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Estado de Minas HIT

Como fã de Paulo Gustavo, encontrei no camarim um ídolo 'gente boa'

Ator não apenas concordou em tirar uma selfie comigo. Ele mesmo operou meu aparelho de celular para fazer a foto


06/05/2021 04:00 - atualizado 05/05/2021 23:38

Simpático e atencioso, Paulo Gustavo chegou a se prontificar para tirar minha selfie com ele, usando meu aparelho de celular(foto: Acervo Pessoal)
Simpático e atencioso, Paulo Gustavo chegou a se prontificar para tirar minha selfie com ele, usando meu aparelho de celular (foto: Acervo Pessoal)

Sempre gostei da tietagem. Lembro-me como se fosse hoje do primeiro autógrafo que ganhei na vida. Minha mãe e eu, voltando de um médico, passávamos em frente ao Palácio das Artes, quando avistamos na entrada principal os atores Élcio Romar, João Carlos Barroso e Glória Menezes. Provavelmente esperando o carro que os levaria ao hotel, depois de um ensaio para a estreia de “Navalha na carne”, de Plínio Marcos, na capital mineira. 

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Como não desgrudava os olhos da TV, ver a estrela de "Guerra dos Sexos", sucesso da época, foi o máximo. Rapidinho, peguei o envelope da radiografia que minha mãe carregava, consegui uma caneta e corri para o autógrafo. Até há pouco tempo, esse documento histórico estava guardado em alguma gaveta.
    
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Os anos correram, a tecnologia facilitou a vida, com a troca de canetas e papel pelo celular e as já clássicas selfies. Só o meu lado tiete continua quase o mesmo. Mas vida de fã não é fácil. Mesmo com bons contatos, nunca sabemos como será o encontro. Vai que o ídolo seja surpreendido por mau humor súbito. 

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Aquela noite de maio de 2014 no Cine Theatro Brasil foi especial. Foi a minha primeira vez na plateia de "Minha mãe é uma peça". O espetáculo completou 15 anos desde sua estreia precisamente anteontem (4/5), dia da morte de Paulo Gustavo. 

Por mais calejado que seja, o fã sempre vai tremer na hora da foto. Dependendo da acolhida (ou não) de seu ídolo, um histórico de afeto e admiração pode azedar. Daquela noite, além da convicção de que eu iria rever “Minha mãe é uma peça” quantas vezes fosse possível, guardo a lembrança de um ator cordial. 

Paciente, Paulo Gustavo ainda teve a gentileza de pegar o meu celular e fazer a foto, que publiquei no Instagram. 

Eu sou chato com as minhas fotos, mas esta eu curto, sobretudo pelo jeito ‘gente boa’ que ele imprimiu à imagem. Um jeito que foi sua marca registrada como artista. 

Paulo Gustavo era um artista exigente. Quando voltou a BH em 2019 com “Minha mãe é uma peça” para duas sessões (lotadas) no Palácio das Artes, protestou contra as condições do teatro, que estava com o  ar condicionado  quebrado. Palco e plateia viraram um forno. O ator cobrou do governo cuidado e atenção com a cultura e avisou que não se apresentaria mais no Palácio das Artes naquelas condições.

É doído reler a legenda que escrevi para a foto de 2014, prevendo que ele iria nos divertir muito, com uma longa e bem-sucedida carreira. Apenas sete anos depois, essa chance foi arrancada dele e de nós. E é muito triste ver que uma vida e uma carreira brilhantes terminaram precocemente por causa da  disseminação de um vírus num país que está desgovernado e incapaz de combater a peste e defender seus cidadãos.

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Nunca mais encontrei Paulo Gustavo pessoalmente, mas bastava uma temporada dele ser anunciada em BH e lá estava eu na plateia. Foi assim com "Minha mãe é uma peça", "200 Volts", que cheguei a ver antes no Rio de Janeiro, "Hiperativo", e o último espetáculo, "Filho da mãe", no qual contracenou com sua mãe, numa sessão que lotou o Marista Hall. 

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E, claro, nunca perdi uma estreia da franquia “Minha mãe é uma peça” no cinema. No lançamento do segundo título da trilogia, Paulo Gustavo fechou uma das salas do BH Shopping para ele, a família do marido, o médico mineiro Thales Bretas, e amigos assistirem juntos ao longa. 

Os fãs que descobriram a presença do ator no cinema do shopping correram, na tentativa de vê-lo. Paulo não os decepcionou e atendeu aos inúmeros pedidos de fotos.

TEATRO

DO ALTEROSA PARA O BRASIL

Já tinha lido muitas críticas a respeito da montagem. Todos eram unânimes em apontar qualidades no texto, mas, sobretudo, na interpretação do ator de Niterói. A primeira apresentação da peça em Belo Horizonte foi no Teatro Alterosa. Nas três noites, os 321 lugares da casa foram ocupados. 

O espetáculo chegou à capital mineira dois anos depois de sua estreia no Teatro Cândido Mendes, com 120 lugares, no Rio de Janeiro, e um ano depois de bombar no Teatro Leblon, com 480 lugares.

"Para mim, programar o Teatro Alterosa, espaço em que tantas vezes dei boas gargalhadas com Carlinhos Nunes, que sempre foi minha casa e onde sempre tive abertura para apresentar novas propostas graças à direção maravilhosa de Wagner Tameirão, era o lugar mais confortável para apresentar o talento nato do Paulo", relembra a produtora Fran Fillon, que trabalhou com o humorista no início da carreira da versão teatral de “Minha mãe é uma peça". 

"Paulo sempre foi uma pessoa muito determinada, generosa. Qualquer coisa que ouvia, conseguia rapidamente colocar um tempo de humor. Quando começamos no Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, ele queria experimentar viajar, ver a reação do público fora do Rio. Depois dessa primeira experiência fora do Rio, começamos a acreditar que o Paulo era maior que o Rio e que ele ganharia o Brasil. E assim ele seguiu, com sua estrela e seu humor", diz Fran.

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