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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

O afastamento da diretoria seria a melhor forma de salvar o Cruzeiro

A Raposa conseguiu apenas 20 pontos em 69 disputados, o que prova que o time realmente tem graves problemas e é candidato ao rebaixamento


postado em 07/10/2019 04:00

Briga entre torcedores no Mineirão durante o jogo contra o Internacional(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Briga entre torcedores no Mineirão durante o jogo contra o Internacional (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
 

 

Tenho alertado os dirigentes do Cruzeiro sobre a integridade física deles. Ao não renunciarem ou se afastarem temporariamente do cargo, estão dando chance aos que querem vê-los longe do clube, de agredi-los, verbal ou fisicamente, como aconteceu no Mineirão na noite de sábado, em mais um fracasso do time azul, 1 a 1 com o Inter. Um placar absolutamente normal, caso o Cruzeiro estivesse bem colocado no Brasileirão. Porém, como está no CTI, respirando por aparelhos, a perda de dois pontos em casa é complicada e pode refletir no fim da competição. Uma equipe que em 23 jogos consegue apenas 20 pontos realmente tem sérios e graves problemas. Inconformados com as denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e outras falcatruas, os torcedores xingaram o presidente Wagner Pires Sá e Itair Machado, e houve brigas entre torcedores e conselheiros, apoiadores da atual gestão. Sobrou até para um repórter da TV Alterosa, que levou um soco na mão e seu microfone caiu e quebrou. Violência gera violência. Por que essa gente não se defende fora do cargo? Que apego é esse? Eles são inocentes, até que se prove o contrário, é o que diz a lei. Portanto, um afastamento agora seria ótimo para que se defendam e, se nada for provado, que voltem com força total. Não há mais como eles continuarem, sob o risco de ter a integridade física abalada.


O presidente do Conselho Deliberativo, Zezé Perrella, marcou reunião para o dia 21, às 19h, no Hotel Dayrell, para votar o afastamento da atual diretoria. O presidente Wagner Pires marcou reunião no mesmo dia e horário para esvaziar o objetivo da oposição. Isso não vai levar o clube a lugar nenhum. Ou melhor, pode levá-lo à Segundona, pois o Cruzeiro caminha de forma decisiva para a Série B. O time não se encontra em campo. Os salários estão atrasados, a perspectiva é a pior possível e ninguém empresta dinheiro a um clube envolvido em corrupção. Tanto assim que o tal empréstimo de R$ 300 milhões, que um fundo americano faria, foi cancelado. Os americanos ficaram com medo de tomar um cano. E assim acontece no Brasil. Nenhuma instituição financeira empresta dinheiro ao Cruzeiro. As cotas de TV foram adiantadas até 2022. É um túnel sem luz no fim. Os mais de 9 milhões de cruzeirenses espalhados pelo mundo estão envergonhados e sofrendo a humilhação de ver o clube passar por tamanho vexame.


Vale lembrar que as conquistas dos títulos de 2013 e 2014 (Brasileirão) e 2017 e 2018 (Copa do Brasil) acabaram de arrasar os cofres do clube. O ex-diretor de futebol, Alexandre Mattos, gastou o que tinha e o que não tinha em contratações. A conta chegou agora, com a irresponsabilidade de gerir sem dinheiro, pagando fortunas a jogadores médios ou a ex-jogadores em atividade. O torcedor comemorou as conquistas, é claro, mas a conta chega um dia. O mesmo aconteceu nas conquistas da Copa do Brasil na atual gestão. Gastou-se fortunas empregando ex-jogadores em atividade, com contratos longos, e a bomba estourou. O Cruzeiro tem hoje dezenas de jogadores, não aproveitados ou emprestados, que retornarão no fim do ano. São contratos longos, folha salarial imensa e um rombo grande nos cofres. A situação é insustentável. Mesmo se a atual gestão sair e uma nova diretoria assumir, em eleições futuras, o Cruzeiro vai demorar uns 15 anos para se recompor.


O governo já sinaliza com mais um Refis para os clubes, o que é uma vergonha. Ninguém parcela as dívidas da população, do cidadão comum, por que os clubes de futebol têm essa prerrogativa? Gestões fraudulentas ou equivocadas devem pagar pelos erros. Refinanciar dívidas de clubes de futebol é uma agressão à sociedade.  Que a população, e aí está incluído o torcedor, proteste veementemente caso o governo queira anistiar os clubes. Mesmo através do Profut será uma vergonha! Já passou da hora de os dirigentes terem responsabilidade fiscal e pagarem pelos erros que cometem. A grande solução seria transformar os clubes em empresa. Não há outra saída. Se isso acontecer, esses atos irresponsáveis, de ter três técnicos no mesmo ano, pagando fortunas a eles, vão acabar. Os clubes têm que aprender a trabalhar dentro de um orçamento, sem gastar nada a mais. Que contratem um CEO e dê a ele caminhos para gerir o clube de forma responsável. Claro que o objetivo maior são os títulos, as taças, mas isso só acontecerá se o clube estiver sem dívidas, saneado e limpo. Ou o governo determina a criação do clube-empresa ou o futebol por essas bandas vai continuar sendo irresponsável, maltratado e de péssima qualidade. Direções fraudulentas ou corruptas devem ser aniquiladas do futebol. No Brasil, ele está doente, agonizando e, curiosamente, os resultados nos estádios dão conta de que os torcedores têm apoiado e comparecido. Portanto, um pouco de organização não custa nada. Vamos salvar o único esporte que ainda nos dá prazer em assistir. O brasileiro não valoriza o vôlei, o basquete, o handebol. É só o futebol. E ele está acabando, a cada ano, a cada rodada. Ainda há tempo de salvar nosso produto, mas não com Refis ou coisa parecida. E sim transformando os cubes em empresas. Essa é a única solução!


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