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Estado de Minas "NOVO NORMAL"

Carlos Bracher é o convidado da seção 'Vivendo e aprendendo' da Coluna Hit

Para o pintor e membro da Academia Mineira de Letras, a pandemia impõe a reflexão urgente sobre quem somos, o que somos e o que queremos


04/04/2021 04:00

O pintor Carlos Bracher diz que a pandemia expôs a imensa precariedade da civilização(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press - 8/11/14)
O pintor Carlos Bracher diz que a pandemia expôs a imensa precariedade da civilização (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press - 8/11/14)

 
 
Carlos Bracher
Pintor e membro da Academia Mineira de Letras

Depois dessa dramática devastação mundial, vimos em dias e meses nossa imensa precariedade, em que ricos e pobres foram jogados na vala comum da exata fatalidade. Foi uma rasteira no mundo e ninguém pode se vangloriar sozinho, nem as nações mais desenvolvidas, quando todas tiveram suas fronteiras fechadas.
 
Doravante não seremos mais os mesmos. Haverá um laço, uma espécie de elo entre nós, por essa conclamação além, como brado de alerta à humanidade. Está claro, clarividente na pele, que haveremos de ter postura diferente. E que somos igualmente frágeis, até os mais poderosos, unindo-nos num mesmo nível de súplicas, inclemências e medos individuais e coletivos.
 

"Daqui em diante, será um novo mundo que deixaremos para Valentim, meu neto de 9 anos"

 
 
Este é o maior sinal que jamais se viu, porque as guerras são exercícios de brutalidade e mortandade provocados em geral por divisões fronteiriças, contendas raciais ou fundamentalismos religiosos. E, basicamente, pelo poder. Agora não. Trata-se de clamor universal, da luta contra algo invisível.
Daqui em diante, será um novo mundo que deixaremos para Valentim, meu neto de 9 anos, e a todos os seres que virão, nossos filhos, netos e bisnetos. Haveremos de renascer dos escombros, cinzas erradas de milênios, de princípios cegamente materialistas, ambições desenfreadas, concorrências, dissidências e egoísmos nacionalistas.
 

"Os valores não poderão ser mais medidos simplesmente por PIBs, lucros, gráficos e estatísticas técnicas e frias"

 
 
Após o coronavírus, chegou o desafio de uma grave reflexão sobre quem somos, o que somos e o que queremos como entes.    
 
São perguntas longas e respostas mais longas ainda. Evidente, os valores não poderão ser mais medidos simplesmente por PIBs, lucros, gráficos e estatísticas técnicas e frias. Porém, é hora de perceber com olhos de compaixão a fome e as crianças morrendo na África e em outros continentes, sob nossos frívolos olhares, enquanto incalculáveis riquezas bilionárias acumulam-se aprisionadas em poucas mãos, que deveriam ser legitimamente redistribuídas na equidade de sentidos sociais, éticos e humanitários, senão seremos tragados por novos coronavírus, Aids, H1N1, Ebola e outras tragédias.
 
De tanto se ver vilipendiada, corroída e dizimada por incêndios, desmatamentos, secas, poluição de ares e mares, a natureza deu o troco, impondo-nos vórtices terríveis, como o xeque-mate derradeiro. E aí, homens e mulheres, o que querem, onde desejam ir?
 
Os governantes terão que alterar seus propósitos e não fazer discursos demagógicos, apenas investir fortemente em educação, saúde, tecnologia, pesquisa e programas efetivos que possam mudar o destino das gentes. Lamentavelmente, no mundo inteiro, raríssimos são os líderes que exercem política altruísta.
 
Faz-se urgente a concepção de nova e sólida sociedade, baseada na solidariedade, justiça e fraternidade, em que arte e cultura deverão ser o contraponto da poesia de viver.

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