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"Tubarão Martelo", sucesso entre a garotada, ganha sua primeira animação

Aprovado no edital Petrobras Cultural para Crianças, filme será lançado em 2022 e trará uma novidade: pela primeira vez, o tubarão vai falar


26/07/2021 04:00

Cantor, compositor, produtor audiovisual, Cláudio Fraga (foto: Paula Rosnner /divulgação)
Cantor, compositor, produtor audiovisual, Cláudio Fraga (foto: Paula Rosnner /divulgação)

 
Há exatos 10 anos, nascia o musical infantil “O Tubarão Martelo e os habitantes do fundo do mar”, projeto que marcou a trajetória artística e profissional do músico e produtor Cláudio Fraga, e de muitas crianças. Mas, por causa da pandemia, a produção do espetáculo reconhece que não é hora de comemorações. "Esse momento tem um grande significado de resiliência, pois manter o projeto tem sido uma grande vitória. Com os cancelamentos e paralisações dos espetáculos presenciais, direcionamos e intensificamos as nossas atividades nos vídeos de animações infantis, que são os nossos produtos digitais do canal do Tubarão Martelo no YouTube, e tivemos um crescimento de mais de 50% nas visualizações", conta Claudio, autor do projeto. "Continuamos trabalhando de forma ágil nesse veloz mercado digital de animação. E, agora, no segundo semestre, lançaremos mais um conteúdo audiovisual infantil da marca O Tubarão Martelo. Um projeto sobre animais terrestres intitulado 'O mundo é dos bichos', com 13 novas animações."
 
"O Tubarão Martelo e os habitantes do fundo do mar" (foto: Daniel Bianchini/divulgação)
 
 
O “Tubarão” é um sucesso entre a garotada. No canal no YouTube, por exemplo, são 30 mil inscritos e mais de 13 milhões de visualizações de vídeos de animação. Para Claudio, a receita do sucesso é simples. "O Tubarão Martelo faz produtos que fazem parte da educação das crianças. Vai além do entretenimento. As músicas e todo o conteúdo são produzidos numa linguagem apropriada para a infância. Os nossos vídeos musicais e personagens são alegres e divertidos, criados com muito amor e carinho, e elas se apaixonam por entender que há uma conexão entre eles. As crianças são muito inteligentes e, quando elas gostam de um clipe musical de animação, é porque há verdade, confiança e comunicação entre elas e o conteúdo."
 
Desde a estreia do musical, apenas dois atores fizeram o personagem Tubarão Martelo. Todos as mascotes e peixes que estão no musical são interpretados por 10 dançarinos profissionais e as cenas das canções são coreografadas. No total, no palco, são 16 artistas, incluindo atores, músicos e dançarinos. "No começo, chegamos a nos apresentar em espaços pequenos para o tamanho do nosso show. Como ficávamos muito apertados e as mascotes não conseguiam dançar em cima do palco, elas desciam para dançar junto à plateia. Era uma loucura com a criançada, que as agarrava e elas não conseguiam dançar", diz, relembrando uma das muitas histórias ao longo de 10 anos.

Ano que vem, o “Tubarão Martelo” ganha as telonas com filme de animação em média- metragem. Como está sendo a produção, quem está envolvido e como será a história?
Estamos radiantes de felicidade com o nosso primeiro filme. Estamos na pré-produção, no processo de finalização do tratamento do roteiro para, em seguida, avançar para a fase das criações de ilustrações dos cenários e novos personagens. É uma superprodução, com patrocínio exclusivo da Petrobras,  por meio do Petrobras Cultural para Crianças. Está sendo produzida por equipe de excelência em conteúdo infantil de animação, com o experiente Carlos Magalhães na direção-geral, Luiz Fernando de Alencar, da Immagini Animation Studios, na direção de arte, e roteiros assinados por mim e pela Ana Luisa Alves. É um filme de aventura em que um navegador que procura há tempos joias e moedas de ouro de navios naufragados, perdidos no fundo do mar, descobrirá verdadeiros tesouros. Nessa busca, ele passará por muitos perigos e conhecerá o super- herói dos oceanos, o Tubarão Martelo. E a supernovidade! Esse nosso querido personagem, no filme, vai falar pela primeira vez.

Como surgiram o personagem e a história?
Esse projeto nasceu, literalmente, na porta de uma escola de educação infantil em Belo Horizonte. Eu fui buscar o meu filho primogênito, Pedro, ao final de mais um dia de aula, em novembro de 2011, e fui abordado, de forma exaltada, pela diretora da escolinha. Ela precisava de uma ajuda. A escola estava sem uma história para ser o tema da festa de encerramento das atividades letivas do ano, seu maior evento, e que aconteceria a menos de um mês. Essa escolinha já tinha 27 anos de existência e, durante esse tempo, muitos temas e lindas histórias já haviam sido contadas nesse grande evento e era preciso algo inédito. Foi aí que aconteceu o nascimento. A diretora me perguntou se eu tinha alguma história para crianças sobre o fundo do mar. Com a resposta negativa, ela completou: 'Então, escreve!'. Eu me senti desafiado e motivado a fazer algo pela escolinha que meu filho tanto amava, pois seriam as crianças que encenariam a história e cantariam no evento. Como conhecia todas as crianças da escolinha, pois eram os amiguinhos do Pedro, decidi que tentaria ajudar. No fim desse mesmo dia, já com o Pedro dormindo, escrevi a história, pesquisei sobre os animais marinhos e criei, primeiramente, 13 personagens, além de compor as músicas, colocando as principais características dos personagens para que as crianças aprendessem sobre eles. No dia seguinte, presenteei a escolinha com a minha história:      “Os habitantes do fundo do mar”. O sucesso do evento foi tão grande que, ao final, quando a diretora da escola revelou que o autor daquela história e canções, que as crianças já amavam tanto estava presente e era pai de um dos alunos, houve comoção geral. Um teatro lotado aplaudiu por alguns longos minutos aquele pai que só quis ajudar escrevendo uma história para o seu filho e para os amiguinhos dele. Naquele dia, com as músicas e a história validadas por crianças e papais, decidi que as transformaria em desenhos animados para compartilhar com mais crianças do mundo.

Como é viver mais de um ano e meio sem contato com público e quando vocês retornam ao palco?
É a primeira vez que estamos tanto tempo sem fazer shows em teatros, praças e arenas de espetáculos na forma presencial. As ausências dos sorrisos, os brilhos dos olhares e os gritos das crianças ao verem o Tubarão Martelo é algo que nos faz uma falta constante. Um espetáculo no formato de live nunca trará a emoção inenarrável de um olhar e sorriso de criança que podemos sentir quando estamos do palco e o público na plateia. É a conexão direta, orgânica, pessoal e intransferível que só a arte é capaz de produzir. Em 2020, começaríamos a nossa sétima turnê e estávamos com shows previstos no Rio de Janeiro, São Paulo e em várias cidades mineiras. Temos pedidos de shows para muitas cidades de todas as regiões do país, mas, por enquanto, seguimos aguardando tudo voltar com segurança para todos. Em 2020, lançamos o “Tubarão Martelo” em espanhol, apenas nas plataformas de streaming, e acreditamos que, quando tudo se normalizar, conseguiremos também fazer uma turnê internacional, começando pelo México, que, depois do Brasil, é o país que mais temos fãs.

Você é tricampeão do Festival Nacional da Canção e bicampeão do Festival Latino Americano da Canção Universitária, tem sete CDs e três DVDs... Como vai a sua carreira de compositor e cantor?
As minhas duas carreiras artísticas foram igualmente afetadas pela pandemia. Ambas dependem dos shows, do público. A minha carreira como compositor não parou. Em 2020, a minha canção “Girassol”, parceria com o Flávio Venturini, foi gravada, lançada por ele e é a música de trabalho do seu mais recente álbum. Durante a pandemia, compus mais dois projetos para crianças, que pretendo produzir e gravar ainda neste ano. Outra que compus durante a pandemia é o samba “Recomeçar”, um alento de incentivo emocional para o mundo todo, já gravado, no final de junho. São duas frentes artísticas que trabalho, mas o “Tubarão Martelo” é a minha prioridade do momento por entender que o seu alcance é mais significativo, por ser um produto digital forte, com mais viabilidade nesse mercado tão competitivo da cultura brasileira. 

Você foi professor de musicalização infantil, trabalhou na formação de um coral de jovens alunos da Cidade dos Meninos de Ribeirão das Neves. A partir dessa experiência, como vê a importância da música para o desenvolvimento e a socialização das crianças e adolescentes?
Trabalhar com crianças e adolescentes foi uma grande experiência pra mim. Aprendi com eles a fazer música pra eles. A música é arte capaz de produzir conexão direta para obter a confiança e respeito das crianças e, assim, alcançar resultados desejados dentro de um trabalho. Ela externa a sensibilidade das crianças e adolescentes, e desenvolve neles aspectos cognitivos, emocionais, a capacidade criativa e de raciocínio, a memória, a socialização, a amizade, o talento e tantos outros benefícios que são transformadores no indivíduo em idade de crescimento e formação.

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