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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Estaduais: competições falidas e ultrapassadas

O Campeonato Mineiro, assim como os outros estaduais, é tão inexpressivo que os torcedores do time que ganha nem sacaneiam mais os rivais


postado em 22/01/2020 04:00 / atualizado em 21/01/2020 22:04

O técnico Adilson Batista orienta os jogadores durante treino na Toca da Raposa II para a estreia no Campeonato Mineiro, hoje, contra o Boa Esporte, no Mineirão(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
O técnico Adilson Batista orienta os jogadores durante treino na Toca da Raposa II para a estreia no Campeonato Mineiro, hoje, contra o Boa Esporte, no Mineirão (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)


O Cruzeiro estreia hoje no Campeonato Mineiro. Quem me conhece, sabe muito bem o que penso dessas competições estaduais. São retrógradas, ultrapassadas e não têm o menor apelo de público ou financeiro. Ocupa-se cinco meses do ano sem o menor propósito, quando poderíamos fazer um Brasileirão do fim de janeiro a dezembro, com datas somente nos fins de semana, deixando o meio das semanas para as Copas.

Vale lembrar que nas décadas de 1960, 1970 e começo da década de 1980, os torcedores gostavam mais dos estaduais em detrimento do Brasileirão, mas os tempos mudaram e a realidade hoje é nua e crua. Os times do interior são de aluguel e não revelam mais ninguém. Os times da capital gastam dinheiro, tempo, correm riscos de ter jogadores machucados e técnicos demitidos em prol de uma competição que não dás mais. E não me venham dizer que o Campeonato Paulista é atraente, porque não é. A média de público lá, há pouco tempo, era de 4 mil pagantes por jogo. Com folhas salariais absurdas, os clubes brasileiros têm prejuízos gigantescos no começo da temporada. A TV, dona dos direitos, compra alguns campeonatos somente pelo institucional, pois sabe que não há retorno financeiro e de público.

Porém, insistem com esse tipo de competição. O torcedor de hoje em dia não comemora mais. Ele quer saber de Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial. Como esse ano somente o Galo está na Série A, ele terá o Brasileirão pela frente, quando vai tentar quebrar um jejum que dura 48 anos. O Cruzeiro, na Série B, terá de se virar para voltar à elite, o que não será fácil com a crise que vive – financeira, moral e de corrupção da antiga diretoria. Quando uma equipe grande cai de divisão, acontece um fenômeno: os torcedores ficam mais apaixonados e querem ajudar de qualquer jeito.

Lembro quando o Galo caiu. Meus amigos iam para os bares de BH às terças, sextas e sábados para ver o time jogar. E quando a partida era em casa, o estádio lotava. Foi assim com Corinthians, Inter, Grêmio, Vasco, Fluminense, Botafogo, Palmeiras e outros. Flamengo, Santos e São Paulo jamais caíram. Estão ilesos. Mas, vale lembrar, que um dia poderão cair. Na Itália, exceto a Inter de Milão, todos os grandes e poderosos já caíram. Mas o torcedor acha a Segundona a morte.

Não duvido de que o Mineirão esteja lotado esta noite, para o jogo contra o Boa. Não pelo adversário, mas para dizer ao Cruzeiro que eles, torcedores, não o abandonaram e que estão aí para o que der e vier. É claro, porém, que o foco é a Série B e a volta ao primeiro time. Todos que caíram, inclusive o Vasco, que caiu três vezes, e o Palmeiras, que caiu duas, sempre voltaram no ano seguinte. E 2021 é o ano do centenário do Cruzeiro. Tem a obrigação de voltar.

E que o Ministério Público e a Polícia Civil deem um parecer sobre as acusações ao ex-presidente, Wagner Pires de Sá, seus diretores e vice-presidente de futebol. São culpados ou inocentes? Serão condenados e devolverão o que, supostamente, roubaram? Segundo o MP, as investigações estão bem adiantadas e o torcedor terá novidades nos próximos dias.

O Cruzeiro, segundo o conselho gestor, virou terra arrasada, com dívida na casa de R$ 1 bilhão, sem dinheiro e orçamento para pagar salários atrasados e outras pendências mais. Entretanto, sempre digo: é o Cruzeiro, um gigante do cenário nacional e internacional, e terá que se reinventar. A instituição é maior que todos os dirigentes que por lá passaram ou que lá estão. Só acho que uma eleição agora faria muito bem ao clube e o poria no trilho certo. Sérgio Rodrigues, advogado brilhante e correto, é um excelente nome.

Cabe ao clube entender essa urgência, essa necessidade, para se repaginar o mais rapidamente possível. Quanto ao jogo de hoje, não tenho muito a comentar. É apenas uma partida sem apelo, sem emoção, que não vai representar nada na vida do Cruzeiro. Aliás, para ele e Atlético, ganhar a taça do Mineiro é só mais uma para a coleção. Os torcedores nem sacaneiam uns aos outros quando ganham, tamanha a inexpressividade da competição. Essa é a mais pura verdade, que muita gente não quer enxergar.

Pré-Olímpico

Brasil e Uruguai jogam hoje pelo Pré-Olímpico da Colômbia. Ambos estrearam com vitória e buscam uma das duas vagas para a Olimpíada de Tóquio. São dois grupos de cinco seleções, classificam-se duas de cada grupo para um quadrangular final para sabermos as duas seleções que irão para Tóquio. O Brasil ficou fora de Atenas, em 2004. Espero que dessa vez garanta a vaga e busque o ouro, para manter a hegemonia da medalha, conquistada uma única vez, justamente na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.



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