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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Justiça precisa agir no caso do Cruzeiro

São R$ 500 milhões de uma dívida impagável, dificuldade para manter a folha de R$ 20 milhões mensais em dia e sem credibilidade do mercado


postado em 15/08/2019 04:00

Gestão do presidente celeste, Wagner Pires de Sá, é investigada(foto: Alexandre Guzanhe/EM/D.A Press)
Gestão do presidente celeste, Wagner Pires de Sá, é investigada (foto: Alexandre Guzanhe/EM/D.A Press)


Tenho recebido milhares de mensagens nas minhas redes sociais de torcedores do Cruzeiro pedindo que a Justiça defina a questão das denúncias, veiculadas pelo programa Fantástico, da TV Globo, acusando a diretoria do clube de corrupção e lavagem de dinheiro, entre outras coisas. As investigações estão em curso há meses e, até agora, não há definição. Se a Justiça comprovar as irregularidades, que os dirigentes sejam afastados e punidos de acordo com o que determina a lei. Caso contrário, que tenham tranquilidade para continuar o trabalho, devolvendo o Cruzeiro às páginas esportivas e tirando-o das policiais.

Com uma história quase centenária, o clube azul jamais passou por isso e virou chacota nacional, prejudicando o desempenho dos jogadores em campo. Não venham me dizer que a crise política não atrapalha o futebol porque não é verdade. Atrapalha e muito. É impossível dissociar as denúncias graves do desempenho do time. Manifestei, desde o primeiro momento, a opinião de que a diretoria deveria se afastar e responder às acusações fora do cargo. Porém, ela não entendeu assim.

Conversei com um jurista, que me pediu para não ter o nome revelado. Ele me disse que a questão dos conselheiros remunerados, por exemplo, pode ser imoral, mas não é ilegal. Disse também que a prática de os clubes darem percentual de jogadores em garantia de dívidas de empresários é comum no futebol brasileiro, mas que, desde 2016, é ilegal segundo a Fifa. Os clubes que fizerem podem ser punidos até com o rebaixamento. Na verdade, quebrado como está há anos, o futebol brasileiro se entregou a empresários, que viram nele a “galinha dos ovos de ouro”. O cara sai do zero para 100 em apenas uma negociação, ganha um prêmio da Mega-Sena acumulada. Se acertar no jogador que pegou do clube em garantia da dívida, fica milionário mesmo. Temos vários exemplos disso. E o clube, formador do jovem, que investiu nele desde que era pequeno, fica com um percentual pequeno. Uma promiscuidade que assola nosso futebol há tempos.

Jogados contra a parede pela Fifa, os tais empresários agora compram clubes, ainda que sem expressão, e inscrevem os jogadores adquiridos. Os fundos, criados pelos empresários, não podem ter os direitos econômicos do jogador, mas o clube que compra pode. E assim acham mais uma brecha para furar a lei, enriquecer e deixar os clubes cada vez mais dependentes e quebrados. Por isso o futebol brasileiro agoniza.

Voltando ao Cruzeiro, são R$ 500 milhões de uma dívida impagável, dificuldade para manter a folha de R$ 20 milhões mensais em dia e sem credibilidade do mercado. Não há banco que empreste dinheiro a clube investigado pela polícia. A negociação, aprovada pelo Conselho Deliberativo, que renderia aos cofres do Cruzeiro cerca de R$ 300 milhões, pelo jeito melou. Os investidores americanos ficaram com medo de pôr dinheiro num clube sob suspeita. Por isso, é preciso que a Justiça dê um parecer, inocentando os acusados ou os indiciando e afastando. O clube precisa sobreviver, se reinventar e buscar recursos. O presidente do Conselho, Zezé Perrella, deu prazo ao presidente do celeste, Wagner Pires de Sá, para ele promulgar nova eleição de conselheiros até segunda-feira. O dirigente reluta e refuta tal ideia. Mas, se a Justiça determinar, é preciso cumprir. O torcedor não pode ter sua instituição manchada, nem tampouco visitando, constantemente, as páginas policiais. É uma vergonha para um clube que sempre se orgulhou da coerência, da lisura e da transparência.

O ano ainda não está perdido, há uma remota possibilidade de o Cruzeiro chegar à final da Copa do Brasil e ganhar um bom dinheiro, além de poder se sagrar hepta, tri consecutivo. Isso daria uma sobrevida ao clube, principalmente, para pagar a folha salarial. Por isso, como pedem os torcedores, é preciso que a Justiça dê uma definição imediata sobre as denúncias. Se nada for provado e os dirigentes forem inocentados, que possam prosseguir com o trabalho. Caso contrário, que novas eleições sejam marcadas e que outra frente assuma o clube. O que não pode é o Cruzeiro, instituição, ficar pagando por erros que não cometeu. Se há culpados, que sejam punidos com os rigores da lei. Os homens passam e o clube é eterno. Que a vaidade não esteja acima dos ideais da instituição. O Cruzeiro é muito maior que qualquer dirigente, que qualquer técnico, que qualquer jogador. A torcida exige uma definição. Que a Justiça seja rápida e eficiente. O torcedor azul agradece!



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