ano.

É esse dinheiro extra que vai movimentar a economia brasileira neste fim de ano e que, associado à ainda tímida retomada dos investimentos e da geração de emprego, está elevando as expectativas de crescimento do PIB de 2019. As projeções estão longe dos 2,57% revelados no Boletim Focus divulgado em 11 de janeiro, mas distanciam-se, paulatinamente de previsões mais pessimistas, na faixa de 0,8%, feitas no meio do ano. Agora, economistas e analistas do mercado financeiro projetam crescimento de 0,99% para o PIB deste ano. E é provável que já na próxima semana essa previsão supere o 1%.

Esse clima de reação, no entanto, ainda não configura uma retomada firme do crescimento econômico a ponto de se recuperarem as perdas dos últimos anos. Os investimentos ainda estão cerca de 25% abaixo do pico histórico, registrado no segundo trimestre de 2013. A taxa de desemprego, mesmo em queda, ainda é muito alta, em 11,8% da população, deixando mais de 12 milhões sem trabalho, contra o contingente de pouco mais de 1 milhão de desocupados em dezembro de 2014, quando a taxa atingiu o menor patamar da história, 4,3%.

O dinheiro extra que vai impulsionar o consumo das famílias neste fim de ano, e consequentemente o PIB, tem duração curta e não mostra fôlego suficiente para sustentar um crescimento econômico mais firme. É preciso insistir que uma expansão mais vigorosa da economia só virá com a elevação do nível de investimentos, o que depende do setor privado, uma vez que o público está combalido.

Há a possibilidade de os investimentos estrangeiros retornarem ao país, mas o cenário externo mostra um risco mais alto de estagnação da economia global em função dos conflitos comerciais, do fraco investimento privado e das incertezas políticas. Essa menor expansão global afetará a velocidade de crescimento do Brasil e interferirá na decisão dos investidores. As crises políticas na América Latina também vão pesar, principalmente em relação às exportações brasileiras. Com essa perspectiva, restará ao Brasil ainda distribuir renda via geração de empregos e fomentar a demanda interna, que por sua vez elevará a ocupação da indústria – que já mostra reação ao chegar a 70% – e estimulará os investimentos privados. Apesar do otimismo momentâneo, essa última opção parece ainda distante.

Empréstimos
R$ 3,372 trilhões
É o estoque total de operações de crédito no Brasil em outubro, segundo informou o Banco Central

Viagens corporativas
As vendas das empresas da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) tiveram crescimento de 4,1% no terceiro trimestre deste ano, o que representa acréscimo de R$ 117,24 milhões em relação a igual período de 2018. O resultado positivo foi puxado pelo desempenho do setor aéreo e da hotelaria nacionais. Juntos, representaram mais de 60% do valor monetário apurado, o equivalente a R$ 1.840.274.565. O segmento aéreo nacional cresceu 7,3% e a hotelaria nacional 19,1%.


Menos investimentos
Com a economia brasileira se recuperando de forma lenta, os investimentos de empresas brasileiras no exterior caíram 31% no ano passado. Foram US$ 14,7 bilhões aportados em projetos fora do país, contra US$ 21,3 bilhões em 2017, segundo informou a Fundação Dom Cabral no estudo Global Latam – sobre a América Latina –, encomendado pelo governo da Espanha. A Vale liderou o ranking de brasileiras com investimentos no exterior, com aporte de US$ 2,8 bilhões fora do Brasil em 2018.
 

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