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Estado de Minas DIPLOMACIA

Mineirês é um desafio para Katherine Ordoñez, cônsul dos EUA em BH

Na 'Entrevista de segunda' da coluna Hit, ela fala sobre hospitalidade mineira, a parceria entre seu país e Minas Gerais e sua missão no Brasil


29/03/2021 04:00

(foto: Acervo pessoal)
(foto: Acervo pessoal)

Katherine Ordoñez, consulesa dos Estados Unidos em Belo Horizonte, chegou à capital no segundo semestre de 2020. Ela não poupa elogios à cidade. “Vivenciamos a sincera hospitalidade mineira desde o início, com deliciosos doces e cafés aliados ao charme das cartas escritas a mão de novos amigos e vizinhos. Há um bom equilíbrio entre a qualidade de vida proporcionada pela cidade e o acesso à natureza”, afirma ela, que deve permanecer na capital por três anos e meio.

A nova consulesa é otimista sobre a relação de seu país com Minas. “Esperamos trabalhar juntos para desenvolver um memorando de entendimento com o governo do estado para formalizar e ampliar nossos trabalhos em conjunto em várias possíveis frentes: econômica, educação, saúde, ciência e tecnologia”, explica. Uma das ações é o programa de capacitação voltado para 100 mulheres vítimas de violência doméstica, parceria firmada com a Secretaria de Justiça.

Katherine se mudou para a capital com o marido, Mario, que trabalha em treinamento e mídia social para uma empresa de administração de imóveis nos EUA. O casal tem uma filha. Apesar da pandemia, eles conseguiram assistir ao concerto da Orquestra Filarmônica com Ricardo Castro ao piano e repertório de Beethoven. “Foi incrível. Um grupo de músicos talentosos, inclusive alguns dos Estados Unidos, na bela Sala Minas Gerais”, elogia.

Todos dizem que o português é uma língua muito difícil. A senhora já se adaptou ao idioma?
É um processo contínuo. Já falava espanhol, então, depois de aprender algumas regras, passei a entender muito bem, embora falar demorasse mais. Mas o que você aprende em sala de aula e nos livros é sempre diferente de como as pessoas realmente falam, e mineirês é um desafio, uai!

Em 11 anos no Serviço de Relações Exteriores dos EUA, a senhora serviu em Honduras, Paquistão, Argentina, no Bureau de Assuntos da Ásia do Sul Central, em Washington, e agora em BH. Há algo em comum nesse trabalho em locais tão diferentes?
Embora tenha que aprender novos contextos, novos parceiros e novas línguas, nossas principais iniciativas, como intercâmbios, programas de inglês e engajamento comercial, estão presentes em quase todos os países, inclusive, claro, no estado de Minas. É sempre importante sair e encontrar líderes, jovens e especialistas em vários setores para realmente entender a situação local. Essa é a nossa forma de construir pontes entre nossas culturas e povos.

Nesta pandemia, como o seu governo apoia países onde mantém representação diplomática?
O governo dos EUA está auxiliando brasileiros em diversas partes do país, todos os dias. No mês passado, tivemos o prazer de doar a Minas, por meio do Comando Sul do Departamento de Defesa, uma estrutura móvel para enfrentamento de calamidades com 40 leitos, geradores de energia e ventiladores de ar. Ela pode ajudar na resposta à pandemia, mas, no futuro, pode ser usada na resposta a desastres. Foi uma das duas estruturas doadas ao Brasil. Minas Gerais foi especialmente escolhida como destino, pois a estrutura pode possibilitar uma resposta ágil durante qualquer tipo de desastre neste grande estado. É uma forma de mostrar que estamos juntos nesta crise.

A senhora já se adaptou à comida mineira?
Minha família adora linguiça, tropeiro, costelinha, frango com quiabo e, claro, pão de queijo. Nossa filha aprecia todos os sucos naturais disponíveis. Ainda não nos aventuramos a cozinhar a nossa própria comida mineira, mas fiquei feliz em encontrar alguns ingredientes familiares aqui, incluindo quiabo, que é comum em meu estado natal, a Georgia. Em breve, estaremos fazendo nossa própria cozinha de fusão.

Qual é a função do escritório que a senhora comanda? 
Em 1942, logo depois de o Brasil ingressar nas potências aliadas na Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos estabeleceu sua primeira presença em Belo Horizonte. Minas Gerais desempenhou um papel importante na parceria EUA-Brasil no esforço de guerra, fornecendo quartzo e outros materiais para uso militar. Desde então, tivemos vários tipos de presença aqui, sempre com foco na diplomacia comercial e pública. Nosso escritório não é um consulado, pois não prestamos serviços de visto. Nossa presença em Minas facilita a ampliação dos laços institucionais, interpessoais e comerciais.

Como se dá a ação dos EUA em Minas?
Com mais de 50 empresas americanas, investimentos e promoção comercial, Estados Unidos e Minas Gerais, juntos, estão criando empregos e oportunidades. Enviamos mais de 200 mineiros em programas de intercâmbio nos últimos 10 anos. Acabamos de anunciar uma chamada em busca de propostas de financiamento para projetos que fortaleçam os laços entre os EUA e Minas nas áreas de educação, cooperação ambiental, questões sociais, crescimento econômico e diplomacia cultural. (O link do programa é https://br.usembassy.gov/pt/escritorio-dos-eua-em-bh-lanca-edital-para-financiamento-de-projetos/.)

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