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Estado de Minas VIVENDO E APRENDENDO

Mestre do Samba Queixinho, Gustavo Caetano já planeja a folia de 2022

Em depoimento à coluna Hit, carnavalesco diz que a pandemia lhe ensinou a lutar pelo direito à alegria nas ruas, inspirado pela mãe, Conceição, e o avô, Zezé


13/02/2021 04:00 - atualizado 13/02/2021 07:25

Quase um ano depois de uma crise sanitária global ter nos arrebatado em cheio, me pego aqui saudoso, conformado e agradecido por tudo o que aconteceu durante esse momento.

No início da pandemia, o tempo se tornou meu grandessíssimo inimigo. Estava livre para lidar com ele da forma que eu desejasse, e isso foi muito assustador. Não podia mais usá-lo como desculpa para justificar tudo o que adiei, que deixei de lado e que não resolvi... Era eu comigo mesmo.

Essa liberdade temporal de fazer o que eu quisesse me levou a ter crises de ansiedade. Tensão, náuseas, taquicardias e até falta de ar. Noites maldormidas e preocupações com todas as incertezas geradas pela situação pandêmica me derrubaram. Eu estava doente e não era COVID-19, era medo.

Percebi, então, que precisava usar a pausa forçada para me reencontrar.

Respirei, refleti, e aos poucos fui preenchendo as lacunas que me angustiavam. Esse período de reclusão me fez repensar e aprimorar diversos aspectos da minha vida. Aos poucos, as coisas começaram a entrar nos eixos e, enfim, o tempo se tornou meu aliado.

"Estava livre para criar meu carnaval de novo! Fotos antigas de minha mãe, Conceição, e de meu avô, Zezé, foram algumas das minhas referências"



Fortaleci amizades verdadeiras, terminei relacionamentos tóxicos e ajustei arestas profissionais.

Pronto, estava livre para me inspirar e criar meu carnaval de novo!

Fotos antigas de minha mãe, Conceição, e de meu avô, Zezé, já falecidos, foram algumas das minhas referências. Ela, sisuda e muito séria, se transformava na época da folia, ouvindo e dançando coletâneas de enredos de escolas de samba. Muitos deles canto até hoje. Já meu avô construía

"Luto por um carnaval inclusivo, pelo direito do trabalhador da área cultural à subsistência e para que as manifestações culturais populares sejam livres"



Em paz com o tempo e fortalecido pela minha família, revivo, com orgulho, o início do projeto de reflorescimento do carnaval de rua Belo Horizonte. Uma praça, 10 amigos e uma causa. Percebo então que, num cenário pós-pandêmico, minha luta continuará sendo a mesma de 11 anos atrás.

Luto por um carnaval inclusivo, pelo direito do trabalhador da área cultural à subsistência e para que as manifestações culturais populares sejam livres e vistas de forma legítima. Essa é a minha cura!

Em 2022, não vamos esmorecer, nosso bloco é da rua.


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