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Estado de Minas coluna

Saúde emocional deve receber atenção dos jovens no início da carreira

O preço de você se manter em alto rendimento não é uma tarefa fácil. A grande questão é como equilibrar as demandas que aparecem sem perder sua personalidade


23/05/2022 04:00 - atualizado 22/05/2022 21:33

o tenista Carlos Alcaraz
Sensação do momento, o tenista Carlos Alcaraz, recomenda divertir, ter outro esporte, aproveitar a vida e a família para suportar a pressão (foto: Anne-Christine Poujoulat/AFP)

Temos na história um grande número de artistas que acabaram destruindo sua vida por conta de problemas de gerenciamento de suas carreiras como pessoas públicas.

Eu posso citar Janis Joplin, Elvis Presley, Curt Cobain, Michael Jackson e Marylin Monroe, que recentemente teve um documentário lançado contando alguns detalhes desta pressão que os artistas sofrem.

No relatório de 2021 que a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI na sigla em inglês) libera todos os anos, alguns diretores, de grandes gravadoras, citaram a necessidade de cuidar da saúde mental dos artistas novos.

Há mais ou menos três anos, liguei para o ex-presidente da Sony Music, que contratou o SKANK em 1993. Perguntei se ele não poderia almoçar comigo para bater um papo sobre música. Peguei um avião para São Paulo, almocei com ele e voltei no meio da tarde. Foi uma das conversas mais esclarecedoras que já tive na minha vida. Um dos pontos que não esqueço, foi vê-lo comentar que por mais que seja importante um artista dar lucro para a gravadora, ele já tinha passado por situações onde os artistas travavam, por excesso de trabalho ou de exposição na mídia.

Quando o SKANK começou, demoramos quase dois anos para sermos conhecidos em todo o país, mesmo com o grande investimento da gravadora. Nosso primeiro sucesso nacional foi “Te ver” que saiu no segundo álbum, o “Calango”.  Este prazo foi muito importante para acostumarmos com a exposição pessoal, o reconhecimento em locais públicos e o aprendizado no contato com a imprensa. No nosso início não existiam as redes sociais, mas existiam revistas de fofocas que faziam o mesmo papel que alguns blogueiros fazem hoje. Atualmente, este prazo está bem mais curto. Vemos nomes saírem do anonimato e se transformarem em celebridades em poucos dias.

No Brasil, tivemos alguns exemplos, como o Dinho do Capital Inicial, que já falou em algumas entrevistas da dificuldade que ele teve de tratar deste assunto no início da carreira. Tiago Iorc, no auge de sua popularidade, apagou todo o conteúdo de suas redes sociais, assim como o Mateus Asato, um guitarrista brasileiro genial, que atualmente está tocando com o Bruno Mars e, em 2021, simplesmente parou de tocar e desativou seu Instagram. Vemos não só artistas chegando a um esgotamento de exposição como a tenista japonesa Naomi Osaka. Existe inclusive um documentário do tenista Mardy Fish tratando deste tema chamado “O peso da mente”. O detalhe é que não estou falando de pessoas que desativaram suas redes sociais por algum cancelamento.

O preço de você se manter em alto rendimento não é uma tarefa fácil. A grande questão é como equilibrar todas as demandas que aparecem sem perder sua personalidade e não se transformar num personagem. O tenista sensação do momento, Carlos Alcaraz, respondeu a seguinte pergunta: “o que ele poderia dizer aos jovens que estão começando agora?” A resposta foi: “divirta-se, pratique outros esportes, aproveite a vida e conviva com a família”.

Como tudo na vida, os excessos não fazem bem a ninguém. Tudo em exagero tem um preço a ser pago.  Acredito que o fato do SKANK ter continuado a morar em Belo Horizonte nos ajudou a manter este equilíbrio.  Eu costumo dizer que os vencedores são os que aguentam as pressões.

Nunca tive medo de arriscar ou tentar realizar os meus sonhos. Todos temos nossos tropeços. O que aprendi foi compreender os meus limites. Você conhece os seus?




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