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Estado de Minas Inovação perigosa

Maturidade contém a 'escravidão' tecnológica

Uma coisa é saber que existe uma novidade, outra é pagar o preço da inovação, quando a sabedoria ensina o valor de uma vida tranquila


24/09/2020 04:00 - atualizado 24/09/2020 07:25

Corrida pelas inovações tecnológicas têm custo que pode ser alto não só para o bolso (foto: Pixabay/Reprodução)
Corrida pelas inovações tecnológicas têm custo que pode ser alto não só para o bolso (foto: Pixabay/Reprodução)
Você já se deparou com um anúncio ou com alguma notícia sobre uma novidade que o leva a um impulso incontrolável de compra? Algo que naquele momento faz você pensar a respeito de como pôde viver sem isso até hoje, e agora precisa comprar de qualquer jeito… Você tem a certeza de que ao comprar o objeto de desejo, se tornará a pessoa mais atualizada com a sensação de completude.

Eu sou de uma geração de acumuladores, em que éramos induzidos pelas propagandas a comprar imediatamente os produtos, pois eles poderiam não estar disponíveis nas prateleiras quando mais fosse necessário. O mundo mudou com tanta informação disponível, mas nos tornamos mais ansiosos.

Gosto muito de tecnologia, principalmente dos lançamentos. Com o passar do tempo e após alguns problemas, comecei a evitar certas novidades. Passei a raciocinar dessa forma há alguns anos, quando comprei uma placa MIDI – o modelo mais sofisticado da época, para controlar diversos equipamentos nos shows do Skank. Quando tentei conectar os equipamentos, descobri que nem todos estavam preparados para tamanha inovação. Isso me deu uma grande dor de cabeça e o resultado final foi ter que esperar quase um ano para que todos os equipamentos recebessem atualizações para conectar com a tal placa.

Uma coisa é você saber que existe uma novidade, outra é você pagar o preço da inovação. Existe uma história no meio musical que exemplifica muito bem isso. Um jovem estava em um bar e, ao ver um antigo guitarrista tocando, pediu para tocar uma música. O jovem pegou a guitarra e começou a tocar em uma velocidade inimaginável, a ponto de uma pessoa que estava assistindo chegar para o antigo guitarrista e comentar que o jovem tocava muito bem. O antigo guitarrista respondeu de forma tranquila: esse jovem ainda está procurando as boas notas; eu já encontrei.

Esse conhecimento, baseado na sabedoria, pode ser encontrado no treinamento dos restaurantes japoneses. Você só se torna sushiman depois de passar um bom tempo em alguns lugares mais tradicionais, por alguns anos, observando como é feita a preparação dos pratos.

Depois de errar bastante, adotei a regra de um passo atrás para a maioria das mudanças em minha vida, com o intuito de preservar a tranquilidade. A curva de aprendizagem, baseada nos testes, às vezes não é o melhor caminho para se percorrer. O percurso da observação pode ser mais demorado, mas muito mais tranquilo. Aprendi isso no livro The ape and the sushi master, de Frans de Wall, que ganhei de um sábio amigo.
 

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